10 de jan. de 2013

Número de denúncias no Facebook cresce 264% em 2012, diz ONG


Entidade recebeu denúncias de 11.305 endereços do Facebook. Em 2011, 4.274 páginas da rede social foram denunciadas à ONG.

O número de denúncias de crimes e violações dos direitos humanos no Facebook cresceu 264,50% no Brasil entre 2011 e 2012, conforme dados da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (CND), divulgados pela ONG Safernet Brasil.
Páginas denunciadas por mês (2012)
MêsFacebookOrkut
Outubro1.5892.131
Novembro1.4221.804
Dezembro1.1511.039
Em 2012, 11.305 endereços hospedados no Facebook foram denunciados para a CND, um aumento de 264,50% em comparação ao ano anterior. A CND reúne informações de sete entidades que recebem denúncias on-line de crimes na internet, como a Polícia Federal e a Secretaria de Direitos Humanos (acesse aqui).


Segundo a Safernet, a maioria dos endereços denunciados (5.021) continha conteúdo racista. Em seguida aparecem pornografia infantil (1.969), apologia e incitação a crimes contra a vida (1.513), maus tratos contra os animais (697), homofobia (635), intolerância religiosa (494), xenofobia (376), tráfico de pessoas (233), neonazismo (186) e genocídio (181).



Em 2010, apenas 233 endereços do Facebook foram denunciados para a entidade. O número chegou a 4.274 URLs (páginas únicas) em 2011. Neste ano, o Facebook ficou em segundo lugar no número total de páginas denunciadas no Brasil, perdendo apenas para o Orkut, que lidera o ranking desde 2006.

Porém, o Facebook ultrapassou o Orkut no mês de dezembro. Conforme a Safernet, os dados do último trimestre de 2012 mostram que o Facebook deve assumir a liderança e se consolidar, em 2013, como a rede social com maior número de denúncias de crimes na internet brasileira.
A ONG está discutindo com os executivos do Facebook um acordo de cooperação para permitir que as páginas denunciadas sejam encaminhadas automaticamente para revisão pelo time de suporte e segurança da empresa.
Canal de orientação
A Safernet lançou, em julho do ano passado, o canal Helpline Brasil (acesse aqui), que orienta os usuários, por e-mail e chat, sobre os riscos da internet. Conforme a ONG, o canal realizou 824 atendimentos no segundo semestre de 2012, sendo 36% para crianças e adolescentes. No período, os sites do Helpline Brasil receberam 37.620 acessos de 71 municípios brasileiros.

A maioria dos usuários (24,5%) buscou orientação sobre ciberbullying. Já 6% dos pedidos de crianças e adolescentes foram sobre sexting. Apenas 10% das orientações foram destinadas aos pais. Segundo a Safernet, 80% dos relatos sobre encontros virtuais foram de meninas, e de cada cinco casos de suspeita de aliciamento sexual infantil, um envolve menino.

Disponível em: http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2013/01/numero-de-denuncias-no-facebook-cresce-264-em-2012-diz-ong.html fb_action_ids=3594256155039&fb_action_types=og.recommends&fb_source=timeline_og&action_object_map=%7B%223594256155039%22%3A536848419673393%7D&action_type_map=%7B%223594256155039%22%3A%22og.recommends%22%7D&action_ref_map=%5B%5D&code=AQAkrR5Oc-_ZD89rXbCD47-je1Z4aK7RSAiwlJYfgpHbvSVYe5YX5VBS442gflc7OAvEoKR8W3qY_WJ_Qsebch8CnQk6OqFFVFuRr4EmBork7CCtqr1BQtNlL92PKZuWi50JfoPD8vv4pSxtPHFLd5umu4o4Ub3uGgfeM86_zj-wCZhB37z0YU3whIM2QKKid46w4J8wfloum-8IhFvgb1D0#_=_. Acesso em: 10 jan. 2013

9 de jan. de 2013

"Brinque o carnaval sem brincar com os direitos das crianças e adolescentes"


Começou a mobilização para a #CampanhadeCarnaval de Proteção Integral de Crianças e Adolescentes. Conheça as peças e mais em:http://brincandocarnaval.blogspot.com.br/

Fonte: Facebook. faça bonito. 2013. 

