30 de abr de 2013

A ARTE DE CANTAR E CANTAR


                                                                                                             Jorge Silva Sousa*
O homem primitivo foi um dos primeiros a presta atenção, aos sons do mundo, e começou a dar importante a eles, com o passar do tempo a musicalidade e o ritmo da prosa e da poesia faziam parte do seu ser e viver e o encantava, assim cada vez mais o homem começou a presta atenção nos sons do mundo. Assim, o “contar e cantar passaram a ser a formas de bem viver e reviver, de marcar o ser e estar no mundo e deixar lembranças vivas na memória do outro” (p. 48).
E com o passar dos anos graças à inteligência do homem, se desenvolveu e desenvolve, cria nova formas de expressar o seu conto e o seu canto, a sua sensibilidade. “O homem passou a dançar, representar, desenhar, escrever, publicar livros e jornais, cantar e gravar a voz em disco e filmes” (p. 49). Ou seja, aperfeiçoa-se com o tempo.
Elias José fala da importância do contar e reconta histórias, “feliz da criança que teve pais, avós ou babás que enriqueceram o seu imaginário com muitas histórias, varando, virando e transformando o mundo pelo poder mágico da ficção”. (p. 49). Falam também da tristeza da criança de hoje, “que precisa se contentar com as histórias cantadas ou contadas pela televisão. Histórias mais cínicas e perversas [...], interessada mais em vender produto do que em oferecer prazer e magia” (p. 49).
Segundo Elias José ninguém nasce do nada, um escrito, por exemplo, precisa de uma história para tecer a trama de muitas outras histórias. Um poeta-cantor não nasce do nada. Precisa tem ouvir e compreender, para construir seus ritmos, cantos e poemas. Enfim, não importa saber se o homem nasce cantando ou cantado. O importante é saber o que a poesia e a prosa significa em nossa vida. E como estamos passando essa importância para a vida das crianças. Pois a criança que ouve e conta história têm uma mais lúdica e infância feliz.

Referência

JOSÉ, Elias. Literatura infantil: ler, contar e encantar crianças. Porto Alegre: Mediação, 2007. 

28 de abr de 2013

Palhaço Sapequinha é preso suspeito de aliciar aluna há quatro anos


Que a direção da PUC Goiás não siga a histórica impostura da igreja católica de acobertar os casos de abuso sexual em nome da preservação da imagem institucional. 
O papa Francisco já deu o seu exemplo: tolerância zero com os abusadores de crianças e adolescentes.

“Goiânia - Funcionário do Instituto Dom Fernando, projeto de extensão mantido pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC)o palhaço Sapequinha, foi preso nesta segunda-feira (22/4) suspeito de aliciar uma aluna há 4 anos. A prisão foi feita por policiais da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), em Goiânia. O homem está preso temporariamente na Casa de Prisão Provisória (CPP) e responderá judicialmente por estupro de vulnerável” (Fonte: A Redação). 
Segundo a delegada titular da DPCA, Renata Vieira, foi possível descobrir os fatos através de uma amiga confidente da adolescente que relatou o caso à família da vítima. Imediatamente a mãe da menor, L.N.I., registrou o ocorrido a polícia, que deu início as investigações. ‘Nós tivemos as primeiras informações por familiares, e em depoimento, a jovem confessou que tinha envolvimento afetivo com o indivíduo, desde quando tinha 11 anos, época que entrou na escola de circo. A partir daí, iniciou uma série de elogios e cantadas à vítima. Eles começaram a namorar, e em seguida, o cidadão comprou uma aliança de compromisso com a promessa de casamento’, explica à delegada. O circense Manoel é graduado em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Goiás (UFG), é casado e tem duas filhas. Mas conforme a delegada, “ele iria se separar da esposa e casar com a menor de idade. Fato que gerou muita esperança na adolescente que isso acontecesse”, afirma.

Durante a apresentação de Manoel Alves na DPCA, a reportagem do Diário da Manhã teve acesso ao depoimento da menor L.N.I. à polícia, onde a jovem aponta que o Palhaço Sapequinha dizia que ela era cheirosa e passou a cumprimentá-la com beijos no rosto. No documento também consta que Manoel havia levado a vítima, para o camarim do circo e dado um beijo em sua boca. O palhaço também dava presentes e dinheiro para menina. Em setembro de 2012, a garota manteve relação sexual pela primeira vez, de forma consentida, com Manoel, dentro do veículo dele. Ainda de acordo com o depoimento da vítima, o suspeito teria usado preservativo enquanto mantinha a relação sexual, mas ela não sabe precisar quantas vezes teve este tipo de envolvimento com o sujeito.

 

Escola e Família sabiam


A delegada Renata Vieira disse que a família da menor pedia às vezes ajuda e apoio de Manoel Alves em relação ao comportamento ruim da jovem. No entanto, a escola de circo e os responsáveis da menor tinham conhecimento de cartas escritas pela jovem ao abusador sexual. A menina chegou a enviar para Manoel algumas cartas de cunho sexual.  A família e a escola tomaram conhecimento na época e guardaram as cartas. Mas ele (Manoel) afirma que houve uma conversa com a mãe da menor, onde ele  explicou a situação. Eles não investigaram e nem levaram o caso a fundo’, afirma à delegada.     
Após isso, o acusado e vítima  marcaram uma viagem às escondidas da família para cidade de Teresópolis, no final do mês passado, durante o feriado de Semana Santa. O que não aconteceu.

 

Assumiu

Em depoimento a delegada Renata Vieira, o suspeito admitiu o relacionamento amoroso com  a vítima desde que ela tinha 11 anos, época em que o autor afirma que a jovem sofria com certos tipos de preconceitos na escola de circo. “Manoel tentava elevar a autoestima da vítima com conversas individuais. Foi neste momento que ambos acabaram se envolvendo. Ele afirma ter praticado atos libidinosos com a jovem entre os 11 e 12 anos de idade, mas que a prática sexual propriamente dita, somente ocorreu a partir dos 14 anos”, conta a titular da DPCA. A delegada disse ainda que não descarta a possibilidade de envolvimento do suspeito com outras vítimas, pois Manoel trabalha como educador cênico, de um projeto da PUC-GO, onde 150 crianças, a partir de sete anos,  realizam atividades.

