29 de mai de 2013

Crianças transgêneros desafiam leis e políticas escolares nos EUA

Desde a pré-escola, escolas tentam se adaptar para incluir todos os alunos.
Em 2012, mudar de identidade de gênero deixou de ser 'doença' no país.

Ryan faz acrobacias com suas amigas no recreio do colégio, num subúrbio de Chicago; nascida menino, ela se identifica como menina desde os primeiros anos de vida (Foto: AP Photo/M. Spencer Green)Ryan faz acrobacias com suas amigas no recreio do colégio, num subúrbio de Chicago; nascida menino, ela se identifica como menina desde os primeiros anos de vida (Foto: AP Photo/M. Spencer Green)


Para incluir e tratar igualmente todos os alunos e alunas, inclusive os que se identificam com gêneros diferentes aos seus biológicos, escolas dos Estados Unidos estão aprendendo empiricamente a se adaptar a uma realidade longe do branco e preto que definem que roupas, brinquedos e atitudes são de meninos ou de meninas. O assunto foi tema de longa reportagem da agência de notícias Associated Press. O G1 publica abaixo um resumo com os principais trechos da reportagem da AP:
A presença de crianças e adolescentes que adotam outra identidade de gênero é pequena nas escolas, mas tem crescido. No distrito escolar da cidade de São Francisco, por exemplo, o gerente de programas de saúde escolar Kevin Gogin afirmou à reportagem que, de acordo com uma pesquisa com os estudantes, 1,6% dos alunos de ensino médio e 1% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental se identificavam como transgênero ou variante de gênero.
As crianças dos anos iniciais não foram incluídas na pesquisa, mas Gogin disse à AP que o distrito já havia identificado alunos e alunas nesta situação nestes anos.
Com Ryan, que hoje cursa o quarto ano do fundamental em um subúrbio da cidade americana de Chicago, a adoção de outro gênero aconteceu ainda mais cedo. Desde os dois anos de idade, ela mostrava atração pela cor rosa e usava as calças do pijama para improsivar uma peruca de cabelos compridos. Na época, ela foi diagnosticada com desordem de identidade de gênero, e os pais começaram a incentivar atividades e objetos típicos de meninos. Quando a estratégia não deu certo, passaram a proibir qualquer menção ou brincadeira tipicamente feminina. Ao perceberem que o efeito da repressão não seria benéfico, decidiram aceitar as escolhas da filha.
Desde 2012, a "desordem de identidade de gênero" foi removida da lista de doenças de saúde mental, e outros pais de crianças que não se encaixam no padrão polarizado de meninos e meninas recebem o apoio de médicos e especialistas que não enxergam mais esse fenômeno como algo a ser consertado.
Para alguns deles, a evolução da percepção sobre pessoas transgênero (em suas várias formas, desde que quem se identifica com o gênero oposto até quem se considera parte homem e parte mulher) vai evoluir da mesma forma como a visão a respeito da homossexualidade, que há cerca de 40 anos deixou de ser considerada uma doença mental.
Nosso compromisso é que nossos filhos estejam em um ambiente acolhedor e amoroso, e se alguém não concorda com isso, então não vai estar por perto"
Chris, pai de Ryan,
garoto que se identifica como menina
Contra o bullying na escola e na família
Ainda no jardim de infância, ela decidiu, com o apoio dos pais, abandonar a rotina de vestir roupas de menino na escola e trocá-las, assim que chegava em casa, por saias e uma blusa combinando. No primeiro dia da mudança, a mãe dela, Sabrina, foi à sala de aula explicar aos coleguinhas que Ryan gostava de se vestir como menina e fazer coisas de menina.