7 de jan. de 2013

Violência Física: riscos e disfunções





Este artigo dedico a esclarecer pais e cuidadores sobre os riscos que o uso do disciplinamento corporal pode acarretar no desenvolvimento físico e mental das crianças. As informações expostas neste texto se dirigem a pais biológicos ou não que concebem a educação de seus filhos como um projeto de vida, de futuro e de contentamento.

Sabemos que educar um filho não é tarefa fácil – as dúvidas e os medos estão presentes em cada fase de seu desenvolvimento. Tenho a seguinte compreensão: são poucos os pais que receberam orientação e acompanhamento adequado para desenvolver a difícil tarefa de educar.
Como tudo que envolve as experiências humanas, a violência física contra crianças e adolescentes é fenômeno complexo – suas causas e usos possuem muitas origens. Para fins didáticos, dividirei em dois grupos diferentes os adultos que costumam usar as punições corporais. Os adultos do primeiro grupo utilizam as agressões físicas de forma aleatória: ocorrem, geralmente, pelo descontrole emocional, impulsividade ou algum transtorno mental associado. Nesse caso, a punição física não possui um objetivo disciplinar, mesmo que a argumentação consciente seja de melhor educar os filhos.

Este tipo de agressor é vulnerável tanto aos elementos internos (ansiedade, depressão, frustrações etc.) como externos (stressores) presentes em sua vida (álcool, drogas, conflitos conjugais ou de trabalho e dificuldades financeiras). A violência física utilizada por este tipo de agressor se manifesta de forma mais severa. São exemplos bastante comuns as seguintes formas de agressão: queimaduras por pontas de cigarro, por objetos aquecidos, como ferros de passar roupas e talheres incandescentes; os envenenamentos; ferimentos com objetos contundentes, traumatismos craniano fraturas ósseas e etc.

No segundo grupo estão os adultos que se utilizam de punições físicas com a finalidade disciplinar. A punição não costuma acontecer de modo aleatório. Ela ocorre quando se quer inibir ou eliminar um comportamento supostamente inadequado da criança ou do adolescente. Este tipo de disciplinamento é adotado por ser um modelo aprendido na família de origem, por crenças religiosas ou por desconhecer outras formas de se educar.

Controle – Porém, nos dois grupos de adultos os castigos físicos estão, geralmente, associados às necessidades de controle do comportamento do outro e ao sentimento de frustração (seja em relação a uma expectativa ou a um desejo). O adulto que usa as punições físicas em seus filhos está em certos momentos susceptíveis à irritabilidade e à impulsividade. Suas reações estão normalmente afetadas por sensações e sentimentos negativos. Excitação excessiva, ira, frustração e medo provocam reações no sistema nervoso autônomo. Com isso, uma forte descarga adrenérgica pode afetar o comportamento dos pais. A adrenalina é o hormônio das ações aceleradas.

É comum o relato de pais sobre a sua perda de controle no momento da agressão física. As pesquisas confirmam a freqüência deste descontrole. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, em 1993, demonstrou que entre as milhares de pessoas consultadas, um quarto delas admitiram que pelo menos uma vez perderam o controle ao castigar fisicamente seus filhos. Nas investigações de graves agressões físicas contra crianças e adolescentes muitos pais relatam que os incidentes começaram como “uma punição comum”.

A dificuldade em controlar as reações no momento que emergem conflitos e frustrações não é a única situação de vulnerabilidade presente ao aplicarmos castigos físicos, principalmente em crianças. A segunda vulnerabilidade representa a própria fragilidade corporal da criança. A força que o adulto avalia ser pequena pode não ser para as crianças. Por isso, bater em crianças é fisicamente perigoso. As chamadas punições mais leves podem, muitas vezes, causar sérios ferimentos. Sacudir bebês, por exemplo, pode levar a concussões, danos cerebrais e até mesmo causar a morte.

A terceira vulnerabilidade está na suposta confiança que os pais têm na eficiência da punição física como método disciplinar. Essa confiança impede os pais de verem as falhas que este modelo oferece. Assim, as punições que começam “levemente” podem evoluir para medidas mais severas. Diante da ineficiência desse método, a tendência dos pais é achar que a dose esta fraca, aumentando progressivamente a intensidade da agressão.

