29 de set de 2012

Atletas de nado sincronizado da espanha denunciam treinadora por maus tratos e assédio moral



hannah_arendt10
“A prática da violência, como toda ação, muda o mundo, mas a mudança mais provável é para um mundo mais violento (ARENDT, 1994, p.58).
Todo ato violento está orientado por uma razão instrumental, ou seja, uma crença irrefutável e amoral de que o fins justificam os meios.

Abaixo alguns depoimentos das atletas:
“Ana Violán, que fez parte da equipe até 2007, contou que uma vez estava passando mal e pediu à treinadora para sair da piscina porque sentia vontade de vomitar. ‘Não, engole porque ainda resta uma hora e meia para terminar (o treino)’, foi a resposta que recebeu. ‘Se sair, você vai para casa e não precisa voltar, completou Anna Tarrés, segundo relato de Violán.

’Fora da água, sua gorda! Vai procurar um psicólogo! Nem venha fazer o próximo (exercício), se você come tudo que se move!’ Segundo as atletas, essas eram frases comuns proferidas por Tarrés. A denúncia começou com a nadadora Paola Tirados, que colocou um texto na internet. Em seguida ela recebeu apoio de outras 14 colegas, que assinaram o manifesto”.

“As nadadoras reconhecem o valor dos resultados obtidos pela treinadora. Mas explicam que decidiram contar suas histórias para revelar o sofrimento que ficou ‘escondido sob as medalhas. E explicam por que se mantiveram caladas e só decidiram levar à tona o que viveram depois que Anna Tarrés foi demitida. ‘Nós mesmas temos parte da culpa’, admitem. ‘Achávamos que Anna era uma figura inatingível. Ou você estava com ela, ou contra ela. E estar contra ela era despedir-se da própria carreira’, escreveram”.

Veja a mais AQUI



REFERÊNCIA:
ARENDT, Hannah. Sobre a violência. Tradução de André Duarte. Rio de Janeiro: Relume-Damara, 1994. In: Blog Educar sem Violência. Cida Alvres. 2012.

28 de set de 2012

Violência na educação de crianças um passado que insiste em não passar.



Montaigne
“Em vez de convidar as crianças para as letras, na verdade não se mostra a elas mais do que crueldade e horror. Eliminem a violência e a força: nada há, em minha opinião, o que envileça tanto uma natureza bem-nascida. Se desejas que sinta temor pela vergonha e pelo castigo, não lhe habitues a isso” (Montaigne, 1533 - 1592).

Em pleno século XXI: professor no Egito “educa” crianças pequenas com castigos físicos.


Em pleno século XXI: escola no EUA usa eletrochoque como método aversivo em adolescente portador de necessidades especiais.

Vídeo, que mostra jovem amarrado, foi feito em 2002 mas só divulgado agora em 2012.


Americana processa escola que usa choque para tratar filho deficiente
Uma americana está processando a escola onde havia matriculado seu filho deficiente após descobrir que ele foi amarrado e recebeu choques elétricos. A prática foi documentada em vídeo em 2002, mas as imagens só foram divulgadas neste ano. Segundo veículos de imprensa dos Estados Unidos, Andre McCollins, então com 18 anos, também foi mantido em uma sala, sem alimentação, durante sete horas.
O jovem estava matriculado na Judge Rotenberg Center, uma escola para alunos com necessidades especiais de Canton, Massachusetts. A instituição defende o uso dos choques como aversivos, argumentando que são uma alternativa a medicamentos, isolamento ou expulsão em casos de distúrbios severos de comportamento. A terapia, porém, foi questionada pela ONU, segundo a rede de TV ABC.
Veja reportagem completa AQUI

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012.

23 de set de 2012

Achadouros de infância….


Estimado leitor para encantar o seu domingo deixo o olhar sensível sobre a infância do poeta mato-grossense Manoel de Barros e do filme francês “Les Choristes”. Um olhar azul que é capaz de enxergar nas crianças música e poesia.

