29 de fev de 2012

Medicalização de crianças transforma modo de ser em doença


Medicalização de crianças transforma modo de ser em doença

Crianças ativas
Doenças inventadas

O Brasil vive uma epidemia de diagnóstico de transtorno de déficit de atenção, hiperatividade, transtorno de oposição desafiadora, depressão, dislexia e autismo emcrianças e adolescentes.

Entre 5% e 17% de crianças encaminhadas para serviços de especialidades médicas recebem uma receita com medicações extremamente perigosas, como psicoestimulantes, antidepressivos e antipsicóticos.

O remédio tomou conta do processo de educação e atribuiu ao organismo da criança a responsabilidade pelo aprendizado.
Foi isto o que mais de 1.200 profissionais da área da saúde e educadores ouviram em duas sessões realizadas no auditório da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Medicalização do modo de ser

Segundo o pediatra Ricardo Caraffa, as crianças acabam sendo diagnosticadas muito rapidamente e de forma errônea sem receber nenhum outro tipo de atenção e análise.

Num esforço de reverter esse quadro, foi realizado em São Paulo, no mês de novembro, um fórum sobre o tema.

Cerca de 450 participantes de 27 entidades assinaram um manifesto no qual afirmam que a aprendizagem e os modos de ser e agir têm sido alvos da medicalização, transformando as crianças em consumidores de tratamentos, medicamentos e terapias.

"A venda de medicamentos à base de metilfenidato aumentou 1.000 por cento nos últimos anos. São dois milhões de caixas por ano. Esse número é muito expressivo", explicou Caraffa.

Diferenças pessoais, não doenças

Para a pediatra, professora e pesquisadora da Unicamp, Maria Aparecida Affonso Moysés, existem doenças e problemas de saúde que podem interferir com o desenvolvimento cognitivo e afetivo das pessoas.

Existem pessoas que aprendem com mais facilidade que outras e existem pessoas tranquilas, calmas, apáticas, agitadas, empolgadas e mais agressivas.
E entre os extremos há infinitas possibilidades.

Ainda segundo Moysés, existem diferentes modos de aprender e lidar com que já foi aprendido e cada um estabelece os seus próprios processos cognitivos e mentais para aprender.

"Cada ser humano é diferente do outro. Quais são as evidências científicas que comprovam que doenças biológicas e psiquiatras comprometem exclusivamente a aprendizagem?", questionou a pesquisadora que desenvolve um trabalho juntamente com Cecília Colares, da Faculdade de Educação, sobre déficit de atenção.

Retrocesso

Para a psicóloga da USP Marilene Proença Souza, a criança brinca, faz birra, chora e tenta impor sua vontade.

Mas, hoje em dia, quando ela corre um pouco mais é dita como hiperativa, se fala muito é rotulada de desatenta, e se troca letras no processo de alfabetização - o que é esperado - dizem que ela tem dislexia.

Segundo Marilene, ao diagnosticar a criança com algum distúrbio, a sociedade está deixando de considerar todo o processo de escolarização que produz o não-aprender e o não-comportar-se em sala de aula.

"Do ponto de vista da psicologia da educação, estamos vivendo um retrocesso. Estamos culpando a criança por não aprender e medicando-a. O remédio não pode ocupar o lugar da escola e da família. Se assim for, estamos invertendo valores do campo da saúde, da educação e da psicologia com relação ao desenvolvimento infantil e deixando de usar todos os instrumentos pedagógicos no início do processo de alfabetização", disse Marilene.

Fonte: Diário da Saúde em 16 de junho de 2011.

Colaboração: Avimar Junior, mestre em educação pelo Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação – UFG e doutorando em Psicologia Social na instituição de ensino Universidade Federal da Bahia.

26 de fev de 2012

Família se une contra o câncer em Campina do Monte Alegre, SP


Família se une contra o câncer em Campina do Monte Alegre, SP


Pai e filho raspam as cabeças em solidariedade à mãe que está doente.
A dona de casa está passando por quimioterapia em São Paulo.