Algumas crianças contaram suas próprias histórias que quando vestiram roupas indicadas a outros gêneros por motivos variados, e o grupo superou a notícia. As crianças do ensino fundamental, porém, começaram a perseguir Ryan na hora do recreio. Para evitar aborrecimentos, a diretoria da escola garantiu a aplicação da política de intolerância ao bullying.
O processo, porém, não foi totalmente fácil, segundo contou a mãe da criança, Sabrina, à reportagem da AP. Antes da escola, Ryan começou a vestir roupas convencionalmente atribuídas a meninas em parques, no bairro e com a família.
Algumas pessoas não aceitaram a mudança, criticaram o apoio dos pais por acharem Ryan nova demais para saber o que queria, ou simplesmente pararam de reconhecer a criança. "Era como se ela não existisse mais", disse a mãe. A posição dela e do pai foi, além de mudar de bairro e buscar uma escola que parecesse mais aberta, enfrentar o problema de frente e com uma posição clara: eles reuniram os parentes e lhes informaram que estariam do lado da criança.
"Nosso compromisso é que nossos filhos estejam em um ambiente acolhedor e amoroso, e se alguém não concorda com isso, então não vai estar por perto", explicou o pai de Ryan, Chris.
Ryan, Scott Morrisson, Eli Erlick e Coy Mathis; alunos e alunas transgêneros nos EUA (Foto: AP Photo/M. Spencer Green/Don Ryan/Rich Pedroncelli/Brennan Linsley)
Ryan, Scott Morrisson, Eli Erlick e Coy Mathis; aluno
e alunas transgêneros nos EUA (Fotos: AP Photo/
M. Spencer Green/Don Ryan/Rich Pedroncelli/
Brennan Linsley)
A tolerância na prática
"Por uma margem grande, a maioria dos educadores quer fazer a coisa certa e quer saber como tratar todas as suas crianças igualmente", afirmou à reportagem da AP Michael Silverman, diretor-executivo do Fundo de Defesa Legal e Educação Transgênero da cidade de Nova York. Segundo ele, atualmente 16 estados americanos e o Distrito de Columbia (capital dos EUA) já contam com leis que garantem os direitos de pessoas transgêneros. Mas, mesmo nos estados que não contam com essa legislação, os distritos escolares estão geralmente abertos à orientação para a diversidade.

O problema, porém, é que as práticas de aceitação e tolerância à diversidade ainda não são muito difundidas. Entre as perguntas mais comuns estão a definição de qual banheiro a criança vai usar, onde ela vai se trocar para a aula de educação física e que pronome os professores e colegas devem usar para chamar a criança transgênero.
Dados recentes mostram que a falta de informação e socialização entre os estudantes transgêneros podem ter resultados alarmantes.
Um pesquisa nacional feita em 2010, feita em conjunto entre o Centro Nacional pela Igualdade Transgênero e pela Força Tarefa Gay e Lésbica Nacional, mostrou que 41% das pessoas transgêneros entrevistadas no país admitiram que já tentaram cometer suicídio. Mais da metade (51%) delas afirmou que sofreu bullying, assédio, agressão ou expulsão da escola por serem transgêneros.
Scott Morrison, que mora no estado de Oregon há três anos, e há dois fez a transição de menina para menino, afirma que o apoio da família, dos amigos e de sua nova escola, inclusive da ajuda de um conselheiro escolas, fez toda a diferença no processo, inclusive evitando que ele considerasse tirar a própria vida.
"A identidade de gênero é provavelmente a parte mais importante de mim, é a descoberta mais importante que fiz sobre mim mesmo", disse o formando do ensino médio à AP.
Para Eli Erlick, uma aluna transgênero que vai terminar o ensino médio neste ano em Willits, uma pequena cidade no norte da Califórnia, a transição de menino para menina começou aos 8 anos. Na época, há cerca de dez anos, a sensação que ela descreveu à agência era de ser "a única pessoa desse jeito". Além de ser ridicularizada em público pelos próprios professores, a aluna não tinha permissão para usar o banheiro das meninas. Para contornar o problema, ela fingia alguma doença para poder ser liberada e usar o banheiro de casa.
Em geral, porém, ela afirma ter notado uma mudança geral nas atitudes em relação às diferenças entre identidades de gênero. Hoje, Eli coordena uma organização que treina e orienta escolas a lidar com pessoas como ela, além de ter ajudado seu próprio distrito escolar, além de outros na Califórnia, a definir políticas sobre o tema.
A inclusão escolar na Justiça
Ainda que haja mais conscientização, nem todas as relações entre alunos transgêneros e suas escolas são pacíficas, e algumas já foram parar na Justiça. Michael Silverman, de Nova York, representa a família de Coy Mathis, uma garota transgênero de seis anos do estado de Colorado.