Menino azul
“As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis:
Elas desejam ser olhadas de azul
Que nem uma criança que você olha de ave”.
Manoel de Barros

Meninas cereias

“Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade. Mas o que eu queria dizer sobre o nosso quintal é outra coisa. Aquilo que a negra Pombada, remanescente de escravos do Recife, nos contava. Pombada contava aos meninos de Corumbá sobre achadouros. Que eram buracos que os holandeses, na fuga apresssada do Brasil, faziam nos seus quintais para esconder suas moedas de ouro, dentro de grandes baús de couro. Os baús ficavam cheios de moedas dentro daqueles buracos. Mas eu estava a pensar em achadouros de infâncias. Se a gente cavar um buraco ao pé da goiabeira do quintal, lá estará um guri ensaiando subir na goiabeira. Se a gente cavar um buraco ao pé do galinheiro, lá estará um guri tentando agarrar no rabo de uma lagartixa. Sou hoje um caçador de achadouros da infância. Vou meio dementado e enxada às costas cavar no meu quintal vestígios dos meninos que fomos (...)” (Manoel de barros).

Fonte: Blog Educar Sem Violência. Cida Alves. 2012.

22 de set de 2012

Minha solidariedade a Isadora Faber e o seu audaz “Diário de Classe”



Diário de Classe
Isadora Faber, do ‘Diário de Classe’, vai parar na delegacia.
Estou aqui embasbacada com mais um absurdo Made In Brazil. Quando via a notícia hoje de manhã fiquei tão indignada, gente desde quando as questões da educação passaram a ser tratadas pela polícia?

Quantos passos nós educadores - ditos homens e mulheres adultos, recuamos quando não sabendo lidar com as críticas apelamos para a censura e a repressão. As críticas são oportunidades de grandes e profundas aprendizagens. Olha, nos adultos temos uma facilidade para por o nosso dedo em riste, como é simples e quase automático fazermos avaliações, criticar e, às vezes até mesmo retaliar, os jovens que estão na condição de aprendiz.

Mas agora chegou a nossa vez, essa garotada está se empoderando e assumindo o seu protagonismo no mundo, com os instrumentos de comunicação que tem em mãos os meninos e as meninas do Brasil aprenderam direitinho a “lição” e hoje disparam os seus dedinhos para as nossas falhas e debilidades.

MAS TEM NOVIDADE BOA AÍ!!! Não vamos perde a oportunidade que essa garotada criou ao levantar o tapetão do mundo adulto e mostrar sem nenhum pudor o tanto de lixo que existe lá em debaixo.

E ante ao lixo encontrado o que devemos fazer? Ora, arregaçar as mangas da camisa, pegar baldes, rodos e vassouras e humildemente ajudar a limpar a sujeira que fizemos. Não é assim que falamos que gente crescida faz? Reconhecendo os erros e agindo no sentido de repará-los nós adultos apontamos o caminho para as novas gerações.  Acredito que não existe outra saída ante as críticas e as revelações queessa menininha fofa, danada, inteligente, linda criou pra toda a sua escola e para nós educadores brasileiros.

Receba o meu beijo Isadora Faber

Cida Alves


Sobre a Intimação Judicial
O motivo do B.O. foi o fato de Isadora ter postado na página do Facebook que sua professora teria realizado uma aula sobre política e internet, para humilhar a menina em sala. Junto com seus pais, Isadora foi à diretoria da escola para esclarecer a situação e a professora teria se desculpado. Veja abaixo o fragmento do post que motivou a ação criminal contra Isadora Faber:

“Em agosto, Isadora publicou na página alguns dos episódios de discórdia entre ela e a professora de português:

‘Hoje a professora de português Queila preparou uma aula pra me ’humilhar’ na frente dos meus colegas, a aula falava sobre politica e internet, ela falava que ninguém podia falar da vida dos professores, porque nós podíamos ter feito muitas coisas erradas pra eles odiarem e etc. Eu e acho que a maioria dos meus colegas entenderam o recado 'pra mim’'. Além disso quando vou até o refeitório as cozinheiras começam a falar de mim, na minha frente e rir, eu e a Melina (minha colega) fomos reclamar com a diretora, então ela disse que eu tenho que aguentar as consequências e que a partir de agora seria assim com todos, não resolveu o problema. Confesso que fiquei muito triste ...”, dizia um dos textos” (Fonte: G1 Santa Catarina).