Márcio PissócaroDo G1 Itapetininga e Região

Família raspa a cabeça em solidariedade a paciente com câncer (Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal)Marido e filho de Ana Rita raspam a cabeça em solidariedade a ela que faz tratamento contra o câncer de mama. (Foto: Divulgação / Arquivo Pessoal)

Filho e marido de uma paciente de câncer de mama em Campina do Monte Alegre, no interior de São Paulo, resolveram raspar a cabeça em solidariedade a mulher que faz tratamento contra a doença.
A dona de casa, Ana Rita Gomes Limão, faz sessões de quimioterapia em um hospital público em São Paulo. No processo, ela perdeu o cabelo. Ana conta que ao perceber a queda passou por momento de depressão. "Quando eu comecei a perder os cabelos, parece que a minha autoestima como mulher acabou".
Vendo o estado emocional da mãe, o filho decidiu que iria raspar a cabeça e convidou o pai. “Fiz isso para mostrar para a minha mãe que estou junto dela contra essa doença”, fala o menino.
Ana soube que estava com câncer em agosto de 2011, após uma consulta de rotina que vez ao médico. “Quando fazia o autoexame em casa, mas nunca senti o caroço. Já na consulta de rotina, meu médico fez o exame completo e percebeu que eu estava com um tumor”, recordar ela.
Logo após a constatação, a mulher começou o tratamento. “Ainda bem que foi pego no começo da doença e assim as chances de cura são de 95%”, fala ela.
Ana Rita afirma que superou a doença, e foi com a ajuda do filho e do marido que encontrou força para seguir o tratamento. “Posso já dizer que estou curada e isso graças a Deus e a minha família”, diz.

 Fonte: G1 - http://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/noticia/2012/02/familia-se-une-contra-o-cancer-em-campina-do-monte-alegre-sp.html. Acesso em: 26 fev. 2012.

24 de fev de 2012

Vídeo mostra detentos sendo torturados em Aracruz, diz Tribunal de Justiça do Espírito Santo


Vídeo mostra detentos sendo torturados em Aracruz, diz Tribunal de Justiça do Espírito Santo

torturaaracruz
Uma denúncia de tortura e maus-tratos a internos do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Aracruz, no Norte do estado, foi encaminhada ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES) no mês de fevereiro.
Em vídeos realizados por um agente penitenciário do local, e divulgados nesta quinta-feira (23), vários detentos são colocados em filas, ficam nus e realizam exercícios físicos solicitados por funcionários.

Imagens
Nos mais de 40 minutos de vídeos divulgados pelo Tribunal de Justiça, diversos detentos são colocados em filas, ficam nus, realizam exercícios físicos solicitados por agentes, além de realizarem uma série de agachamentos. Os agentes intimidam os presos durante as ações com xingamentos e palavras de ordem. "Vocês vão ficar aí até atingirem a perfeição desse procedimento", diz um dos agentes penitenciários no vídeo.
Mesmo sem a presença de agressões físicas nos vídeos, o desembargador William Silva afirmou que a tortura é psicológica. "Este é o pior tipo de tortura. Só se identifica com ressonância. Agressão é fácil de saber, psicológica não", comentou.

Acesse a reportagem compela e o vídeo AQUI.

Em Goiás a Pastoral Carcerária denuncia: Condenado por tortura de presos assume direção de presídio em Goiás.


Acesse a denúncia da PastoraL Carcerária AQUI

Fonte: Blog Educar Sem Violência - Cida Alves 

22 de fev de 2012

Os moradores de rua e o lado selvagem de Goiânia


Os moradores de rua e o lado selvagem de Goiânia

Car@ amig@,


As postagens de domingo do blog Educar Sem Violência normalmente são dedicadas ao belo, ao bom e ao justo. Nelas busco ressaltar os atos e os sentimentos que inspiram, encantam, enobrecem e transcendem a nossa condição humana.

Todavia, nesse domingo, o que quero é expressar a minha indignação, sem alívios ou disfarces ante a violência que a população de rua vem sofrendo em Goiânia. Frente a essa barbárie não posso acomodar o meu espírito em sedutoras e doces amenidades.
Hoje, em pleno carnaval, não anseio o frenesi dos ritmos dos tambores, nem tampouco o torpor anestesiante das águas geladas de uma cachoeira qualquer.

Nesse domingo, por intermédio de palavras e imagens, quero mais é me compadecer com a dor cortante de quem já está desprovido de todos os direitos: sem casa, sem família, sem trabalho, sem alimento, sem calor, sem aconchego..... sem quase tudo!!!

E como se não bastasse tamanha falta, agora em nome de um ideal fascista de higienização da cidade querem levar o que lhes restam: o minguado direito de ir, vir e ficar em um canto largado e sujo qualquer.

Selvagem
A polícia apresenta suas armas
Escudos transparentes, cassetetes
Capacetes reluzentes
E a determinação de manter tudo
Em seu lugar
O governo apresenta suas armas
Discurso reticente, novidade inconsistente
E a liberdade cai por terra
Aos pés de um filme de Godard
A cidade apresenta suas armas
Meninos nos sinais, mendigos pelos cantos
E o espanto está nos olhos de quem vê
O grande monstro a se criar
Os negros apresentam suas armas
As costas marcadas, as mãos calejadas
E a esperteza que só tem quem tá
Cansado de apanhar
Os Paralamas do Sucesso

Veja as notícias sobre a Operação Salus


Operação Salus encaminha 120 indivíduos em situação de rua

Operação Salus: resultados não agradam

Goiânia é a 40° cidade mais violenta do mundo

E lá em São Paulo o Coronel que liderou o massacre do Pinheirinho é condecoradopela PM tucana.