Independente da finalidade, das características individuais de quem utiliza a violência como método disciplinar e das vulnerabilidades presentes, a punição física traz danos para as crianças. Os riscos para o bom desenvolvimento das crianças não se restringem somente na intensidade do castigo, moderado ou imoderado. Os riscos estão presentes na proposta do método, que é provocar dor e sofrimento físico.

Nessa forma de disciplinamento há mensagens muito perigosas, em que se funde amor com dor, cólera e submissão: “eu te puno para o teu próprio bem, eu te machuco porque te amo”. A dupla mensagem que a punição física carrega pode levar ao desenvolvimento de disfunções preceptivas, transtornos adaptativos e comportamentos estereotipados na vida dos filhos.
Pesquisadores fazem o seguinte alerta: filhos de pais dominadores, coercitivos, explosivos e espancadores tendem a desenvolver uma reação complementar patológica. Ou tornam-se extremamente submissos, assustados, podendo desenvolver processos psicopatológicos graves como fobias, traços psicóticos e depressão. Ou caminham para outro extremo: rebelam-se, assumindo traços de delinqüência.

Vivência – No trabalho terapêutico encontrei muitas mulheres que sofriam com os atos de violência do marido ou parceiro sem conseguirem se proteger ou encontrar uma alternativa de mudança para o seu padrão de relacionamento conjugal. Essas mulheres tinham, em comum, uma história de violência anterior, praticada pela família de origem. Muitas expressavam em seu comportamento submisso uma adaptação estereotipada às condutas violentas (psicológica, sexual ou física) que sofriam de seus pais ou cuidadores quando meninas. Porém, o impressionante é que elas traziam subjacentes a dor e o medo, a crença de que quem pune ou castiga com violência é porque tem sentimentos verdadeiros, porque ama.

Pesquisas psicológicas têm demonstrado que quando há uma contradição entre teoria e prática: as crianças prestam mais atenção nas atitudes do que nas palavras. Esta pesquisa é muito evidente: é só fazer um teste: bata numa criança e simultaneamente diga por que bateu. Pergunte a essa criança agredida a razão pela qual sofreu violência. Questione-a sobre o que mais a marcou: o tapa o a mensagem? Isso se dá especialmente nos casos em que se deseja controlar um comportamento violento usando outro da mesma natureza. Diante dessas situações, é comum a criança demonstrar confusão em seus pensamentos: “como podem me amar e me ferir ao mesmo”, “como podem dizer para não batermos em outras pessoas se eles mesmos (os pais) batem”.

Outras pesquisas dão ênfase no fenômeno da aprendizagem social da violência. Ou seja: agressão gera agressão. Elas demonstram que crianças submetidas a punições físicas estão mais propensas a agir de forma agressiva com seus irmãos e colegas; a ter condutas anti-sociais na adolescência; a ser violentas quando adultas (em seus matrimônios ou com seus filhos), a cometer crimes violentos.

Consequências – Estudos comparativos, coordenados pelo psiquiatra da Escola de Medicina de Harvard, professor Martin H. Teicher, demonstraram que as conseqüências da violência física podem ir além das dificuldades afetivas e comportamentais. Suas pesquisas identificaram alterações na morfologia e fisiologia das estruturas cerebrais de pessoas que foram vítimas de maus-tratos em fases precoces de sua vida.

As alterações encontradas por Teicher eram manifestações de sintomas semelhantes aos portadores do quadro orgânico de Epilepsia do Lobo Temporal (ELT). Os sintomas encontrados em sua pesquisa foram anormalidades nas ondas cerebrais no eletroencefalograma, disfunções do sistema límbico, com alterações no tamanho das amígdalas e do hipocampo; diminuição da integração entre os hemisférios direito e esquerdo do cérebro, com a presença de um corpo caloso menor que o normal, e a anormalidade na vermis cerebral, com redução do fluxo sanguíneo.

Teicher argumenta que se os maus-tratos ocorrem durante a fase crítica da formação do cérebro, quando ele está sendo esculpido pela experiência com o meio externo, o impacto do estresse severo pode deixar marcas indeléveis na sua estrutura e função. Para ele, o abuso leva uma cascata de efeitos moleculares e neurofisilógicos, que alteram de forma irreversível o desenvolvimento neural.