O circense Manoel afirma que foi a primeira vez que se envolveu com uma menor de idade e que está ciente do que vai acontecer com ele. O palhaço nega a prática do ato sexual com a L.N.I., quando ela tinha menos de 14, além  de assumir toda a confissão da menor de idade. Provas contra o suspeito foram reunidas pela DPCA, como as próprias cartas e conversas feitas pela rede social Facebook. Eles mantinham relacionamentos sexuais em banheiro de lan house, dentro de um veículo, atrás da escola em que a jovem estudava, o Colégio Municipal Pedro Ciriaco de Oliveira, na Vila Concórdia. Manoel afirmou em depoimento que as relações sexuais também aconteciam no estacionamento da PUC-GO, que não foi especificado.

A prisão de Manoel é temporária e se fundamentou com base na oitiva de testemunhas tanto da vítima, quanto do suposto autor. “Finalizando esse processo, nós vamos indicia-ló por estupro de vulnerável, porque ele não nega a prática do ato libidinoso, mesmo a menina tendo menos de 14 anos”, explica Renata Vieira. O suspeito, se condenado, pode pegar até 15 anos de reclusão.

A assessoria de comunicação da PUC-GO disse não ter sido informada sobre o caso e que, posteriormente, iria se posicionar por meio de nota” (Fonte: Diário da Manhã).

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2013. Disponível em: http://toleranciaecontentamento.blogspot.com.br/. Acesso em: 28 abr. 2013.

26 de abr de 2013

Mulher grávida é agredida e tem corpo queimado pelo marido, no AM


Homem de 26 anos foi preso em flagrante e está à disposição da Justiça.
Filha do casal também ficou ferida durante as agressões.


Um homem de 26 anos foi preso em flagrante após torturar e atear fogo na esposa, Luziara Nogueira Gomes, de 28 anos, na cidade de Careiro, a 88 Km de Manaus. Depois de denúncias de vizinhos, o agressor foi detido. O crime ocorreu no sábado (20), no Ramal do 13, na Estrada de Autazes.

A dona de casa relatou que teve o cabelo cortado com um facão, foi agredida com golpes de madeira e, ainda, teve parte do corpo incendiado pelo marido. Ela teve queimaduras na região do rosto e pescoço. A filha do casal, de dois anos, também teve ferimentos, mas passa bem.
"Ele cortou o meu cabelo com facão, depois passou o barbeador por cima e me bateu. Estou toda roxa. Até de corda ele me batia. Sábado à noite ele jogou gasolina e ateou fogo em mim, a minha bebê que estava comigo também foi incendiada", disse a dona de casa.

Grávida de três meses do sexto filho, ela contou que esta não foi a primeira agressão que sofreu por parte do companheiro. "Ele sempre me agredia, mas eu nunca falei nada. Dessa vez ele passou dos limites. Tenho medo que ele saia da cadeia. Não quero que ele saia de lá", afirmou.

Depois de denúncias de vizinhos da vítima, o homem foi preso em flagrante e levado ao 34º Distrito Integrado de Polícia (DIP) de Careiro, onde está à disposição da Justiça do Amazonas. O medo da família agora é que ele consiga sair da prisão. "Eu estou com o coração na mão. Tenho medo de ele ser solto e fazer alguma coisa com ela, não contra mim. Ela tem cinco filhos e está grávida", relatou a mãe da vítima, Iassiara Nogueira.
Luziara Nogueira Gomes veio para Manaus para tratamento médico. Ela e o agressor estavam juntos há cerca de oito anos.
Sessão de tortura (Foto: Reprodução/TV AM)Vítima tem ferimentos em várias partes do corpo  (Foto: Reprodução/TV AM)Fonte: G1, AM. 2013. Disponível em: http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2013/04/mulher-gravida-e-agredida-e-tem-corpo-queimado-pelo-marido-no-am.html. Acesso em: 26 abr. 2013.

25 de abr de 2013

Menina é vítima de estupro na Praia do Leblon, na Zona Sul do Rio


Garota estava acompanhada de amiga no momento do crime.
Segundo o delegado, suspeito do crime deve ser preso nesta quinta.

Praça onde a menina diz ter sido estuprada fica no fim da praia do Leblon (Foto: Luís Bulcão / G1)Uma menina de 14 anos foi vítima de estupro na Praia do Leblon, na Zona Sul do Rio, no dia 17. O crime ocorreu no final da praia, quase na Avenida Niemeyer, via expressa que liga o bairro a São Conrado, na mesma região.
De acordo com a polícia, a vítima estava acompanhada de uma amiga na hora do crime. Na manhã desta quinta-feira (25), o delegado Rodolfo Waldeck Penco Monteiro, titular da 14ª DP (Leblon), disse ao G1 que as duas tinham ido fazer um trabalho da escola e voltavam para casa, no Morro do Vidigal, entre 17h e 18h, quando foram abordadas pelo criminoso.Enquanto a menina de 14 anos era abusada, a amiga recebia ameaças para não reagir. O delegado acredita que a outra estudante não tenha sido atacada pelo criminoso por aparentar ter menos idade. "Ela era muito magrinha, muito pequenininha. A outra (a vítima do abuso) que tinha mais corpo. Ela foi ameaçada enquanto a amiga sofreu o abuso".
Depoimento
De acordo com o depoimento das jovens, elas estavam caminhando na praia por volta das 17h quando o criminoso as abordou. Ele as ameaçou com uma faca, dizendo que iria matá-las se não fizessem tudo o que ele mandasse.

O homem ordenou então que uma das jovens tirasse a roupa de baixo. Após cometer o estupro, o criminoso mandou que as vítimas permanecessem no local fingindo que nada tivesse acontecido e fugiu. Ainda segundo os depoimentos, quando o criminoso se afastou, as jovens pediram ajuda a uma senhora que passava no local e conseguiram telefonar para a mãe da vítima. Elas delataram o caso na 14ª DP (Leblon) no dia seguinte ao ocorrido. Após o depoimento, a jovem violentada foi encaminhada para exame de corpo de delito e para atendimento médico e psicológico.
As vítimas conseguiram identificar o criminoso através de um sistema da Polícia Civil do Rio de Janeiro que utiliza bancos de dados com imagens de pessoas com antecedentes criminais. Elas conseguiram apontar a imagem do agressor após serem apresentadas às fotos selecionadas que correspondiam às características descritas por elas. Para não atrapalhar as investigações, a polícia não divulgou a identidade do suspeito.  A expectativa dos policiais é prender preventivamente o criminoso ainda nesta quinta-feira (25).

