16 de nov. de 2011

Se ele te oprime, fere, humilha, não respeita seu livre arbítrio, acredite, isso não é amor!


Se ele te oprime, fere, humilha, não respeita seu livre arbítrio, acredite, isso não é amor!


Postagem especial do dia 25 de novembro – Dia Internacional pelo fim de toda a Violência contra a Mulher

“Para as mulheres entre 16 a 44 anos a violência doméstica é a principal causa de morte e de invalidez, antes do cancro, dos acidentes de estrada e mesmo da guerra”.
Rapport OMS

Veja abaixo um dos melhores comerciais sobre violência conjugal


Versíón en español AQUI
Versão em português AQUI

“Tire suas mãos de mim!
Eu não pertenço a você.
Não é me dominando assim
Que você vai me entender.
Eu posso estar sozinho,
Mas eu sei muito bem aonde estou.
Você pode até duvidar.
Acho que isso não é amor”.
Legião Urbana

10 de nov. de 2011


juiz de fara de família de Arkansas (USA) é filmado espancando a filha


Juiz do Arkansas
William Adams, o juiz da Vara de Família do condado de Arkansas (USA), foi filmando espancando a filha adolescente. 

A polícia nos Estados Unidos está investigando um vídeo publicado no YouTube que mostra um juiz americano da vara de família espancando sua filha adolescente com um cinto mais de dez vezes.
Abaixo trecho da reportagem:
Imagens perturbadoras
“Nas imagens, o homem aparece gritando: 'Deita ou eu vou bater na sua cara', enquanto Hillary chora e implora que ele pare”.
“O especialista em família e punição corporal da Universidade de New HampshireMurray Strauss diz que muitos casos de violência física começam como simples punições.
'Isso é um caso de abuso físico, não de punição socialmente aceitável, mas ele ilustra uma das muitas razões pelas quais o pais nunca devem bater nos filhos, bater abre possibilidades de o incidente se intensificar e se tornar violência física', disse Strauss’” (fonte: G1, 3 de novembro de 2011).
Reportagem completa AQUI

Isso é educar?

O bullying pode ser evitado – Suplemento Especial do jornal O Popular


cida 100



O suplemento especial de domingo (06/11/2011) do jornal O Popular abordou o tema Bullying, veja abaixo a entrevista com a psicóloga Cida Alves.