O castigo físico agrega em si o risco de muitos danos emocionais e físicos. Porém, nenhum evento isolado é o único desencadeador de uma dificuldade psíquica, pois a violência se desenha diferente em cada grupo familiar. Como pais devemos ter muito cuidado ao escolher um método de disciplinamento. Temos que ponderar as evidências cumulativas de pesquisas e dados clínicos que apontam o seguinte: a) as punições corporais oferecem um modelo inadequado, por parte dos adultos, de lidar com situações de conflitos e frustração, que é o uso da força, da violência; b) a restrição imediata de um comportamento inadequado pelo uso da dor impede pais e filhos de conhecerem as origens das dificuldades e suas motivações, ficando mais difícil a real elaboração e superação dos mesmos; c) facilita o surgimento de desvio no comportamento, como esconder ou dissimular por medo da punição física; d) o comportamento desejado só ocorre na presença do agressor, pois o controle deste se dá por coação externa e não pela aceitação íntima da criança ou adolescente; e) aparecem dificuldades na aprendizagem e na internalização das regras e dos valores de certo e errado, pois elas vêm associadas a sentimentos e sensações negativas; f) aumentam as chances de aparecer dificuldades na aceitação da figura de autoridade.
Diversas pesquisas apontam pontos em comum em relação a crianças vítimas de abuso físico: esses atos podem desenvolver sérios problemas emocionais, como auto-conceito negativo e baixa auto-estima, comportamento agressivo, menor rendimento intelectual, dificuldades de relacionamento com outras crianças e adultos, e capacidade prejudicada de acreditar nos outros.
Um bom desenvolvimento exige que os pais ou cuidadores tenham a capacidade de exercer sua autoridade, com amor e disciplina. Porém, cabe a nós, educadores e profissionais da área da saúde mental, auxiliá-los a perceber em que base se sedimenta sua autoridade e disciplina.

Cida Alves é psicóloga (com formação em psicodrama terapêutico e em terapia de família e casal), especialista em atendimentos de pessoas em situação de violência, mestre em Educação pela UFG e ex-secretária municipal de saúde de Bela Vista de Goiás.

Fonte: Blog Educar sem violência. Cida Alves. Acesso em: 07 jan. 2013

5 de jan. de 2013

As vozes que pedem eco




"Dissestes que se tua voz tivesse força igual à imensa dor que sentes, 
teu grito acordaria não só a tua casa, mais a vizinhança inteira".

Há tempos - Legião Urbana


De todas as crianças e adolescentes que atendi, guardei fragmentos de esperança e beleza. Com seus olhos compridos em direção aos brinquedos da sala de terapia, elas perguntavam meio que num rasgo de liberdade:

_ “Posso brincar”?
_ “Posso gritar, mas gritar bem alto aqui na sala”?
_ “Não preciso falar daquilo agora, ou preciso”?

Na vontade expressa de brincar, de sonhar, de poder ir até o limite de sua voz, sem coerção; e no desejo de não falar, sempre, de sua ferida, um importante aprendizado ficou! Essas pequenas criaturas me conduziram como terapeuta a um caminho “sagrado”: o da infância. Nesse caminho percebi que a alegria, o prazer e o encantamento seriam potentes bálsamos para a dor. Mas percebi também, que teria que suportar, sem panos quentes, a visão, o cheiro e a cor da ferida. Teria que atravessar descalça o deserto de seus dramas.

No entanto, ao viajar pelos territórios inóspitos da criança sempre encontrava oásis de riqueza e força emocional. Nesses momentos, ficava com a sensação de que mais importante do que me levar ao reconhecimento das suas dores e aridez, as crianças queriam me mostrar o tamanho de sua força e também as vicissitudes que existiam em suas vidas. Elas lutavam para não falar só do abuso ou da violência sofrida, pois queriam que sua identidade e o seu relacionamento comigo não fosse construído somente com que estava desestruturado na sua vida e na de seus familiares. Elas queriam que as vissem “inteiras e não pela metade” (trecho da música comida da banda de rock Titãs). Lutavam como bravas por sua identidade e valorização.