Criminoso identificado
Familiares e testemunhas já foram ouvidos e o suspeito do crime foi identificado. De acordo com o delegado, o suspeito, que tem antecedentes criminais por roubo e porte de arma, mas não tem outras passagens por estupro, deve ser preso nesta quinta.

Ainda de acordo com o delegado, a adolescente foi encaminhada para tratamento psicológico. "Ele não conseguiu romper o hímen, mas que aconteceu o estupro, aconteceu", afirmou Waldeck, ressaltando que isso é importante por se tratar de uma menina.
Rodolfo Waldeck informou também que não há outros casos de estupro com essas características registrados na delegacia do Leblon, bairro de classe média alta do Rio. A região onde a menina foi atacada é uma área de grande movimentação em torno do horário do abuso.
Outro caso
No sábado (20), uma jovem foi vítima de abuso sexual dentro de uma clínica de estética em Bonsucesso, na Zona Norte. De acordo com o delegado Niandro Lima, da 21ª DP, o criminoso estava armado quando entrou no estabelecimento, rendeu as funcionárias e as prendeu na cozinha da clínica. Ainda segundo Lima, após estuprar uma das recepcionistas, ele fugiu com R$ 400 do caixa.

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), em fevereiro desse ano foram registrados 497 casos de estupro no Rio de Janeiro.
Fonte: G1, Rio Janeiro. Cristiane Cardoso e Luís Bulção. 2013. Disponível em: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/04/jovem-e-vitima-de-estupro-na-praia-do-leblon-na-zona-sul-do-rio.html. Acesso em: 25 abr. 2013.

24 de abr de 2013

Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro divulga dossiê de violência doméstica e familiar contra crianças e adolescentes


Rede Não Bata Eduque divulga em seu último boletim o Dossiê Criança & Adolescentes 2012 do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Esse dossiê traz à tona o alarmante índice de violência doméstica e/ou família familiar ao qual às as crianças e os adolescentes estão expostas.

lesão corporal dolosa (aquela na qual o indivíduo ofende intencionalmente a integridade física de outra pessoa) corresponde à maior parte dos delitos sofridos por crianças e adolescentes, chegando a 35,2% do total de casos registrados. A ameaça aparece em segundo lugar, com 16,2% de casos. Já a lesão corporal culposa vem em terceiro lugar, com 13,3% do total de vítimas e o estupro surge em quarto lugar, com 12,8% de vitimizados.

Acesso os resultados do dossiê AQUI

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2013. Disponível em: http://toleranciaecontentamento.blogspot.com.br/2013/04/instituto-de-seguranca-publica-do-rio.html. Acesso em: 24 abr. 2013

23 de abr de 2013

'Vou processar', diz jovem que afirma ter apanhado por ser bissexual


Agressão ocorreu em terminal urbano de Cascavel, no oeste do Paraná. 
Vítima relatou que apanhou duas vezes, no intervalo de uma semana.


Maisson Dydimes Portes, de 19 anos, contou que é bissexual e que os rapazes os agrediram por esse motivo (Foto: Arquivo Pessoal)


Um recepcionista de um hotel de Cascavel, no oeste do Paraná, afirmou que foi vítima de dois ataques homofóbicos no Terminal Urbano Leste, no intervalo de uma semana. Ao G1, Maisson Dydimes Portes, de 19 anos, contou que é bissexual e que os rapazes o agrediram por esse motivo.

Ele garantiu que nunca havia visto os agressores. “Só sei o bairro onde eles moram. Nunca tinha visto”, complementou. Quando os suspeitos forem identificados, Portes pretende processá-los.
“Assim que eu ficar sabendo quem são, nome e endereço, vai haver, sim, o processo”, disse. Até as 14h desta terça-feira (23) os rapazes ainda não haviam sido identificados pela Polícia Civil, que investiga o caso.

Segundo o jovem, o primeiro ataque aconteceu no sábado (13), também no Terminal Urbano Leste, quando um homem se aproximou e começou a xingá-lo. “Ele atirou um copo na lotação [ônibus] e quebrou o vidro. O motorista teve que parar o ônibus e eu desci. Ele desceu também e nós brigamos”, lembrou. Desta vez, Portes ficou com um arranhão no rosto.

No sábado (20), Portes voltava do trabalho por volta das 23h15 e, novamente, foi agredido pelo mesmo rapaz e outro amigo dele. “Eu desci do ônibus e estava ele e mais quatro amigos dele me aguardando. Eu passei e nem olhei, já para não ter motivo. Daí, ele me chamou para conversar e viu que eu não queria brigar. (...) Ele me xingou de novo e me agrediu”, assegurou. Os agressores bateram na vítima no rosto e nas costas.

Portes disse que pessoas que estava no local seguraram os agressores, que fugiram. Em seguida, a vítima registrou um Boletim de Ocorrência.

A vítima também contou que esta foi a primeira vez que as agressões se tornaram físicas. “De chegar a agressão física foi a primeira vez, mas verbal é frequente”, afirmou.



Fonte: G1, PR-Cascavel. 2013. Disponível em:http://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2013/04/vou-processar-diz-jovem-que-afirma-ter-apanhado-por-ser-bissexual.html. Acesso em: 23 abr. 2013.