“O bulliyng pode ser evitado”
Você acredita que as pessoas são espontaneamente generosas, respeitosas e solidárias, ou que esses valores devem ser aprendidos e exercitados? Onde fica a escola nisso?
O ser humano não nasce pronto e acabado. Acredito que as experiências e os valores sociais podem tanto potencializar a generosidade como a competição desleal. A construção da generosidade exige atos coerentes do mundo adulto, não adianta proferir lindos discursos sobre ética e solidariedade se não somos modelos exemplares desses conceitos. Mas que falar de fraternidade e cooperação é preciso que os educadores sejam fraternos e colaboradores.
Qual a importância da escola na formação social de seus alunos?
Em um contexto de mudanças nos papéis familiares, em que as mulheres passam a ocupar um lugar de importância no mundo do trabalho, as crianças ingressam cada dia mais cedo e dedicam a maior parte de seu tempo com atividades escolares – assim, este local tem um papel determinante no processo de socialização de meninos e meninas. Ela contribui com parte da identidade de ser e pertencer ao mundo, oferecendo modelos de aprendizagem por meio da aquisição dos princípios éticos e morais. As instituições de ensino deixam de ser meras retransmissoras do saber científico organizado culturalmente e passam a interferir em todos os aspectos relativos aos processos de socialização e individuação da criança, como o desenvolvimento das relações afetivas, a habilidade de participar em situações sociais, a aquisição de destrezas relacionadas com a competência comunicativa, o desenvolvimento da identidade sexual, das condutas pró-sociais e da própria identidade pessoal.
Como os pais podem perceber se a escola se preocupa ou não com a socialização dos alunos?
Um importante indicador é a maneira como professores e direção lidam com as opiniões, as preocupações e sentimentos dos alunos. Ou seja, se a escola possui eficientes e generosos canais de comunicação com os estudantes.  Por isso é importante que os pais se informem sobre o projeto pedagógico e acompanhem de perto as atividades promovidas. Professores e diretores, não podem ignorar as queixas e pedidos de ajuda das crianças que estão sofrendo pela violência cometida por outros colegas. Humilhar, constranger e bater não é apenas uma brincadeira inofensiva de criança. São, sim, violência.
Qual a melhor forma de conduzir a socialização no ambiente escolar?
Considerando os conhecimentos construídos pela área do desenvolvimento infantil e promovendo uma prática pedagógica que entenda a criança como um sujeito de direitos, que precisa participar da construção de seus próprios conhecimentos e, acima de tudo, ser ouvida.  As práticas escolares devem ser mediadas pela cooperação e não pela competição, por isso é importante, também que o projeto político pedagógico da escola se estruture a partir da compreensão de que a criança é um ser singular e, ao mesmo tempo, apresenta múltiplas capacidades que precisam ser desenvolvidas. Ao valorizar apenas a memorização de conteúdos a escola presta um grande desserviço ao desenvolvimento dos estudantes, pois não os percebe como pessoas complexas e de múltiplas inteligências.
Qual é o papel da família na formação social dos filhos?
A escola não pode ser responsabilizada por tudo, ela também tem limites. A família e a sociedade contribuem com a realidade da violência na escola, quando valorizam as formas violentas de resolver conflitos, quando usam de violências físicas e psicológicas na educação e no cuidado familiar. A violência na escola é um reflexo da violência presente no conjunto geral das relações sociais.
Um levantamento feito pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que quase um terço dos estudantes das 26 capitais do país e do Distrito Federal já sofrem algum tipo de bullying? Quais as consequências reais desses números E o que pode ser feito a respeito, dentro da escola nas famílias?
Sim. O bulliyng, como qualquer violência, pode ser evitado. Uma das formas de se evitar o bulliyng é não tratar os alunos como número. A escola precisa de ambientes e momentos que valorizem a relação de confiança e de respeito às diferenças. Se queremos contribuir no processo educativo, com a formação de sujeitos éticos e solidários, não podemos tornar a instituição de ensino um espaço de mero exercício da competição e do individualismo, no qual o que vale é o aluno se dar bem.
Fonte: Jornal O Popular, suplemento “Como escolher a escola do seu filho”,em 06 de novembro de 2011. Edição e textos: Valéria Belém e Karen Farias. Projeto gráfico e diagramação: Lúcio Rodrigues e Marcelo Roriz. Fotos: Cristina Cabral, Sebastião Nogueira, Zuhair Mohamad e Wildes Barbosa.


Pesquisa revela que o crack está em 90% das cidades brasileiras


Uma pesquisa da Confederação Nacional de Municípios revela que o consumo do crack, droga derivada da cocaína, se alastrou por todo o país. Por isso, o Mais Você desta terça-feira, 08 de novembro, conversou com a psiquiatra Analice Gigliotti, especialista em dependentes químicos, que apontou que medidas são necessárias para resolver o problema desta droga.

"Dependência de drogas não tem cura, tem tratamento. Uma vez doente, ela sempre será doente e ter risco de recair. Uma pessoa que está com problema agora, não precisa ficar com ele para o resto da vida. O tratamento é químico, psicológico e social, como se afastar das situações que te levam a consumir, do local, se nele há facilidade”, aconselhou Gugliotti.

Especialistas alertam que, em média, um em cada três usuários morre após cinco anos de uso da droga. O ex-empresário Gilberto, que contou com a ajuda da filha, neta e pais para sair do vício, relatou o drama de perder tudo para as drogas. “Eu destruí os meus sonhos e os sonhos da minha família”, admitiu ele. A psiquiatra analisou que o aumento de uso do crack por pessoas com mais de 50 anos pode ter origem na intensidade e rapidez do efeito da droga: “Ele é mais gostoso que a cocaína, por ser a sua forma fumada, faz efeito mais rápido e, por isso, faz você repetir a dose mais vezes".