No tumulto de suas pequenas vidas, sempre me surpreendia com seus ímpetos de saúde e crescimento. E como as crianças, às vezes, eu também devaneava. Tornava tudo exato, simples e dizia para mim mesma:

_ “Bem, a terapia está indo legal. Agora é só questão de tempo e paz. Logo suas feridas serão cicatrizadas”.

Como é doce a fantasia! Mas a realidade não se apresentava tão simples assim. A terapia era abandonada, os responsáveis se mudavam para longe. Disputas judiciais tencionavam a mãe, que logo se afastava alegando falta de condições para o transporte. Mães que não compareciam, pais, padrastos e tios que nunca, nunca eram encontrados. Depois de uma boa dose de realidade, o óbvio se apresentava com toda a sua dureza peculiar. Não era só da criança e de mim que o rumo de sua vida dependia.

Da mesma forma que as crianças foram impelidas a uma relação abusiva, pelos desejos e afetos inadequados do mundo adulto, dependerá deste mesmo mundo o resgate de sua infância e integridade.

Cabe, então, a todos nós adulto – sejamos pais, psicólogos, médicos, advogados, conselheiros, jornalista etc. – uma fração de desejo e de afeto que nos movimente num sentido de proteger e cuidar da infância. Não podemos permitir que “só o acaso estende os braços a quem procura abrigo e proteção” (Há tempos - Legião Urbana). Precisamos nos comprometer com o significado que a violência vai assumir na vida da criança. Precisamos interromper o ciclo da violência, prevenindo novos abusos.

Todas as crianças que atendi deixaram fortes marcas em mim. Com suas dissonantes vozes me fizeram um pedido:

_ Escute-me sem julgamentos;
_ Não me vejam aos pedaços;
_ Não roube de mim o resto da minha infância, da minha vida e do que sobrou de minha família;
_ Suportem o meu estridente grito;
_ Dê-me eco, voz;

Para que esses pedidos possam ser atendidos, precisamos nos afastar da idéia individualista de auto-suficiência profissional e nos aproximar da idéia de co-responsabilidade e co-dependência institucional. Um fenômeno tão complexo como o abuso sexual, seja ele praticado por familiares, conhecidos ou estranhos – não tem uma solução rápida e isolada. Uma intervenção com ações integradas entre vários segmentos sociais (educação, assistência social, saúde, conselhos tutelares, delegacias e juizados especiais, promotorias e organizações não governamentais) é fundamental.

Só uma rede de cuidado e proteção – de nós firmes e de fios flexíveis – garantirá uma real competência às instituições que tem como tarefa proteger e cuidar de crianças, adolescentes e mulheres que sofrem alguma forma de violência.

A proteção tem que ser integral, tem que envolver os familiares e a comunidade. Temos, assim, que assistir os familiares que estão envolvidos direta ou indiretamente, nos crimes sexuais. Eles também precisam de apoio e orientação.

A indignação diante da violência, que é extremante saudável para as crianças e também para a sociedade em geral, não pode se confundida com a parcialidade burra, que ofusca a complexidade da relação abusiva de caráter sexual. Nem tampouco a justiça e a responsabilização, que são essenciais no processo de enfrentamento da violência, ser confundida com um mero movimento de revide ou de vingança.


Cida Alves, psicóloga com formação em psicodrama terapêutico e em terapia de família e casal, especialista em atendimentos de pessoas em situação de violência, mestre e doutoranda pelo Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação/UFG.

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. Acesso em: 05 jan. 2013.


4 de jan. de 2013

A cada 24 horas, 360 crianças são vítimas de violência


Estatística coloca Brasil como um dos países mais violentos contra menores. Cerca de 11 mil agressões ocorrem por mês

da agência Brasil, de São Paulo

queimadura com garfo 2
Adolescente agitado, Lucas** fica tímido ao mostrar suas mãos. Em uma delas, há uma marca de infância. Mas não é uma marca que nasceu com ele. Ela surgiu quando uma pessoa da família utilizou um garfo quente para repreendê-lo e o queimou. “Até hoje eu tenho [a marca]. Nas costas também, mas lá acho que não tenho mais as marcas”, contou ele.
Lucas tem 13 anos. É filho adotivo e começou a apanhar “de cinta e de fio” da mãe e do cunhado depois que o pai morreu. Em vários desses momentos, fugiu para a casa de um amigo para se livrar das agressões.