O motivo do processo foi o fato de a escola ter definido que a criança seria obrigada a usar um banheiro separado das demais meninas.
"Se fosse só um banheiro, então a opção neutra estaria bem. Mas é sobre realmente ser aceita", disse a mãe de Coy, Kathryn Mathis. "O que acontece agora é que eles te chamam de garota, mas você não é realmente uma garota, então não te deixam agir como uma. E isso faz um estrago incrível."
Essas crianças estão começando a ter uma voz, e acho que isso é o que tem feito as coisas interessantes e desafiadoras --e difíceis, às vezes--, dependendo da família, da criança ou da escola"
Roberto Garofalo,
Hospital Infantil Lurie, de Chicago
A reportagem da Associated Press procurou a escola de Coy, mas ela não se pronunciou.
Os precedentes abertos nos últimos anos e a evolução da posição de especialistas sobre a condição de pessoas transgêneros têm feito com que as crianças e adolescentes que se identificam com um gênero diferente do biológico possam viver mais abertamente e com maior apoio.
"Essas crianças estão começando a ter uma voz, e acho que isso é o que tem feito as coisas interessantes e desafiadoras --e difíceis, às vezes--, dependendo da família, da criança ou da escola", afirmou à AP Roberto Garofalo, diretor do Centro de Gênero, Sexualidade e Prevenção de HIV do Hospital Infantil Lurie, de Chicago.
No caso de Ryan, sua integração escolar tem tido, até agora, poucas consequências negativas. Uma de suas colegas do quarto ano do fundamental resumiu tudo com uma frase: "A maioria das pessoas esqueceu que um dia ela já foi um menino", disse a garota.
Fonte: G1, São Paulo (SP) 2013. Disponível em: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/05/criancas-transgeneros-desafiam-leis-e-politicas-escolares-nos-eua.html. Acesso em: 29 maio 2013.

26 de mai de 2013

“…você é a sua criação mais valiosa”.


Angel de Català Roca
Se um dia alguém fizer com que se quebre
a visão bonita que você tem de si,
com muita paciência e amor reconstrua-a.
Assim como o artesão
recupera a sua peça mais valiosa que caiu no chão,
sem duvidar de que aquela é a tarefa mais importante,
você é a sua criação mais valiosa.
Não olhe para trás.
Não olhe para os lados.
Olhe somente para dentro,
para bem dentro de você
e faça dali o seu lugar de descanso,
conforto e recomposição.
Crie este universo agradável para si.
O mundo agradecerá o seu trabalho.
Brahma Kumaris

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2013. 

23 de mai de 2013

Mães e filhos… laços de cuidado na desigualdade


Mãos Dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Carlos Drummond de Andrade

Mães protagonizam bela imagens
Mulher e sua filha andam de mãos dadas em Porto Príncipe, Haiti

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Mãe e filho descansam na vila de Tarart, Marrocos

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Mulheres desabrigadas pela guerra alimentam seus filhos em hospital na vila de Dungu, no nordeste do Congo

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Mãe e filho fazem compra num supermercado na China

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Prótese de mão, pulseira de chupetas.

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Mãe dá banho nos filhos no Brasil

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Mãe palestina lava louças em caverna com seus filhos no deserto Negev

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Menina olha para sua sala de aula enquanto sua mãe a observa no primeiro dia de aula na Malásia

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Mulher tibetana segura sua filha de três anos do lado de fora de sua tenda num campo para pessoas afetadas por terremoto na China em 2010

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Menina caminha com sua mãe no primeiro dia de aula na escolar elementar Shimizu, em Fukushima, Japão

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Menino ajuda mãe a lavar o cabelo num campo de refugiados de vítimas de enchentes no Paquistão

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Mãe e filha andam juntos em sua vila no Senagal

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Mãe cuida de seu bebê num aeroporto na Flórida

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Mulher carrega seu bebê recém-nascido na Índia

Fotos acessadas AQUI

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2013. 