21 de abr de 2013

A importância do estágio supevisonado para a formação do educador


                                                                                                                           JORGE SILVA SOUSA*  

O estágio supervisionado é um importante espaço de formação que o futuro professor pode ter com o campo de atuação. Por meio da observação, da participação, da vivência e das regências o licenciado poderá refletir, planejar e replanejar suas ações pedagógicas.
Por meio das discussões, vivências e do estudo de vários teóricos vamos formando a nossa identidade enquanto educador. E para desenvolver uma prática pedagógica embasada no cuidar/educar na Educação Infantil, faz-se necessário estudar textos os quais servirão de apoio para desenvolver um trabalho pautado no cuidar/educar. O educar tem quer ter conhecimento e uma concepção pautada que o cuidar/educar são indissociáveis, que no momento de cuidar ele também poder educar. Segundo Rossetti–Ferreira (2003, p.12), “a identidade da criança também está sendo formada durante atividade de vida diária, como alimentação, banho.”
Com o estudo de alguns textos dentre eles, “Saberes sobre a infância” da Secretaria Municipal de Educação (2004), foi possível formar minha concepção sobre criança, por meio deste texto compreendi que a criança deve ser vista como um ser de direito, “essa concepção reconhece que a criança tem formas próprias de se relacionar com o mundo físico e social (sujeito, valores, fatos, natureza, objetos) o que a faz produtora de uma cultura específica” (GOIÂNIA, 2004, p.22).  Essa é a minha concepção, que ficou durante esse período de estudo sobre crianças de (0 a 5 anos). Porque antes do estágio não tinha concepção formada sobre os deveres e direitos da criança e considero que ela é importante, pois essa concepção enxerga a criança como um sujeito que tem direito, entre eles: direito ao contato com a natureza, direito a brincadeira, direito ao movimento em espaços amplos, direito a proteção, ao afeto e a amizade, direito a atenção individual, direito a um ambiente aconchegante e seguro, direito a desenvolver sua curiosidade, imaginação e capacidade de expressão, direito a desenvolver sua identidade cultural, racial e religiosa, direito a higiene e a saúde e direito a uma alimentação sádia.
No ambiente do estágio foi possível aprender e compartilhar novas experiências. No processo de planejar e replanejar as aulas, no desenvolvimento das aulas, no envolvimento/ participação dos membros do grupo de estágio. Alguns saberes teóricos e práticos que foram formados durante o estágio, que considero importantes no trabalho do professor de Educação Infantil, é a necessidade de planejar de acordo com a realidade da criança, replenejar aula se não houve envolvimento/participação das crianças, ser afetivo com as crianças, é importante que a criança tenham contado com coisas concretas, é preciso ter um olhar generoso, existe várias maneiras de registrar, o professor precisar ter a concepção e colocar em prática que existe diversas formas de proporcionar atividades significativas para as crianças e não apenas com atividade escrita. Segundo Corsino (2009, p.121), “planejar na educação infantil, então, é firmar um compromisso com as crianças e seu desenvolvimento.”
Enfim, o estágio supervisionado foi o ambiente onde aprendi novas concepções, compartilhei novos conhecimentos, adquire novas aprendizagens, coloquei em prática o que aprendi com o estudo dos textos. Assim, penso que no estágio comecei a formar minha identidade como educador, pois pude aprender com meus colegas de estágio e com os professores da Creche e da Pré-escola um pouco do ofício de ser professor.



Referências:


CORSINO, Patrícia. Considerações sobre o planejamento na educação infantil. In: CORSINO, Patrícia (Org.). Educação infantil: cotidiano e políticas. Campinas, SP: Autores Associados, 2009, p.117-121.

GOIÂNIA, Secretaria Municipal de Educação. Saberes sobre a infância, 2004, p. 19-57.

ROSSETTI-FERREIRA, Maria Clotilde. A necessária associação entre educar e cuidar. In: Revista Pátio Educação infantil. Ano I, n.1, abr/jul, 2003.

18 de abr de 2013

Secretaria de Direitos Humanos inaugura centro de referência e assina termo de adesão com a prefeitura de Goiânia (GO)



Foi lançado, oficialmente, nesta 4ª feira, o Centro de Referência em Direitos Humanos João Bosco Burnier, sediado na Casa da Juventude.

Nesta quarta-feira (17), uma equipe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) inaugurou o Centro de Referência de Direitos Humanos (CRDH) da capital goiana e assinou com a prefeitura o termo de adesão à Política Nacional para População em Situação de Rua.

Representando a SDH/PR, o diretor de Promoção de Direitos Humanos, Marco Antônio Juliatto, explicou que o município havia sido selecionado para receber um CRDH no ano passado, através de um edital.

“Apesar de estarmos muito focados nesses lamentáveis incidentes, o Centro de Referência serve para defender todos direitos das minorias”, disse o diretor, referindo-se às pessoas em situação de rua assassinadas na Grande Goiânia desde agosto. O equipamento atenderá a todos os casos de violação de Direitos Humanos de crianças e adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, população LGBT, entre outros.

O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, ao assinar o termo de adesão, frisou que é importante o empenho de todos para superar essa onda de crimes contra a população em situação de rua. “A adesão à esta política mostra que não estamos nos omitindo frente a essa grave situação social, que é responsabilidade de todos nós”, afirmou.

Garcia ainda anunciou que o município está começando a reforma do atual abrigo e pretende criar outros quatro, além de construir três Centros de Referência Especializados para a População em Situação de Rua (Centros Pop). O prefeito também assinou o decreto que cria o Comitê Gestor Municipal Intersetorial da Política Nacional para a População em Situação de Rua.

Centro de Referência – Localizado junto à Casa da Juventude (Caju), no Setor Universitário, esse é o primeiro CRDH do Estado de Goiás e integra uma rede de 30 centros distribuídos em todo o país. A estrutura atende diretamente à população nos mais diversos casos de promoção e defesa dos seus direitos, oferecendo assistência jurídica e psicossocial. Em Goiânia, o CRDH, com uma equipe de nove profissionais, será mantido através de convênio com a Caju, para a qual serão repassados aproximadamente R$ 350 mil. O endereço da Caju é 11ª Avenida, 953 – Setor Universitário.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social – página da Secretaria de Direitos Humanos. In. Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2013. 