“Tinha vezes em que eu dormia lá”, falou. “Se eu não lavasse a louça, eles [a mãe e um cunhado] me batiam. Se eu não acordasse na hora certa, eles me batiam. Aí eu fugi de casa e esse foi um dos motivos que me levaram ao abrigo”, disse o adolescente, um entre milhares de exemplos de vítimas de violência doméstica em todo o país.

Dados divulgados pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República mostraram que 77% das denúncias registradas por meio do Disque 100, entre janeiro e novembro deste ano, são relativas à violência contra crianças e adolescentes, o que corresponde a 120.344 casos relatados. Isso significa que, por mês, ocorreram 10.940 agressões, o que dá uma média de 364 denúncias por dia.

Já o Disque Denúncia 181, serviço criado em 2000 pelo Instituto São Paulo contra a Violência e pelo governo paulista, por meio da Secretaria de Segurança Pública, registrou 6.603 denúncias de maus-tratos contra crianças entre janeiro e outubro deste ano em todo o estado, o que dá uma média diária de 22 denúncias. O número é superior ao do mesmo período do ano passado, quando foram registradas 6.028 denúncias.

Para Ariel de Castro Alves, presidente da Fundação Criança e vice-presidente da Comissão Especial da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), é difícil deduzir, por esses números, se os casos de violência envolvendo crianças e adolescentes têm crescido ou se as pessoas estão denunciando mais. “É difícil medir se os casos estão aumentando. Na verdade, a sociedade está muito mais alerta e mais atuante diante de casos de abusos e de violência contra crianças e adolescentes. Isso é um fator muito positivo no país nos últimos anos. As pessoas estão denunciando mais, sendo menos coniventes e omissas”.

Espancamento

Nenhum dos dois serviços de denúncia contabiliza quantos desses casos registrados referem-se especificamente à violência doméstica. Mas sabe-se que o número é grande. “Hoje, temos muitas vítimas de violência doméstica. De maus-tratos e de espancamento”, disse Maria Aparecida Azevedo, que coordena as três casas de acolhimento da Fundação Criança, uma organização municipal focada na defesa e na garantia de direitos de crianças e adolescentes, que funciona em São Bernardo do Campo (SP).

“Os casos que chegam para nós são de abuso sexual, de criança negligenciada e abandonada e de criança queimada e espancada. Essa é a violência doméstica que está vindo para as casas de acolhimento”, explicou Maria Aparecida.

A violência doméstica pode gerar traumas para as crianças e os adolescentes, disse Alves. “Muitas vezes, elas [crianças e adolescentes] são vítimas daquelas pessoas em quem confiam, que entendem ser as pessoas que cuidam delas. Por isso, há dificuldade para assimilarem uma situação desse tipo. Esse é o trauma maior. A pessoa que tinha que proteger é a que acaba violando o direito dessas crianças e adolescentes. Isso gera um trauma, uma desconfiança permanente com relação aos adultos e dificuldade depois de convivência com outras pessoas. Isso pode, muitas vezes, gerar também prejuízo no desenvolvimento educacional”, disse.

drogas

Segundo Helen Vivili Santana Carmona, diretora técnica adjunta da Fundação Criança, grande parte dessa violência contra crianças e adolescentes tem como motivação principal o uso de álcool ou de drogas pelos pais. “Temos um índice grande de pais com problemas psiquiátricos e que fazem uso abusivo de álcool, que são geradores de violência”, explicou.

Outro fator que contribui para a violência doméstica contra crianças e adolescentes, disse Helen, é a ineficiência do Estado. “A violência doméstica é gerada por uma ineficiência do Estado. A falta dessa rede de atendimento e de serviços, que contemple a necessidade da família, faz com que essa violência esteja aí, latente, nas famílias mais vulneráveis”, acrescentou.

Pela ineficiência do Estado, esclareceu Helen, entende-se a falta de uma política habitacional adequada, falta de políticas envolvendo a empregabilidade e também questões nas áreas de saúde, educação e até atendimento psicológico precário ou inexistente.