21 de mai de 2013

Mais um episódio do Faroeste Goiano: policial civil atira a queima roupa em um jovem estudante



Crença de que os conflitos se resolvem pela violência + arma de fogo = morte do jovem Luan Vitor.
A versão:
No primeiro depoimento o policial diz que Luan Vitor e um suposto comparsa, identificado como Eduardo Batista, teriam roubado a câmera de sua namorada.
A verdade:
Policial se envolve em briga e atira a queima roupa em jovem e depois sai correndo de arma em punho e volta a se atracar com um rapaz no meio da multidão.

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2013. 

19 de mai de 2013

Por que as crianças francesas não têm Deficit de Atenção?


Marilyn Wedge, Ph.D

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Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?
TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.
Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.
Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam oDiagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.
Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.
A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.
E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.
A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre- que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.
Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.
Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso. 
Texto original em Psychology Today

15 de mai de 2013

Entidades unem esforços para combate ao abuso e à exploração sexual infanto-juvenil


Faça bonito arte 2013
Abertura oficial da Campanha 18 de Maio – Dia de Enfrentamento à exploração Sexual Infanto-juvenil – será na próxima segunda (13)

Mayara SMS







Por Mayara Kelly



Na próxima segunda-feira (13) acontece o Seminário de abertura da Campanha do 18 de Maio. O seminário vai tratar do Cenário da Exploração Sexual Infanto-juvenil na Região Metropolitana de Goiânia e terá a presença dos secretários dos órgãos municipais e estaduais envolvidos na Campanha.

O dia 18 de maio é instituído por lei federal como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Este ano a data será celebrada no Parque Mutirama, no sábado (18), com rodas de conversa, stands e panfletagem, buscando atingir pais e crianças.
O grupo de articulação em Goiânia decidiu priorizar o tema da exploração sexual no evento de abertura por entender que a população ainda não compreende muito bem o assunto e carrega preconceitos, o que dificulta o combate a essa violência. De acordo com Cida Alves, psicóloga do Núcleo de Prevenção das Violências e Promoção da Saúde da SMS, a exploração é um tema complexo por envolver outros crimes e por ter fins econômicos.

"Além disso, por confundirem exploração sexual com prostituição, as crianças e adolescentes que são vítimas dessa forma de violência tendem a serem desprotegidas e discriminadas pela sociedade", completa Cida.


De acordo com o último levantamento da Polícia Rodoviária Federal, Goiás é o 3º estado com maior número de pontos de vulnerabilidade para exploração sexual infanto-juvenil.

A proposta da Campanha 18 de Maio é destacar a data para mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes. É preciso garantir a toda criança e adolescente o direito ao desenvolvimento de sua sexualidade de forma segura e protegida, livres do abuso e da exploração sexual.

Com este objetivo, uma ampla mobilização foi articulada pela Rede de Atenção e Fórum Goiano, juntamente com diversos órgãos da Prefeitura de Goiânia e Governo do Estado de Goiás e instituições parceiras. Foram preparadas mostras pedagógicas em unidades regionais escolares (URE), panfletagem, seminários, palestras, rodas de conversa e outras atividades de mobilização e conscientização.

Essas atividades tiveram início ainda no mês de abril e seguem mesmo após o dia 18 de Maio. O seminário de abertura será realizado no Auditório do Palácio da Indústria, Avenida Araguaia, n°1544, Setor Vila Nova, das 14 às 17 horas. As inscrições serão feitas no local a partir das 13h.

Violência Sexual Infanto-juvenil

Para a delegada Renata Vieira, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), a Campanha é de grande importância, dada a dificuldade de lidar com o tema. "A soma de esforços é necessária, é preciso envolver as instituições públicas em ações integradas como esta, mas não só isso, a participação da sociedade é fundamental para a proteção da criança", afirma a delegada que enfatiza ainda que as pessoas devem estar atentas a comportamentos diferenciados da criança para poder ajudá-la.