Mais Você conhece a realidade de jovem dependente de crack
Uma pesquisa da USP de Ribeirão Preto constatou um dado alarmante: muitas pessoas entre 60 e 80 anos estão consumindo de três a quatro pedras de crack por dia. “Ela é uma droga devastadora e cada vez mais você quer”, declarou um pai de 60 anos. “O crack roubou de mim tudo o que eu tinha, a começar pela minha dignidade e honra. Me tornou um marginal”, desabafou. Para Analice, o principal motivo da escolha do crack é o seu baixo preço. “Em geral, as pessoas de classe média baixa escolhem o crack pelo preço, mas existem outras que escolhem o crack pelo prazer também. A fácil acessibilidade é um fator que aumenta o consumo”, avaliou a especialista.

A droga que surgiu no Brasil na década de 90 tinha uso restrito de uma pequena população em São Paulo. Hoje, segundo estimativas do Governo Federal, o número de brasileiros usuários já chega a 600 mil. Uma pesquisa, com 4.400 munucípios, revela que o crack está em 90% das cidades brasileiras, que hoje já ocupa o lugar do álcool em pequenos municípios e na zona rural.

Uma das consequências dessa chegada é o aumento da violência. Em 60% das cidades pesquisadas, a droga está ligada ao aumento de furtos e roubos e da violência doméstica e intrafamiliar. Quase 38% das Prefeituras apontam também problemas entre os adolescentes - a queixa mais preocupante é o tráfico de drogas nas escolas. Em outro dado levantado pela pesquisa, em 44% dos municípios não há qualquer tipo de assistência social para familiares de usuários ou para os viciados. “Os números e os dados impressionam mesmo”, declarou Ana Maria Braga. 

30 de out. de 2011


“Mesmo em último caso, a palmada não é válida”, diz terapeuta familiar


Carlos Zuma JN
 
 
 
Carlos Zuma* defende o debate em torno da “Lei da Palmada” e analisa o momento de transição dos modelos de educação dos filhos

Com a criação do Projeto de Lei 7672, queproíbe os pais de castigarem fisicamente os filhos, abriu-se uma discussão que parece ser interminável na sociedade: afinal, é tão maléfico assim dar umas palmadas ou beliscões nos filhos? Na semana passada, a terapeuta infantil Denise Dias, autora do livro “Tapa na Bunda – Como impor limites e estabelecer um relacionamento sadio com as crianças em temos politicamente corretos” (Editora Matrix), concedeu uma entrevista ao Delas defendendo o uso do que se costumou chamar de “palmada pedagógica”. Mas para o psicólogo e terapeuta familiar Carlos Zuma, esse está longe de ser o melhor caminho.
Carlos é secretário executivo do Instituto Noos, organização sem fins lucrativos que visa promover a saúde dos relacionamentos familiares e comunitários, e membro da Secretaria Executiva da Rede “Não Bata, Eduque”. Segundo ele, a violência contra as crianças – por mais que seja um puxão de orelha de leve – não possui nenhuma utilidade benéfica. Pelo contrário: pode deixá-la traumatizada ou ensiná-la que é assim que se faz. “Muitas pessoas estão no automático, repetindo modelos que eles mesmos condenavam”, diz. Confira entrevista com ele.