17 de abr de 2013

DIGA NÃO À VIOLÊNCIA - Por Sione Porto


Diga não à violência

 Em termos de violência, as estatísticas das Delegacias Especializadas de Proteção à Mulher, desde 1985, têm demonstrado que as agressões, ameaças e estupros contra a mulher, vêm aumentando assustadoramente, em números preocupantes.
A ONU acaba de denunciar que há um surto global de ataques contra a mulher. Sete em cada dez serão estupradas ou vítimas de violência ao longo da vida (Revista IstoÉ, 6 de março de 2013).
Para mudar esse quadro é preciso atacar as causas históricas e culturais. As mulheres sempre foram vítimas de preconceito por parte da própria família, que as discriminava dos filhos varões, entendendo ser a mulher, educada apenas para ser esposa e mãe, devendo, portanto, obediência a seu marido.
Em 17/09/1997, época em que muitas mulheres não teriam coragem, a dona de casa E. P. S. (cidade preservada) prestou queixa, na Delegacia Circunscricional, contra o motorista de táxi N. P. S., seu marido, com quem era casada há vários anos, dizendo que, enquanto dormia, fora agredida com socos na cabeça, só porque estava frequentando uma paróquia, além de já ter sofrido outras agressões de rotina, ou seja, espancamentos diários.
Casos como esse e de agressões e espancamentos semelhantes têm registros diários nas delegacias brasileiras.
Para reverter essa situação, é necessário cuidar de uma nova educação, uma linha revisionista facilitadora no combate à violência contra mulher, com maior rigor e agilidade processual, na aplicação da lei Maria da Penha, a fim de acabar com o machismo do valentão, guerrilheiro afetado que gosta de bater.
Hoje a violência atinge todas as classes sociais, das mais pobres como as donas de casas simples, às tituladas, médicas professoras, dentistas, empresárias, advogadas, atrizes, modelos, etc.
Dentre os fatores estudados, estatísticas comprovam que o desencadeamento da violência doméstica contra a mulher, dá-se pelo machismo, ciúme exacerbado, inferioridade funcional e econômica, desemprego, alcoolismo e pelas drogas (campeão da violência), aliados a outras relevantes: as mentes perigosas, originadas pelas psicopatias mentais.
Mudar esse quadro de violência contra a mulher não é fácil, é tarefa árdua, que temos enfrentado no combate diuturno nas delegacias, inobstante não é impossível. As mulheres que não buscarem ajuda e não vencerem o preconceito, o medo, a dor, a humilhação e a vergonha, denunciando seus parceiros, vão apanhar sempre. Convém ressaltar, que os relacionamentos conturbados a problemáticos, não se reverterão pela obediência e pelo medo.
É necessário denunciar toda e qualquer violência contra a mulher. O homem sabe que bater na mulher é crime, todavia, continuam batendo, entendendo ser a mulher sua propriedade, ademais, confiando também na impunidade.
Todos os dias, no Brasil, chegam às delegacias, mulheres agredidas, com cabeça enfaixada, perna engessada, braço quebrado, olho inchado, corpo furado por armas brancas, chicotadas, pauladas, facãozadas, lesionadas por armas de fogo, quando não são assassinadas. O inimigo íntimo é o namorado, o amante, o companheiro, ás vezes também, é o pai, o irmão, o cunhado.
O faroeste da violência contra a mulher cresce em todo país, tal a irracionalidade do homem, impunidade e a fragilidade da lei. O Brasil ocupa a 7ª posição no ranking de países com maiores índices de homicídios femininos no mundo.
É imprescindível mudanças profundas com responsabilidade do tratamento ä dignidade e integridade da mulher.
A mulher não saiu do território bíblico só para ser a fêmea da espécie e apanhar. Deve, antes de tudo, ser respeitada e amada como pessoa humana. Denunciem. Não continuem dormindo com o inimigo.
 Fonte: Blog Itabuna Centenária. Postado por Elê Santos Machado. 2013. Disponível em: http://cemanosdeitabuna.ning.com/profiles/blogs/diga-nao-a-violencia-por-sione-porto. Acesso em: 17 abr. 2013.

16 de abr de 2013

Pela redução da maioridade penal para os 16 anos


                                                                                                           
                                                                                                                   

No Brasil, sempre que acontece um crime grave, são comuns as comoções sociais que, diante daquele bárbaro delito, clamam por "leis penais mais severas". E o legislador, pressionado pela opinião pública, não raro, aproveitando-se da grande repercussão social, elabora as pressas um projeto de lei, sem maior reflexão, aumentando as penas para determinados crimes. Só na última década, tivemos alguns casos célebres, tais como: a) o sequestro de Roberto Medina – que deu causa à edição da Lei dos Crimes Hediondos (Lei 8.072/90); b) o caso dos policiais flagrados por cinegrafista amador agredindo gratuitamente populares em Diadema – episódio do qual resultou a Lei de Tortura (Lei n. 9.455/97); c) o assassinato da atriz Daniela Perez – que culminou em alterações tornando mais rígida a Lei dos Crimes Hediondos; entre outros casos.

Quando uma lei penal é criada dessa forma, quase de improviso, é muito perigosa, pois, não raro, além de não permitir um debate mais refletido pela sociedade, as vezes, não cuida de observar princípios de direito penal secularmente consagrados, limitando-se a aumentar a pena para certas condutas, com o objetivo de resolver problemas sociais com a simples promulgação de uma lei.

Essa breve introdução presta-se a justificar a tese exposada no presente artigo. Ora, devido a ocorrência recente do assassinato de um casal de namorados em São Paulo, levado a cabo, covardemente, por um grupo de adolescente, alguns poderiam afirmar que este advogado "está se aproveitando da repercussão nacional que tomou dito crime para que aqueles que o leiam facilmente tornem-se adeptos da redução da maioridade penal defendida". Com efeito, tal não é verdade, como se verá nas linhas a seguir.

O clamor pela redução da maioridade penal para os 16 (dezesseis) anos não é novo. Alguns já o defendiam antes mesmo da edição do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069/90). O assassinato do casal de namorados apenas o trouxe novamente à tona, como um alerta que serve, pelo menos, para que a sociedade debata o tema e tome posição pela defesa desta tese ou pela permanência da maioridade penal aos 18 anos.

Atualmente, se uma pessoa comete um fato definido como crime em alguma lei penal, só sofrerá a pena ali prevista se ele tiver idade igual ou superior a 18 anos, sendo processada e julgada segundo os procedimentos do Código de Processo Penal.

Por outro lado, se esta mesma conduta for praticada por uma pessoa com idade inferior a 18 anos, não se pode sequer dizer que ela cometeu crime, mas apenas um ato infracional. Além disso, a ela não será aplicada a pena prevista para o crime, mas sim medidas sócio-educativas, previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, que são as seguintes: a) advertência; b) obrigação de reparar o dano; c) prestação de serviços à comunidade; d) liberdade assistida; e) inserção em regime de semiliberdade; f) internação em estabelecimento educacional. Assim, a maior sanção que um adolescente poderá sofrer é a 3 anos de internação, que tenha furtado um relógio, quer tenha matado 30 pessoas. Ademais, esta medida só pode ser aplicada por meio de um procedimento na vara da infância e juventude.
A fixação da maioridade penal aos 18 anos está consagrada no art. 228 da Constituição Federal e no art. 27 do Código Penal. A escolha dessa idade levou em consideração o critério puramente biológico: entendeu o legislador brasileiro que os menores de 18 anos não gozam de plena capacidade de entendimento que lhes permita entender o caráter criminoso do ato que estão cometendo. Trata-se, assim de uma presunção legal.