A DPCA vai lançar, também no dia 18 de maio, o Projeto Infância Livre, o qual tem por finalidade percorrer as escolas para ensinar as crianças o significado do abuso e da exploração sexual. "Muitas crianças não sabem que são abusadas por não compreender que é um tipo de violência, que fere sua liberdade e, além disso, na maioria das vezes, as vítimas são ameaçadas e manipuladas para manter os atos em segredo", explica Renata.

Segundo dados da DPCA, em 2012 a delegacia recebeu 267 denúncias anônimas de abuso sexual e foi registrado o mesmo número de boletins de ocorrência. As denúncias de exploração sexual ocorrem em menor número – 43 em 2013 – devido a outros crimes que geralmente são cometidos além da exploração em si e também por envolver e beneficiar mais de uma pessoa.

História

Em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (ES), um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o "Caso Araceli". Esse era o nome de uma menina de apenas oito anos de idade, que teve todos os seus direitos humanos violados; foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta daquela cidade. O crime, apesar de sua natureza hedionda, até hoje está impune.

Atividades:

SEMINÁRIO DE ABERTURA DAS ATIVIDADES DO 18 DE MAIO: “Cenário da
Exploração Sexual Infanto-juvenil na Região Metropolitana de Goiânia”
Data: 13/05/13
Horário: 13 às 17 horas
13h: Inscrições
Local: Auditório do Palácio da Indústria (SESI/ FIEG), Avenida Araguaia, n°1544, Setor Vila Nova

Programação 

14h - Abertura das atividades e composição da mesa.
14h30 - Apresentação do Plano Nacional de Enfrentamento a Exploração Sexual Infanto-juvenil e Rede de Atenção. Psicólogo: Joseleno Vieira – Secretaria de Direitos Humanos.
15h - Exploração Sexual comercial infanto-juvenil: Desafios e Perspectivas. Sociólogo:Rogério Araújo da Silva
15h30 - Exploração sexual comercial de adolescentes travestis e transexuais: A fragilidade de proteção. Psicóloga: Roberta Fernandes de Souza – Beth Fernandes Astral -GO
16h - Apresentação de Trabalhos: Busca Ativa como Forma de Intervenção com a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes em Goiânia. Assistente Social:Antonina Maria do Prado

PANFLETAGEM NA PRAÇA DOS BANDEIRANTES
Dia 16/05
Horário: 07h30
Responsável: Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS)
MOBILIZAÇÃO PARQUE MUTIRAMA: roda de conversas, stands e panfletagem.
Dia 18 de Maio 
Local: Horário, das 9:00 as 16:00 horas
Responsáveis: Secretaria Estadual de Saúde e acadêmicos da UNIP e da Universidade Salgado de Oliveira.


Realização

Fórum Goiano de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes
Rede de Atenção a Crianças, Adolescentes e Mulheres em Situação de Violência
Secretaria Municipal de Saúde (SMS)
Secretaria Municipal Educação (SME)
Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SecMulher)
Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas)
Secretaria Municipal de Políticas para Promoção da Igualdade Racial
Secretaria Municipal de Defesa Social (Semdef)
Assessoria Especial de Direitos Humanos da Prefeitura de Goiânia
Assessoria Especial de Diversidade Sexual da Prefeitura de Goiânia
Secretaria de Estado da Saúde (SES)
Secretaria de Estado de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial (Semira)
Casa da Juventude
Parque Mutirama
Unip
PUC Goiás
Sesi – Projeto Vira Vida
Conselho Tutelar
Astral
Ong Atitude

Informações
Facebook: www.facebook.com/18demaio
Blog Faça Bonito: http://facabonitocampanha.blogspot.com.br/
Telefone: 3524-3399


Fonte: Secretaria Municipal da Saúde. In. Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2013.

14 de mai de 2013

Projeto fotográfico a serviço da proteção da imagem da vítima de violência sexual



Foto 2
“Pare de fingir que você é um ser humano.”


“Difícil acreditar, mas ainda nos dias de hoje, há pessoas que acham que vítimas de abuso sexual tiveram algum tipo de culpa por terem sido molestadas. Pra quebrar esse paradigma que torna a vida das vítimas ainda mais difícil, a fotógrafa Grace Brown iniciou em 2011 o Projeto Unbreakable, no qual sobreviventes de abusos sexuais são fotografadas segurando uma frase do violentador.