“Essas famílias têm essa dificuldade financeira e isso acaba gerando outros tipos de violência. A questão financeira é geradora das demais violências. Já tivemos relatos de mães que tiveram seus filhos acolhidos por conta da questão financeira e que acabaram agredindo o filho porque ele pediu comida”, conta Helen. “O Estado precisa olhar para essas questões”.

Impunidade

Alves citou outro motivador da violência doméstica. “O que estimula a violência é também a impunidade”, disse. Para ele, todos os órgãos que trabalham com a questão envolvendo a defesa dos direitos da criança e do adolescente, “desde a denúncia no Disque 100 [federal] ou no 181 [estadual], passando pelo Conselho Tutelar, pelas delegacias, pelas promotorias ou varas especializadas” precisam funcionar e atuar de forma integrada para combater a impunidade. Também é necessário, destacou, criar, ampliar ou melhorar as redes de proteção social de atendimento familiar para prevenir os casos de violência. A ideia seria, na sua opinião, educar os pais para que possam educar seus filhos.

Lucas vive há cerca de um ano em um dos abrigos em São Bernardo do Campo. Lá, ele e a família passam por acompanhamento psicológico, educacional e social. Alguns dos fins de semana Lucas passa com a família. “Agora eu não apanho mais”, contou. A ideia do programa desenvolvido na Fundação Criança é que Lucas volte a viver com a família, agora mais preparada para educá-lo. “A nossa proposta é a de reintegração familiar”, acrescentou Helen Santana.

Fonte: DM.com.br/cidades

Enviado por Magno Medeiros, doutor em comunicação e diretor da faculdade de comunicação social da Universidade Federal de Goiás, em 30 de dezembro de 2012.

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 04 jan. 2013

3 de jan. de 2013

Denúncias de violação dos direitos humanos cresce 77% em 2012



O número de denúncias de violações de direitos humanos, feitas por meio do Disque 100, alcançou 155.336 de janeiro a novembro de 2012. Os registros representam aumento de 77% em relação ao mesmo período de 2011. Ao todo, considerando também as ligações com pedidos de orientações e de informações, foram feitos, de janeiro a novembro de 2012, 234.839 atendimentos.
De acordo com a Secretaria de Direitos Humanos, o incremento não significa, necessariamente, aumento dos casos de violência no país, mas indica que as violações de direitos humanos “não ficam mais invisíveis”.
Desde maio de 2003, quando o serviço passou a ser operacionalizado pelo governo federal, o Disque 100 recebeu e encaminhou 396.693 denúncias em todo o país.

Sobre o Disque 100 – É um serviço de proteção de crianças e adolescentes com foco em violência sexual, vinculado ao Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes.
O serviço atua em três níveis:
- ouve, orienta e registra a denúncia;
- encaminha a denúncia para a rede de proteção e responsabilização;
- monitora as providências adotadas para informar a pessoa denunciante sobre o que ocorreu com a denúncia.
O Disque 100 funciona diariamente, das 8h às 22h, inclusive nos fins de semana e feriados. As denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização, de acordo com a competência e as atribuições específicas, priorizando o Conselho Tutelar como porta de entrada, no prazo de 24 horas, mantendo em sigilo a identidade da pessoa denunciante. Pode ser acessado por meio dos seguintes canais:
· discagem direta e gratuita do número 100;
· envio de mensagem para o e-mail disquedenuncia@sdh.gov.br;
· pornografia na internet por meio do portal www.disque100.gov.br
· ligação internacional. Fora do Brasil por meio do número +55 61 3212.8400
*Com informações da Agência Brasil.
Disponível em: http://www.childhood.org.br/denuncias-de-violacao-dos-direitos-humanos-cresce-77-em-2012. Acesso em: 03 jan. 2013

1 de jan. de 2013

Uma criança nasceu!



Mães Notáveis

"Cada vez que nasce uma criança há uma possibilidade de adiamento. Cada criança é um novo ser, um profeta em potencial, um novo príncipe espiritual, uma nova centelha de luz que se precipita na escuridão. Quem somos nós para decidir que não há mais esperança?"
Ronald Laing


Em sintonia com o pensamento de Ronald Laing, acredito que cada vez que humilhamos, ferimos e matamos uma criança, estamos de fato usurpando da humanidade a esperança.

Fonte: Blog Educar Sem Violência. Cida Alves. 01 jan. 2013 (acesso)