Essa presunção legal de "falta de entendimento pleno da conduta criminosa", que, talvez, no passado podia ser tida como verossímil, na atualidade já não é mais. Com a evolução da sociedade, da educação, dos meios de comunicação e informação, o maior de 16 anos já não pode mais ser visto como "inocente", ingênuo, bobo, tolo, que vive a jogar vídeo game e brincar de "playmobil". Ora, se já possui maturidade suficiente para votar, escolhendo seus representantes em todas as esferas, do Presidente da República ao Vereador do seu Município, se já pode constituir economia própria, se já pode casar, se já pode ter filhos, e não são raros os casos de pais adolescentes, por que será que ainda se acredita que ditos indivíduos não têm consciência que matar, estuprar, roubar, seqüestrar é errado?

Além de possuírem plena convicção que o ato que praticam é criminoso, ditos "menores" utilizam-se, conscientemente, da menoridade que ainda os alberga em seu favor, praticando diariamente toda a sorte de injustos penais, valendo-se, inclusive, da certeza dessa impunidade que a sua particular condição lhe proporciona.

Vejamos. Uma das finalidades da pena é a "prevenção geral" ou "prevenção por intimidação". A pena aplicada ao autor do crime tende a refletir junto à sociedade, evitando-se, assim, que as demais pessoas, que se encontram com os olhos voltados na condenação de um de seus pares, reflitam antes de praticar qualquer infração penal. Existe a esperança de que aqueles com inclinações para a prática de crimes possam ser persuadidos, através do exemplo que o Estado deu ao punir aquele que agiu delituosamente. O Estado se vale da pena por ele aplicada a fim de demonstrar à população, que ainda não delinqüiu, que, se não forem observadas as normas por ele ditadas, esse também será o seu fim. Dessa forma, o exemplo dado pela condenação daquele que praticou a infração penal é dirigido aos demais membros da sociedade.

Aplicando-se tais considerações ao caso dos menores de 18 e maiores de 16 anos, que, como defendido aqui, já são pessoas plenamente conscientes do certo e do errado, com efeito, o simples e brando tratamento a eles dispensado segundo as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente, com sanções como advertência, obrigação de reparar o dano, liberdade assistida, internação etc, não é suficiente a intimidar a prática de condutas criminosas como as que estão sendo praticadas por maiores de 16 anos a todo minuto no Brasil. Em outras palavras, é pouquíssimo provável que um adolescente sinta-se intimidado em praticar determinado crime por temer que lhe seja aplicada uma "medida sócio-educativa", sobretudo, se o crime puder lhe trazer ganho financeiro, tais como furto, roubo, extorsão mediante sequestro etc.

A insignificância da punição, certamente, pode trazer consigo o sentimento de que o "o crime compensa", pois leva o indivíduo a raciocinar da seguinte forma: "É mais vantajoso para mim praticar esta conduta criminosa lucrativa, pois, se eu for descoberto, se eu for preso, se eu for processado, se eu for condenado, ainda assim, o máximo que poderei sofrer é uma medida sócio-educativa. Logo, vale a pena correr o risco". Trata-se, claro, de criação hipotética, mas não se pode negar que é perfeitamente plausível.

Alguns defensores da manutenção da maioridade penal aos 18 anos argumentam que a redução desta para os 16 anos traz o risco de "levarmos para a cadeia crianças em formação".

Este tipo de argumento, com o devido respeito, mostra um fato tradicional na legislação criminal: "a elaboração de leis pensando-se na exceção". Efetivamente, não se pode mais admitir que o legislador evite o recrudescimento necessário da lei penal por imaginar sempre a hipótese do "agente que cometeu o crime por fraqueza eventual ou deslize", ou que sempre deixe brechas na lei processual imaginando a hipótese do "inocente que está sendo injustamente condenado". Isso resulta na criação de leis extremamente brandas, impondo ao Poder Público que trate a regra como se fosse a exceção. Isto é, dispensa-se ao criminoso grave o tratamento brando que só mereceria o criminoso eventual, imaginado pelo legislador quando da elaboração ou modificação legal.

O fato é que, na atualidade, pode-se afirmar, com segurança, que mais de 95% (noventa e cinco por cento) dos casos de adolescentes entre 16 e 18 anos infratores é de criminosos habituais e perigosos, que roubam, traficam, estupram e matam, sem titubear, já que não há o que temer em resposta a seus atos. Para estes casos, urge que a maioridade penal seja reduzida para os 16 anos.

Caso algum maior de 16 anos tenha cometido o crime sem que se encaixe no perfil descrito acima (que é a regra), tratando-se de pessoa de boa formação e conduta, que cometeu o fato por deslize, descuido, fato eventual, não merecendo ser encarcerado junto a bandidos perigosos, sob pena de prejudicar o seu futuro desenvolvimento, o juiz criminal, através de seu prudente arbítrio, saberá reconhecer tais fatores, podendo tratá-lo de forma diferenciada, através da atenuação ou redução de sua pena ou mesmo aplicação de penas alternativas, todas já previstas no Código Penal, podendo, aliás, o legislador prever outras próprias para tais casos.

Salienta esse articulista que tem consciência que o problema da criminalidade juvenil tem origem social, estando ligado a falta de educação e oportunidades para os jovens e suas famílias, levando-os ao crime, muitas vezes, não por vontade própria, mas por não vislumbrar outra saída. Assim, a solução do problema estaria relacionada muito mais a implantação de políticas públicas de educação e emprego, com resultados a longo prazo, do que a mudanças legislativas.

Ocorre, entretanto, que a sociedade não pode esperar pela boa vontade dos governantes, pois, primeiro, teríamos que esperar a implantação de tais políticas e, segundo, esperar que, uma vez implantadas, surtissem seus resultados, com a diminuição da criminalidade. Até lá, temos que nos proteger contra a livre ação de pessoas sem freios. E a intimidação através do tratamento penal mais severo é uma das formas das quais dispomos.