Até hoje, ela já fotografou mais de 400 pessoas, e diz ter recebido milhares de emails de vítimas que decidiram se expor com coragem, como forma de enfrentar o passado de frente e alertar para esse problema lamentável que ainda é muito recorrente na nossa sociedade atual. O projeto é forte e impactante, mas tem um papel importante para aumentar o diálogo na sociedade sobre esse tema. Veja algumas fotos do projeto” (Jaque Barborsa).

Foto 1
“Seus pais foram jantar, mas não se preocupe – eu vou cuidar de você.”

Foto 3
“Isso fica entre nós” – meu avô, quando eu tinha 6 anos, depois 16, quando as memórias voltaram.

Foto 4
“O que temos é tão especial, que as outras pessoas não vão entender.”

Foto 5
“Você é uma menina má, não eu. Se lembre que você começou tudo isso.”

Foto 6
“Você gosta disso?”

Foto 7
“Não se preocupe, meninos geralmente gostam disso.”

Foto 8
“Você é bonita demais pra ser lésbica.”

Foto 9
“Me dê um beijo de boa noite.”

Foto 10
“Ande logo e arrume essa bagunça” – ele se referindo ao sangue e sêmen no chão.

Foto 12
“Ninguém vai acreditar em você. Sou seu marido – é a sua palavra contra a minha”.


Veja mais fotos do projeto aqui.

Se você também sofreu algum tipo de violência sexual e quer participar do projeto, basta entrar em contato pelo email:  projectunbreakablesubmissions @gmail.com.
Colaboração de Avimar Junior, psicólogo e mestre em educação pelo Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação – UFG.

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2013. Disponível em: http://toleranciaecontentamento.blogspot.com.br/2013/05/projeto-fotografico-servico-da-protecao.html. Acesso em: 13 maio 2013.

10 de mai de 2013

Aluna escreve carta para professora e diz ser abusada pelo pai, em Goiás


Ela conta que sofre abuso há cinco anos e também é espancada.
Pai foi preso em flagrante, em Luziânia; polícia investiga conivência da mãe.

Uma adolescente de 15 anos escreveu uma carta para a professora denunciando que o pai dela, de 32 anos, a estuprava, em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. No texto, ela conta que é abusada há cinco anos. A professora entregou a carta ao Conselho Tutelar, que avisou à Polícia Militar. O suspeito foi preso em flagrante, na quinta-feira (9).
A garota detalhou os abusos na carta. “Era espancada todos os dias, como também sofria de abuso sexual”, escreveu.
Em depoimento à Polícia Civil, a mãe da adolescente afirmou que soube do caso somente na semana passada. A mulher alegou ainda que foi ameaçada pelo companheiro para que não denunciasse.
De acordo com a delegada Dilamar Aparecida de Castro , será investigado se o estupro acontecia com conivência da mãe. “Nós vamos verificar toda essa situação. Há necessidade de investigação para que possamos concluir os fatos”, afirma. O pai da garota prestou depoimento e, em seguida, foi encaminhado para o presídio de Luziânia.

9 de mai de 2013

'Preferia que meu filho tivesse câncer', diz pai em anúncio


Filho de Alex Smith tem rara doença genética degenerativa; ele espera conseguir fundos para pesquisas.


Alex Smith com o filho Harrison (Foto: Harrison's Fund/via BBC)