Coronel do Pinheirinho foi condecorado

Fonte: Blog Educar Sem violência - Cida Alves

15 de fev de 2012

Pesquisas desenvolvidas ao longo dos últimos vinte anos concluem: pais que batem no filho causam danos ao desenvolvimento da criança


Pesquisas desenvolvidas ao longo dos últimos vinte anos concluem: pais que batem no filho causam danos ao desenvolvimento da criança


UniversityOfManitobaAdministrationBuilding
A revisão de pesquisas coordenada por Joan Durrant, da Universidade de Manitoba no Canadá, indicam que nenhum tipo de efeito duradouro positivo pode surgir a partir da punição física. 

por Ana Cláudia Xavier

De acordo com uma revisão de pesquisas desenvolvidas ao longo dos últimos vinte anos, pais que batem em seu filho podem estar causando efeitos duradouros e nocivos ao desenvolvimento da criança.


De acordo com a literatura médica analisada, pesquisadores encontraram ligações entre castigos físicos “usuais” (como a surra administrada após a criança ter feito algo errado) e níveis mais altos de abuso infantil. Os estudos indicam também que nenhum tipo de efeito duradouro positivo pode surgir a partir desse tipo de punição.

“Eu acho que é importante que os pais entendam que apesar de que o castigo físico possa fazer com que a criança faça algo na situação imediata, existem muitos efeitos colaterais que podem se desenvolver a logo prazo”, explica a coautora da revisão, Joan Durrant, da Universidade de Manitoba no Canadá. “Por exemplo, o quanto mais frequentemente uma criança ver um pai respondendo a conflitos ou frustração com tapas ou surras, o mais provável é que essa criança fará o mesmo quando confrontar os seus próprios conflitos”, completa.
University of Manitoba


A revisão foi publicada no periódico Canadian Medical Association Journal.

Fonte: Blog de Boa Saúde, em 7 de fevereiro de 2012.

Colaboração de Mércia Gomes Carvalho, fisioterapeuta e consultora do Departamento de Redes de Atenção do Ministério da Saúde.


13 de fev de 2012

Companhia de Sapateado Irlandês e sua homenagem à cultura celta



Companhia de Sapateado Irlandês e sua homenagem à cultura celta


Dedico essa postagem de domingo as minhas filhas de sangue, de leite e de coração, que os ideais das mulheres celtas lhes inspirem sempre.




Mulheres Celtas

As mulheres de origem celta eram criadas tão livremente como os homens, a elas era dado o direito de escolherem seus parceiros e nunca poderiam ser forçadas a uma relação que não queriam. Eram ensinadas a trabalhar para que pudessem garantir seu sustento, bem como eram excelentes amantes, donas de casas e mães.

A primeira lição era:
“Ama teu homem e o segue, mas somente se ambos representarem um para o outro o que a Deusa Mãe ensinou: Amor, companheirismo e amizade.

Jamais permita...

Jamais permita que algum homem a escravize: você nasceu livre para amar e não para ser escrava.

Jamais permita que o seu coração sofra em nome do amor.

Amar é um ato de felicidade, por que sofrer?
Jamais permita que seus olhos derramem
lágrimas por alguém
que nunca fará você sorrir!

Jamais permita que o uso de seu
próprio corpo seja cerceado.
Saiba que o corpo é a moradia do espírito,
por que mantê-lo aprisionado?

Jamais se permita ficar horas esperando por alguém
que nunca virá, mesmo tendo prometido!

Jamais permita que o seu nome seja pronunciado
em vão por um homem cujo nome você sequer sabe!

Jamais permita que o seu tempo seja desperdiçado com alguém que nunca terá tempo para você!

Jamais permita ouvir gritos em seus ouvidos.
O amor é o único que pode falar mais alto.

Jamais permita que outros sonhos
se misturem aos seus, fazendo-os virar um grande pesadelo!

Jamais acredite que alguém possa voltar
quando nunca esteve presente!

Jamais permita viver na dependência
de um homem como se
você tivesse nascida inválida!

Jamais se ponha linda e maravilhosa
a fim de esperar por um homem
que não tenha olhos para admira-la!

Jamais permita que seus pés caminhem
em direção a um homem que só vive fugindo de você!

Jamais permita que a dor, a tristeza,
a solidão, o ódio, o ressentimento,
o ciúme, o remorso e tudo aquilo
que possa tirar brilho dos seus olhos,
a dominem, fazendo arrefecer
a força que existe dentro de você!
E, sobre tudo, jamais permita
que você mesma perca a
dignidade de ser mulher!!!
 