Trata-se de uma escolha a ser tomada pela sociedade entre dois caminhos: mantém-se a maioridade penal aos 18 anos e aguarda-se a implantação de políticas governamentais para resolver o problema "na raiz" ou reduz-se, desde logo, dita maioridade para os 16 anos, podendo-se, a partir de então, punir-se os infratores segundos a legislação penal e processual penal.

Optando pela redução, que é a posição defendida neste artigo, a mudança deve ser feita no âmbito do Congresso Nacional, por meio de Emenda Constitucional, uma vez que a maioridade penal aos 18 anos está prevista no art. 228 da Constituição Federal, cabendo à sociedade pressionar os Deputados Federais e Senadores e alterar o texto constitucional.

Pense, reflita e tome posição.

Referência

ARAÚJO, Kleber Martins de. Pela redução da maioridade penal para os 16 anos. Jus Navigandi, Teresina, ano 8n. 16215 dez. 2003 . Disponível em: <http://jus.com.br/revista/texto/4578>. Acesso em: 16 abr. 2013.





15 de abr de 2013

Cissa manda recado para a família do motorista que atropelou seu filho




Parabéns Cissa pela luta e persistência! Que mais e mais pessoas tenha a coragem que você tem. Que sua lutar e determinação sirva de exemplo. Lute sempre para que a morte de  seu filho não tenha sido em vão.  E que não seja esquecida, como acontece atualmente. Nada vai trazer seu filho de volta, mas que espero que a justiça seja feita.


14 de abr de 2013

Beijo: um discurso amoroso sem palavras!


Beijo no asfalto
Enquanto uns gastam a sua energia e paixão na guerra, outros apostam no amor e no cuidado. A cena do BEIJO NO ASFALTO foi protagonizada pelo casal Alexandra Thomas e Scott Jones. No confronto entre torcedores de hockey e a polícia canadense, Alexandra Thomas foi derrubada por um policial e caiu no chão. O fotógrafo Richard Lam registra o momento em que Scott Jones a abraçou e a beijou, para confortá-la. O velho slogan dos pacifistas da década de 60 ainda está valendo: FAÇA AMOR NÃO FAÇA GUERRA!
beijo de Fernanda
A atriz Fernanda Montenegro, de 83 anos, deu um beijo na boca da atriz Camila Amado, de 77, em protesto contra a permanência do deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) no comando da Comissão de Direitos Humanos da Câmara - Foto de Cristina Granato.

Maradona e Caniggia

Maradona e Caniggia se beijam na comemoração de um dos gols da goleada do Boca Juniors por 4 a 1 sobre o River Plate.


Beijo na enfermeira
Marinheiro americano beija a enfermeira Edith Shain na Time Square
durante a celebração da vitória sobre o Japão – 1945. 

beijo em paris
Foto de Robert Doisneau mostra um casal se beijando em frente a Prefeitura de Paris, logo depois da Segunda Guerra.

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2013. Disponível em: http://toleranciaecontentamento.blogspot.com.br/Acesso em: 14 abr. 2013.

12 de abr de 2013

UM CINTURÃO - Graciliano Ramos


As minhas primeiras relações com a justiça foram dolorosas e deixaram-me funda impressão. Eu devia ter quatro ou cinco anos, por aí, e figurei na qualidade de réu. Certamente já me haviam feito representar esse papel, mas ninguém me dera a entender que se tratava de julgamento. Batiam-me porque podiam bater-me, e isto era natural.

Os golpes que recebi antes do caso do cinturão, puramente físicos, desapareciam quando findava a dor. Certa vez minha mãe surrou-me com urna corda nodosa que me pintou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos molhados com água de sal - e houve uma discussão na família. Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer. Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó. Se não fosse ele, a flagelação me haveria causado menor estrago. E estaria esquecida. A história do cinturão, que veio pouco depois, avivou-a.

Meu pai dormia na rede, armada na sala enorme. Tudo é nebuloso. Paredes extraordinariamente afastadas, rede infinita, os armadores longe, e meu pai acordando, levantando-se de mau humor, batendo com os chinelos no chão, a cara enferrujada. Naturalmente não me lembro da ferrugem, das rugas, da voz áspera, do tempo que ele consumiu rosnando uma exigência. Sei que estava bastante zangado, e isto me trouxe a covardia habitual. Desejei vê-lo dirigir-se a minha mãe e a José Baía, pessoas grandes, que não levavam pancada. Tentei ansiosamente fixar-me nessa esperança frágil. A força de meu pai encontraria resistência e gastar-se-ia em palavras.

Débil e ignorante, incapaz de conversa ou defesa, fui encolher-me num canto, para lá dos caixões verdes. Se o pavor não me segurasse tentaria escapulir-me: pela porta da frente chegaria ao açude, pela do corredor acharia o pé de turco. Devo ter pensado nisso, imóvel, atrás dos caixões. Só queria que minha mãe, sinhá Leopoldina, Amaro e José Baía surgissem de repente e me livrassem daquele perigo.

Ninguém veio, meu pai me descobriu acocorado e sem fôlego, colado ao muro, e arrancou-me dali violentamente, reclamando um cinturão. Onde estava o cinturão? Eu não sabia, mas era difícil explicar-me: atrapalhava-me, gaguejava, embrutecido, sem atinar com o motivo da raiva. Os modos brutais, coléricos, atavam-me; os ,sons duros morriam, desprovidos de significação.

Não consigo reproduzir toda a cena. Juntando vagas lembranças dela a fatos que se deram depois, imagino os berros de meu pai, a zanga terrível, a minha tremura infeliz. Provavelmente fui sacudido. O assombro gelava-me o sangue, escancarava-me os olhos.

Onde estava o cinturão? Impossível responder. Ainda que tivesse escondido o infame objeto, emudeceria, tão apavorado me achava. Situações deste gênero constituíram as maiores torturas da minha infância, e as conseqüências delas me acompanharam.

O homem não me perguntava se eu tinha guardado a miserável correia: ordenava que a entregasse imediatamente. Os seus gritos me entravam na cabeça, nunca ninguém se esgoelou de semelhante maneira.

Onde estava o cinturão? Hoje não posso ouvir uma pessoa falar alto. O coração bate-me forte, desanima, como se fosse parar, a voz emperra, a vista escurece, uma cólera doida agita coisas adormecidas cá dentro. A horrível sensação de que me furam os tímpanos com pontas de ferro.