iG: O que você acha do Projeto de Lei que proíbe castigos físicos, como beliscões e palmadas, para “corrigir” os filhos?
Carlos Zuma:
 Eu apoio a lei. Mas acho que o melhor ângulo de vê-la não é pela proibição do castigo em si. Prefiro defini-la como uma lei que garante o direito das crianças de serem educadas sem o uso de castigos corporais e tratamentos degradantes. Pelo direito que têm de serem educadas sem apanhar, sem serem humilhadas. Esse é o ângulo pelo qual prefiro vê-la. Uma lei é importante para dar parâmetros de comportamento e para os juízes poderem julgar os casos com base em uma legislação clara. Se isso não acontece, só lhes restam interpretações subjetivas e questões sobre qual o limite entre o mau trato e a boa educação. A lei é importante, portanto, para que não haja subjetividade.
iG: Você acredita que a lei pode ser mesmo efetiva?
Carlos Zuma:
 Não acredito que uma lei sozinha irá mudar comportamentos já arraigados em nossa cultura. Eu acredito que pode mudar, mas a lei sozinha não funciona: todo o debate em torno dela é que pode trazer a mudança cultural que precisamos. E temos evidências de mudanças já acontecendo. Nossos avós viveram a infância em uma época que era normal as crianças ajoelharem no milho e os professores usarem palmatória como método de educação e disciplina, mas já podemos ver como há uma posição contrária dos pais a isso hoje em dia. Temos, portanto, que ver o castigo físico da mesma forma. O grande problema mesmo é confundir a educação com esse castigo físico, o bater. Quando fazemos alguma campanha sobre o assunto, é impressionante o número de pessoas que questionam como vão educar se não podem bater nos filhos. Tem gente que acha que é uma coisa é sinônima da outra, mas não é.