"Eu preferiria que meu filho tivesse câncer". Com essa frase provocativa, o britânico Alex Smith criou um anúncio publicitário publicado em dois conhecidos jornais britânicos.
Seu objetivo era despertar a opinião pública para seu filho Harrison, de seis anos, portador da Distrofia de Duchenne, uma doença genética incurável que causa a degeneração progressiva dos músculos. Segundo Smith, a expectativa de vida de seu filho é de apenas 25 anos.
O anúncio causou polêmica: a frase original, em inglês -- I wish my son had cancer --, pode ser lida simplesmente como "gostaria que" ou "quem me dera meu filho tivesse câncer"."Não há chances (de recuperação) ou medicamentos para ajudar, apenas a certeza de uma vida muito curta, marcada por uma doença debilitante que o deixará incapaz de se mover até que seu coração ou pulmões desistam de sua batalha", diz Alex, no site www.harrisonsfund.com.
"Como eu poderia desejar que meu filho tivesse uma doença tão terrível? Mas a verdade é que o diagnóstico de câncer, ainda que duro, é preferível ao diagnóstico do meu filho", declarou Smith à BBC.
"A maioria dos cânceres infantis são curáveis atualmente. Harrison não tem essa chance. E eu faria qualquer coisa para que meu filho vivesse mais do que eu".
Pesquisas
Com o anúncio, Smith pede doações para a causa. "Minha única esperança é levantar o máximo de dinheiro possível para pesquisas científicas" que curem ou ao menos amenizem a doença, diz a peça publicitária.

Mas, ciente de que a cura pode não chegar a tempo para salvar Harrison, Smith disse que deseja também "iniciar a conversa sobre a doença", da qual ouviu falar pela primeira vez em 2011, quando seu filho foi diagnosticado.
Precisei aumentar o volume [para ser ouvido]"
Alex Smith, pai de Harrison
"É muito difícil conseguir financiamento [para pesquisas a respeito da doença]. Não há histórias bonitas de sobrevivência. Então precisei aumentar o volume [para ser ouvido]", afirmou à BBC. "Harrison tem uma rara mutação [do mal de Duchenne], então a expectativa de cura é pequena. Mas esperamos poder ajudar outras pessoas como ele".
A Distrofia de Duchenne afeta, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma a cada 3,5 mil crianças do sexo masculino. É um mal genético ligado ao cromossomo X, em que a ausência de uma proteína provoca a degeneração progressiva dos músculos.
Em muitos casos, as crianças perdem a capacidade de andar aos 12 anos de idade.
Smith -- que é casado e tem outro filho, de quatro anos -- conta que Harrison é hoje um menino extrovertido que gosta de correr, mas que está perdendo cada vez mais a habilidade de fazê-lo. "Ele luta para conseguir se levantar do chão e não corre mais com facilidade. É frustrante para ele e de cortar o coração para nós".
O pai ainda não contou ao filho a baixa expectativa de vida associada à doença. "Não é algo que uma criança de seis anos precise saber. Mas vai chegar um momento em que ele vai 'googlar' a respeito e teremos que ter essa conversa".

6 de mai de 2013

Morre menina baleada ao defender o pai após briga por pizza, em Goiás


Equipe médica anunciou a morte cerebral na manhã desta segunda-feira.
Garota de 11 anos abraçou o pai para defendê-lo e foi atingida na cabeça.



Morre menina baleada ao tentar defender o pai em Aparecida de Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)Kerolly Alves Lopes, de 11 anos, teve morte cerebral (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)








A  Kerolly Alves Lopes, de 11 anos, baleada ao tentar defender o pai durante uma briga em uma pizzaria de Aparecida de Goiânia, morreu no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). A equipe médica da unidade de saúde fez o anúncio na manhã desta segunda-feira (6), quando foi concluído o protocolo de morte cerebral, que foi constatada às 20 horas de domingo (5). Ela estava internada na Unidade de Tratamento Intensiva (UTI) desde o dia 27, quando foi atingida por dois disparos. O  crime teria acontecido após uma discussão por causa de uma pizza entre o dono de uma pizzaria, George Araújo, e o pai da menina, o serralheiro Sinomar Lopes, que era cliente do estabelecimento. A vítima e a irmã Pérola Alves Lopes, de 14 anos, abraçaram o pai quando viram a arma apontada para ele. O suspeito então atirou três vezes. Dois disparos atingiram a adolescente, na perna e na cabeça. O atirador fugiu do local. Ele teve a prisão preventiva decretada e está foragido.
Os médicos tinham explicado que a bala atravessou a cabeça dela e, por isso, o estado de saúde da garota era considerado gravíssimo. A equipe médica informou na semana passada que menos de 10% de pessoas sobrevivem a este tipo de lesão. "É bastante grave a lesão em si. E ela também está correspondendo à lesão. Ela também tem um quadro clínico bastante grave", explica Nasser Tannús, diretor técnico do Hugo.