Um pouco mais da beleza e da harmonia da Companhia de Sapateado Irlandês






Fonte: Blog Educar Sem Violência - Cida Alves - http://toleranciaecontentamento.blogspot.com/

3 de fev de 2012

Estudante é espancado por cinco jovens ao defender mendigo que estava sendo agredido em praça na Ilha do Governador

A tentativa de evitar uma covardia contra um morador de rua que estava passando mal e era agredido por cinco jovens quase terminou em tragédia para o estudante de Desenho Industrial Vítor Suarez Cunha, de 21 anos, na madrugada de ontem. Ao tentar proteger o homem, que estava sendo chutado pelos agressores, na Praça Jerusalém, no bairro Jardim Guanabara, Ilha do Governador, o estudante foi espancado quase até a morte. Ele está internado com diversas fraturas na face em uma clínica particular.


Vítor conversava na Praia da Bica com o estudante Kléber Carlos Silva, de 20 anos e uma outra amiga, quando percebeu que cinco rapazes começavam a chutar um morador de rua no centro da praça. O episódio aconteceu por volta de 1h. Esse mesmo homem, segundo ele, já havia sido atendido por uma ambulância do Samu às 22h, no mesmo local onde houve a agressão.

Ao se aproximar de um dos agressores, pedindo que ele parasse, foi hostilizado, dando início à confusão. Vítor contou que, depois disso, começou a levar chutes e socos no rosto, quando caiu no chão. O estudante disse que só não sofreu danos maiores porque Kléber se jogou sobre ele no momento em que era agredido.

— Eu ainda reconheci um deles, e disse que a gente estava sempre por lá. Disse que era uma covardia o que eles estavam fazendo. Ainda tentei defender meu rosto com o braço. Até que acabei desacordando — contou.

Testemunhas

Vítor sofreu diversas fraturas na face e terá que ser submetido a uma cirurgia. Ao prestar depoimento na 37ª DP (Ilha do Governador), o amigo do estudante reconheceu dois dos agressores, revelando seus nomes aos policiais. Os cinco seriam de classe média.

Os dois suspeitos foram ouvidos ontem mesmo na delegacia. Eles negaram as agressões ao morador de rua, mas um deles admitiu que se envolveu em uma briga com Vítor. O delegado Deoclécio Francisco de Assis Filho disse que um terceiro agressor também foi identificado e dever ser ouvido nas próximas horas. Outras testemunhas estão sendo localizadas ouvidas.

Para amigo, cenas absurdas e inesquecíveis

"Eu não consigo esquecer aquela cena. Aquilo não sai da minha cabeça de jeito nenhum. Pareciam urubus em cima de uma carne podre". Kleber Carlos Silva de Souza viu, durante cinco minutos, o amigo Vítor sendo espancado por cinco jovens, enquanto um sexto impedia que ele se aproximasse muito. Momentos que ele descreve como totalmente absurdos e inesquecíveis .

— Meu amigo foi agredido sem piedade na minha frente. E eu ainda me sinto culpado, pensando se não poderia ter feito algo mais — lamentou.

Foi de Kleber a iniciativa de conversar com um dos supostos agressores de Vitor para pedir que ele e os amigos parassem de chutar um mendigo que estava alcolizado e passava mal no local. Como resposta do jovem, ele ouviu que, no dia seguinte, o pai dele iria caminhar pela praia e certamente não ia querer se deparar com o morador de rua.

— O que ele disse foi inacreditável. Tentei resolver apenas com palavras, e acabou se transformando em algo incontrolável. Já não gosto de ver eles (moradores de rua) sofrendo, vivendo na rua, ainda mais apanhando de pessoas que têm um vida muito mais favorável — contou Kleber.

Mãe de vítima diz que briga são frequentes

Trabalhando como assistente social, a mãe do estudante, Regina Celi Suarez, de 50 anos, disse que sempre ensinou seus filhos a tratarem bem a população de rua porque, segundo ela, os mesmos não são culpados por estarem vivendo naquela situação.

— Meu ensinamento acabou fazendo com que meu filho, ao tentar se fazer de justiceiro, fosse espancado brutalmente — lamentou.

Regina mora desde que nasceu na Ilha do Governador e disse que são frequentes confusões envolvendo jovens no bairro Jardim Guanabara, onde fica sua casa.





Fonte: http://extra.globo.com/casos-de-policia/estudante-espancado-por-cinco-jovens-ao-defender-mendigo-que-estava-sendo-agredido-em-praca-na-ilha-do-governador-3863854.html#ixzz1lKWPUBwS