iG: Ainda em relação à própria lei, haverá alguma maneira de distinguir uma “palmada educativa” de uma real agressão à criança? Você acha que é possível fiscalizar esse tipo de situação?
Carlos Zuma:
 Justamente porque é muito difícil distinguir uma coisa da outra, o melhor mesmo é determinar que não é necessário bater para educar. E, de fato, não é necessário. Existem gerações e gerações de pessoas que foram educadas sem nunca terem tomado um tapa, e isso não as tornou psicopatas. Claro que a maioria dos pais tem a melhor das intenções quando dão palmadas em seus filhos. Vemos que os pais querem educá-los para não se tornarem um bandido, um marginal, então dizem que preferem bater do que ver a criança apanhar da polícia ou da vida no futuro. A intenção dos pais é a melhor possível, mas as consequências, para as crianças, são sentidas para o resto da vida. E não é só o tapa que faz isso: é a humilhação também.
iG: Como você mesmo cita, alguns pais acreditam que é melhor dar palmada nos filhos para discipliná-los antes que “apanhem” da vida ou até mesmo, literalmente, da polícia. Uma criança que não é disciplinada a palmadas terá menor capacidade de lidar com as adversidades da vida, no futuro?
Carlos Zuma:
 Uma criança que não foi educada e disciplinada terá maiores chances, sim, de apanhar da vida. Não tenho a menor dúvida disso. Mas a melhor forma de educar e disciplinar não é batendo na criança. Eu não tenho a menor dúvida: crianças que não foram educadas pelos pais sofrem muito mais e levam muito mais tempo para se adaptar à realidade. Mas eu falo em educar sem o uso do castigo corporal. As pessoas não devem confundir uma coisa com a outra.
Carlos Zuma: educar não significa bater
iG: Como os pais devem impor limites e exercer autoridade sem usar castigos físicos? Você acha que o “tapa na bunda” é necessário em alguns casos – como o de crianças bem mal-educadas?
Carlos Zuma:
 Eu discordo que, em último caso, a palmada seja válida. Ao bater em seu filho, você pode conseguir que ele aja da maneira correta, mas se aquilo está educando-o ou estragando-o é questionável. Quando você bate, está dizendo: “olha, quando alguém te contraria, quando alguém faz alguma coisa que você não quer, é legítimo bater”. E então surge um aprendizado da violência como resolução de conflitos. Mas a violência é uma forma ruim de resolução de conflitos. Quando a proposta da Lei Maria da Penha surgiu, a mesma discussão veio à tona. Pouquíssimas pessoas discordam da necessidade de existir uma lei que proíba o marido de bater em sua esposa. O direito de uma pessoa não acaba porque ela está dentro de casa, seja esta pessoa um adulto ou uma criança.
iG: Se palmada e puxão de orelha não são válidos como últimas atitudes dos pais para a criança obedecê-los, o que eles podem fazer?
Carlos Zuma:
 Não é para usar palmada nem tratamento cruel degradante, mas 
o castigo é válido, desde que esteja adequado à idade da criança e proporcional ao tipo de comportamento que ela teve. Você pode privar a criança de assistir televisão durante uma tarde porque ela fez uma coisa errada, por exemplo. A criança precisa saber que seus atos têm consequências. Com castigo e explicação, ela pode começar a entender que isso ou aquilo é errado.
iG: Muitos pais se perguntam por que não deveriam bater em seus filhos, se eles mesmos apanharam durante a infância e cresceram sem traumas. Você acha que esse argumento é válido?
Carlos Zuma:
 É muito complicado definir o que quer dizer “sem traumas”. Eu duvido que essas pessoas optariam por ser corrigidas como foram – apanhando – se pudessem ter escolhido. Também não é porque eu me vejo sem nenhum trauma hoje que as mesmas atitudes funcionarão para o meu filho. O momento é outro. Uma criança do passado pode ter absorvido melhor o que sofreu de castigo físico em uma época em que ajoelhar no milho era aceitável. Hoje isso não acontece.
iG: Há também o argumento de que violência é ver crianças nas ruas, passando fome e fora da escola, e dar uma palmada ou castigar os filhos não é violência.
Carlos Zuma:
 A violência hoje em dia nos cozinha em fogo brando e nos acostumamos com ela. Sim, há uma violência contextual atualmente, o Estado não provê todas as necessidades básicas a muitas pessoas. Mas por isso vamos dizer que o tapa em uma criança não é violência? Isso não é argumento. Não é pela existência de uma violência contextual que irei minimizar essa outra violência, que é bater nos filhos. É violência da mesma forma e é errada. Precisamos garantir os direitos de todas as crianças e adolescentes, mas nem por isso irei permitir a violência dentro de casa com agressão física ou humilhante.
Mostrar à criança que seus atos têm consequências é a recomendação dos especialistas
iG: O que falta aos pais que tentam educar os filhos na base da palmada?
Carlos Zuma: 
Estamos em um momento de transição dos modelos de educação, modelos que deram certo em alguns aspectos e errado em outros. O problema é que muitas vezes, ao tentar corrigi-lo, vamos para o outro extremo: do autoritarismo para uma política do “tudo pode”. Os pais estão com pouco tempo para educar os filhos, se sentem muito culpados e não querem se ocupar em dar limites. Mas acredito ser uma transição pela qual estamos passando. Iremos encontrar formas claras de educar as crianças sem precisar bater nelas. Precisamos, para isso, refletir. O que fazemos com o nosso tempo? Temos condições ou não de proporcionar uma boa educação para as crianças que colocamos no mundo? Qual a qualidade do relacionamento que irei manter com meus filhos? É preciso ter essa reflexão, mais do que defender o direito de bater em uma pessoa.
Fonte: Renata Losso, especial para iG São Paulo 27/10/2011 08:41
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Colaboração: Eleonora Ramos, coordenadora do Projeto Proteger – Salvador (BA).


*Carlos Zuma Psicólogo, terapeuta de família e casal, Fellow da Ashoka, secretário executivo do Instituto Noos.


Fonte: Blog Educar Sem Violência - Cida Alves http://toleranciaecontentamento.blogspot.com/2011/10/mesmo-em-ultimo-caso-palmada-nao-e.html