Vídeo
A câmera de segurança do estabelecimento registrou o momento em que o serralheiro entra na pizzaria (veja vídeoao lado). Do lado de trás do balcão está o proprietário. Há dois meses, os dois tinham discutido porque Sinomar não quis pagar por uma pizza que havia demorado muito. Armado, George manda Sinomar sair. Do lado de fora, as duas filhas de Sinomar tentam tirá-lo dali.

"Eu cruzei os braços e falei pra ele, sabe: Você quer atirar? Você atira, pode atirar. Virei as costas ainda pra ele atirar, ele não atirou em mim, você entendeu?", relata o serralheiro.
Pérola Lopes relata os minutos de tensão: "Quando eu vi o homem já tava apontando a arma pra ele. Eu falei assim: 'Solta a arma, por favor'. Nisso minha irmã já saiu do carro correndo, aí abraçou meu pai e eu também, puxando ele pra ir pro carro. Aí o homem falou: 'Vocês saem da frente, saem da frente'. Aí a Kerolly falou: 'Moço, por favor, abaixa essa arma'".
Pai de menina baleada se sente culpado por filha ter sido atingida, em Aparecida de Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)
Pai de Kerolly, Sinomar Lopes: 'Me sinto culpado'
(Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)
O vídeo mostra quando as meninas cercam o pai, puxam, mas Sinomar insiste em ficar. Uma delas pede ajuda para um homem que passa pela rua, mas ele foge.
Pelas imagens do vídeo, é possível ver quando Kerolly deixou o pai e a irmã mais velha na calçada e correu em direção a uma farmácia, em busca de ajuda. Nesse momento, George se aproxima de Sinomar e de Pérola e faz o primeiro disparo. Pai e filha recuam. Ao ouvir o tiro, Kerolly volta. A partir desse momento, o vídeo não mostra mais o que acontece, mas o suspeito acerta um tiro na cabeça de Kerolly.
Dernorteado, o atirador corre, mas antes de entrar no carro e fugir ele volta até a esquina com o revólver na mão. A fuga de George foi filmada por pessoas que passavam pelo local. As testemunhas se revoltam, mas ele aponta a arma contra elas.
Culpa e dor

Em entrevista ao Fantástico, o pai de Kerolly, Sinomar Lopes declarou se sentir culpado pelo que aconteceu. “Eu me sinto culpado. O que eu estou sentindo é dor demais, é sofrimento pra caramba e mágoa, culpa demais da conta”, declarou.

Ele se emocionou e falou da angústia ao ver a filha hospitalizada. "Hoje eu queria estar no lugar dela. Queria! Eu queria ser naquela hora lá. Porque o pai mesmo é pai e herói do filho, né? Eu estou sentindo no meu coração que, naquela hora, eu não fui ninguém. Uma culpa imensa vendo aquela menina lá", desabafou o pai.
Prisão preventiva
Quinze horas depois da confusão o suspeito de atirar em Kerolly se apresentou em uma delegacia. Ele prestou depoimento alegando ter disparado em legítima defesa, mas não foi preso. A lei determina que alguém seja preso em flagrante apenas se for detido no momento do crime, depois de uma perseguição ou se ainda estiver com a arma usada. Como não havia pedido de prisão, ele acabou liberado.

O suspeito teve a prisão temporária decretada pela Justiça na noite de terça-feira (30). Como a polícia não conseguiu encontrá-lo e o comerciante não se entregou, ele é considerado foragido. O advogado que o acompanhou no depoimento desistiu da defesa.
Fonte: G1, GO, Paula Resende e Elisângela Nascimento. 2013. Disponível em: http://g1.globo.com/goias/noticia/2013/05/morre-menina-baleada-ao-defender-o-pai-apos-briga-por-pizza-em-goias.html. Acesso em: 06 maio 2013.