Onde estava o cinturão? A pergunta repisada ficou-me na lembrança: parece que foi pregada a martelo.

A fúria louca ia aumentar, causar-me sério desgosto. Conservar-me-ia ali desmaiado, encolhido, movendo os dedos frios, os beiços trêmulos e silenciosos. Se o moleque José ou um cachorro entrasse na sala, talvez as pancadas se transferissem. O moleque e os cachorros eram inocentes, mas não se tratava disso. Responsabilizando qualquer deles, meu pai me esqueceria, deixar-me-ia fugir, esconder-me na beira do açude ou no quintal.

Minha mãe, José Baía, Amaro, sinhá Leopoldina, o moleque e os cachorros da fazenda abandonaram-me. Aperto na garganta, a casa a girar, o meu corpo a cair lento, voando, abelhas de todos os cortiços enchendo-me os ouvidos - e, nesse zunzum, a pergunta medonha. Náusea, sono. Onde estava o cinturão? Dormir muito, atrás dos caixões, livre do martírio.

Havia uma neblina, e não percebi direito os movimentos de meu pai. Não o vi aproximar-se do torno e pegar o chicote. A mão cabeluda prendeu-me, arrastou-me para o meio da sala, a folha de couro fustigou-me as costas. Uivos, alarido inútil, estertor. Já então eu devia saber que rogos e adulações exasperavam o algoz. Nenhum socorro. José Baía, meu amigo, era um pobre-diabo.

Achava-me num deserto. A casa escura, triste; as pessoas tristes. Penso com horror nesse ermo, recordo-me de cemitérios e de ruínas mal-assombradas. Cerravam-se as portas e as janelas, do teto negro pendiam teias de aranha. Nos quartos lúgubres minha irmãzinha engatinhava, começava a aprendizagem dolorosa.

Junto de mim, um homem furioso, segurando-me um braço, açoitando-me. Talvez as vergastadas não fossem muito fortes: comparadas ao que senti depois, quando me ensinaram a carta de A B C, valiam pouco. Certamente o meu choro, os saltos, as tentativas para rodopiar na sala como carrapeta eram menos um sinal de dor que a explosão do medo reprimido. Estivera sem bulir, quase sem respirar. Agora esvaziava os pulmões, movia-me, num desespero.

O suplício durou bastante, mas, por muito prolongado que tenha sido, não igualava a mortificação da fase preparatória: o olho duro a magnetizar-me, os gestos ameaçadores, a voz rouca a mastigar uma interrogação incompreensível.

Solto, fui enroscar-me perto dos caixões, coçar as pisaduras, engolir soluços, gemer baixinho e embalar-me com os gemidos. Antes de adormecer, cansado, vi meu pai dirigir-se à rede, afastar as varandas, sentar-se e logo se levantar, agarrando uma tira de sola, o maldito cinturão, a que desprendera a fivela quando se deitara. Resmungou e entrou a passear agitado. Tive a impressão de que ia falar-me: baixou a cabeça, a cara enrugada serenou, os olhos esmoreceram, procuraram o refúgio onde me abatia, aniquilado.

Pareceu-me que a figura imponente minguava - e a minha desgraça diminuiu. Se meu pai se tivesse chegado a mim, eu o teria recebido sem o arrepio que a presença dele sempre me deu. Não se aproximou: conservou-se longe, rondando, inquieto. Depois se afastou.

Sozinho, vi-o de novo cruel e forte, soprando, espumando. E ali permaneci, miúdo, insignificante, tão insignificante e miúdo como as aranhas que trabalhavam na telha negra.

Foi esse o primeiro contato que tive com a justiça.
(“Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”)
Graciliano Ramos viveu os primeiros anos em diversas cidades do Nordeste brasileiro. Terminando o segundo grau em Maceió, seguiu para o Rio de Janeiro, onde passou um tempo trabalhando comojornalista. Voltou para o Nordeste em setembro de 1915, fixando-se junto ao pai, que era comerciante em Palmeira dos ÍndiosAlagoas. Neste mesmo ano casou-se com Maria Augusta de Barros, que morreu em 1920, deixando-lhe quatro filhos.
Foi eleito prefeito de Palmeira dos Índios em 1927, tomando posse no ano seguinte. Ficou no cargo por dois anos, renunciando a 10 de abril de 1930. Segundo uma das auto-descrições, "(...) Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas." Os relatórios da prefeitura que escreveu nesse período chamaram a atenção de Augusto Frederico Schmidt, editor carioca que o animou a publicar Caetés (1933).
Entre 1930 e 1936 viveu em Maceió, trabalhando como diretor da Imprensa Oficial e diretor da Instrução Pública do estado. Em 1934 havia publicado São Bernardo, e quando se preparava para publicar o próximo livro, foi preso em decorrência do pânico insuflado por Getúlio Vargas após aIntentona Comunista de 1935. Com ajuda de amigos, entre os quais José Lins do Rego, consegue publicar Angústia (1936), considerada por muitos críticos como sua melhor obra.

Em 1938 publicou Vidas Secas. Em seguida estabeleceu-se no Rio de Janeiro, como inspetor federal de ensino. Em 1945 ingressou no antigo Partido Comunista do Brasil - PCB (que nos anos sessenta dividiu-se em Partido Comunista Brasileiro - PCB - e Partido Comunista do Brasil - PCdoB), de orientação soviética e sob o comando de Luís Carlos Prestes; nos anos seguintes, realizaria algumas viagens a países europeus com a segunda esposa, Heloísa Medeiros Ramos, retratadas no livro Viagem (1954). Ainda em 1945, publicou Infância, relato autobiográfico.
Adoeceu gravemente em 1952. No começo de 1953 foi internado, mas acabou falecendo em 20 de março de 1953, aos 60 anos, vítima de câncer do pulmão.
O estilo formal de escrita e a caracterização do eu em constante conflito (até mesmo violento) com o mundo, a opressão e a dor seriam marcas da literatura. Memória: Graciliano foi indicado ao premio Brasil de literatura (fonte: wikipédia).

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2013. Disponível em: http://educarsemviolenciacriticas.blogspot.com.br/2011/01/um-cinturao-graciliano-ramos.html?showComment=1365815351130#c2169667539638557177. Acesso em: 13 abr. 2013.