29 de out. de 2011

O menino e a borboleta encantada– Rubem Alves


O menino e a borboleta encantada– Rubem Alves


menina borboleta 1
Mil e uma noites haviam se passado desde que o Pássaro Encantado partira. Então ele voltou. Era madrugada. A Menina o viu tão logo a luz alegre do sol fez brilhar as suas penas. Ela o estava esperando. Os apaixonados esperam sempre... Ah! Como foi bom aquele abraço de saudade! Desta vez as suas penas estavam coloridas com as cores das florestas sobre as quais voara. O Pássaro Encantado pôs-se então a cantar os seres das matas, árvores, orquídeas, regatos, cachoeiras, elfos e gnomos... A Menina não se cansava de ouvir. Ouvia e pedia que ele contasse de novo as mesmas estórias, do mesmo jeito. E assim viviam os dois se amando por dias e dias. Mas sempre chegava o momento em que o Pássaro dizia: “Menina, o vôo me chama. Preciso partir. É preciso partir para que o nosso amor não tenha fim. O amor precisa de saudade para viver...” A Menina chorava baixinho mas compreendia. E assim o amor acontecia entre partidas e retornos.
As asas do Pássaro pareciam incansáveis. Estavam sempre à procura de lugares desconhecidos. Ele já visitara montanhas encantadas, planícies geladas, lagos, rios, abismos, castelos, uma cidade construída na divisa entre a realidade e a fantasia, um reino onde era proibido estar triste, lugares sagrados, vulcões, o país dos dragões verdes e dos gigantes amarelos, jardins, selvas verdes, mares azuis, praias brancas... Sobre todos esses lugares ele lhe contara estórias. A Menina não tinha asas. Mas ela voava nas estórias que o Pássaro lhe contava.
Mas os anos foram se passando. O Pássaro envelheceu. Suas asas já não eram as mesmas da juventude. E também os seus sonhos já não eram os sonhos da mocidade. Deseja-se partir quando é manhã. Mas quando o sol se põe o que se deseja é voltar. E assim um desejo novo surgiu no coração do Pássaro crepuscular: voltar...
O sol acabara de se pôr. Vênus brilhava no horizonte. Foi então que a Menina o viu. Suas penas pareciam incendiadas pelo sol. Depois do abraço ele disse para a Menina algo que nunca lhe dissera antes: “Menina, conte-me as estórias da minha ausência...” E foi assim que, pela primeira vez, o Pássaro se calou e a Menina lhe contou estórias.
Por muitos dias o Pássaro e a Menina gozaram do seu amor. Mas o Pássaro já não era o mesmo. Algo acontecera com os seus olhos. Já não procuravam horizontes longínquos. Eles olhavam as coisas simples que havia na sua casa, coisas que sempre estiveram lá, mas que ele nunca havia visto. Não vira porque o seu coração estava em outro lugar. É o coração que nos diz o que é para ser visto.
Aconteceu então, num dia como os outros, o Pássaro abraçou a Menina, e ele sentiu, nas costas da Menina, algo que nunca sentira.
“Menina, o que é isso?” ele perguntou. Ela enrubesceu e respondeu:
“Asas, pequenas asas... Estão crescendo nas minhas costas...”
E para que ele as visse baixou sua blusa. E ele viu. Sim, pequenas asas, delicadas asas, asas de borboleta, coloridas, diáfanas, frágeis... E ele percebeu que a Menina se preparava para voar. Sua Menina se transformara numa borboleta...
O Pássaro sorriu uma mistura de alegria e de tristeza. Sentiu um leve tremor nos lábios, aquele mesmo tremor que vira nos lábios da Menina a primeira vez que lhe dissera: “Eu quero partir...” Chegara a hora em que ela partiria e ele ficaria. Ele seria, então, aquele que esperaria.  Como é dolorido ficar! A solidão de quem fica é maior que a solidão de quem parte! Quem parte vai para mundos novos, cheios de maravilhas desconhecidas. Quem fica, fica num espaço vazio, de objetos velhos, esperando, esperando, contando os dias.
O momento da despedida chegou. A Menina, flutuando com suas grandes asas de borboleta, disse ao Pássaro: “Preciso partir...”
O Pássaro teve vontade de chorar. Queria lhe dizer: “Não vá. Eu a amo tanto.” Mas não disse. Lembrou-se de que essas haviam sido as palavras que a Menina lhe dissera, quando ele partira pela primeira vez. O Pássaro temia por ela. Suas asas eram tão frágeis, asas de borboleta que quebram-se atoa. Queria estar com ela para consolá-la na solidão e no cansaço. Mas não fez gesto algum. Ele sabia que os abraços que não se abrem são mortais para o amor.
Ele estendeu a sua mão num gesto de despedida. A Borboleta voou e nela pousou. Ele se aproximou dela, como se fosse beijá-la. Mas não beijou. Apenas soprou suas asas suavemente. “Voa, minha linda Borboleta”, ele disse, se despedindo.  A Borboleta bateu suas asas, voou e desapareceu na distância.
Então, ao olhar de novo para si mesmo ele não se reconheceu. Já não era o Pássaro Encantado de penas coloridas. Transformara-se num Menino... Um Menino que não sabia voar. Um Menino que esperava a volta da Borboleta Encantada. Então ele voaria nas asas das estórias que ela haveria de lhe contar...

rubem alves 1Esta “estória” tem uma “história”. Trata-se da continuação da estória “A Menina e o Pássaro Encantado” (Edições Loyola) que escrevi para minha filha pequena, Raquel. Devia ser o ano de 1980. Eu iria fazer uma viagem longa para o exterior e ela chorava. Eu devia ter 46 anos, bastante cabelo preto e energia para conquistar o mundo. Os anos se passaram, minhas asas se cansaram e agora nem tenho energia e nem vontade de conquistar o mundo. Ainda tenho prazer em viajar mas as viagens freqüentemente me cansam. Não é cansaço físico. É um cansaço na alma, com aquele descrito no primeiro capítulo do livro de Eclesiastes. Quando todo mundo está viajando eu quero mesmo é ficar. Karl Jaspers dizia que não viajava porque na casa dele estavam todas as coisas dignas de serem conhecidas. Minha loucura ainda não chegou perto da dele. Mas o fato é que há, na minha casa, uma infinidade de coisas interessantíssimas que eu deveria gastar tempo em conhecer. Tantos poemas e contos que não li, tantos livros de arte, tantos CDs que ainda não ouvi... E há também Pocinhos do Rio Verde, meu mosteiro... Esse é o destino dos pais. Há um momento em que os filhos batem as asas e se vão. Os pássaros sabem disso e não reclamam.  Muitos pais e muitos avós tratam de fazer lugares deliciosos para seus filhos e netos passarem os fins de semana! Na viagem para Pocinhos do Rio Verde passo sempre  defronte a um “Sítio do Vovô”. Imagino o Vovô e a Vovó sozinhos na varanda do sítio, esperando os filhos e os netos que não vêm. Eles estarão provavelmente em algum clube ou praia... Há um momento na vida em que o destino dos pais é esperar...Os apaixonados são aqueles que esperam...

Publicado no Correio Popular 13/02/2005

Fonte: blog Educar Sem Violência _ Cida Alves

MENTIRA, COVARDIA E EGOÍSMO


MENTIRA, COVARDIA E EGOÍSMO

A pessoa MENTE porque é COVARDE e esta covardia se deve ao fato de seu EGOÍSMO fazer com que ela de alguma forma, se beneficie desta mentira, sem se importar com o mal que fará aos outros.

O indivíduo mente, acredita na própria mentira, finge-se de ofendido se questionado e quando não tem saída, tenta justificar o injustificável, atacando, arrumando pretextos, se fazendo de vítima ou mentindo mais ainda. 
Isso se chama DISSIMULAÇÃO, MALDADE E FALTA DE CARÁTER !!!!!
Os que agem desta forma, são justamente os que mais julgam o comportamento dos outros, esquecendo-se do seu próprio.

Não estamos falando da "mentirinha" usada para surpreender alguém ou para descontrair. Falamos da mentira que destroi, humilha e engana buscando vantagem, encobrindo a covardia ou  falta de caráter. Os mentirosos de plantão, que se julgam ótimos atores e que normalmente se gabam disso, constumam falar muito de "mentiras construtivas" ou "mentiras necessárias" para justificar seus atos. Não se esqueçam de que existe uma linha tênue separando o "necessário" daquilo que é CONVENIENTE.

Agnaldo Pila

Fonte: http://www.avt.com.br/mentira.htm