Vejas mais notícias:
Conheça o perfil “Diário de Classe a verdade…” de Isadora Faber

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012. 

17 de set de 2012

TEMPO DE TRAVESSIA




Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,
que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa

16 de set de 2012

É PROIBIDO





É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.



É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo.


Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.

É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.


É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,


Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.


É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.


É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.


É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.


É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,

Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Alfredo Cuervo Barrero

Fonte: Blog Educar Sem Violência. Cida Alves. 2012

15 de set de 2012

Epidemia de amor pelas crianças - Contardo Calligaris



“O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica” (Norman Vincent Peale).
Mãe conversando com filho
São incontáveis as razões que nos fazem agir com violência! E uma das forças que nos movem para a violência é a nossa incapacidade de lidarmos com as frustrações. Não podemos ensinar nossos filhos as serem tolerantes e equilibrados, se agimos com violência por que algo não aconteceu como esperávamos. E essa capacidade se desenvolve por meio do entendimento dos limites que a realidade apresenta a todos nós, ou seja, jamais poderemos ter tudo que desejamos. Ajudar os nossos filhos a suportar as frustrações que a vida e o outro nos impõe não é uma tarefa fácil, mas é extremamente necessária para um desenvolvimento saudável.

O amor está na capacidade de entender as reais necessidades de uma pessoa, e nem sempre o sim é o melhor a ser oferecido. As frases “não pode”; “isso não está correto”; “agora não dá”; “eu não tenho condições”; “ainda não é a hora”; “desta forma não está bom”.... são feitas de palavras amorosas, pois de fato elas contribuem para que a criança desenvolva um elevado senso de realidade. Não existe desenvolvimento sem crítica e o senso de realidade ajuda a criança a desenvolver recursos internos, como saber esperar, ter disciplina e perseverança. Essas capacidades as ajudaram a não serem impulsivas ou imediatistas, transformando-as assim em pessoas de espírito forte, que evitaram o uso de recursos primitivos como a brutalidade ou a chantagem para conseguir o que desejam (Cida Alves).

Abaixo uma importante reflexão feita por Contardo Calligaris, psicanalista italiano radicado no Brasil.




contardo-calligaris









Contardo Calligaris*

Epidemia de amor pelas crianças
Os elogios incondicionais dos adultos aos filhos não produzem "autoconfiança", mas uma dependência.

1) É habitual que, na infância e na adolescência, um jovem sonhe com vitórias e aplausos, sem pensar nos esforços necessários para merecê-los.

Nestes dias, deparo-me com crianças ninadas por devaneios de glória olímpica. Sem querer, corto seu barato, explicando o que é indispensável fazer para que esses sonhos se transformem numa chance real de chegar lá.

As crianças respondem que elas não têm a intenção de realizar o tal sonho: apenas querem o prazer de devanear em paz. Até aqui, tudo bem, mas os pais me acusam de estragar, além dos sonhos, o futuro dos filhos, os quais, segundo eles, para triunfar na vida, precisariam confiar cegamente em seus dotes.

O problema é que os elogios incondicionais dos pais e dos adultos não produzem "autoconfiança", mas dependência: os filhos se tornam cronicamente dependentes da aprovação dos pais e, mais tarde, dos outros. "Treinados" dessa forma, eles passam a vida se esforçando, não para alcançar o que desejam, mas para ganhar um aplauso.

Claro, muitos pais gostam que assim seja, pois adoram se sentir indispensáveis (no cinema, uma mãe enfia a cara embaixo de seu próprio assento para atender o telefone que vibrou no meio do filme e sussurrar um importantíssimo: sim, pode tomar refrigerante).

2) Meu irmão, aos dez anos, quis que todos escutássemos uma música que ele acabava de "compor". Movimentando ao acaso os dedos sobre o teclado (não tínhamos a menor educação musical), ele cantou uma letra que começava assim: sou bonito e eu o sei. Minha mãe escutou, constrangida, e, no fim, declarou que a letra era uma besteira, e a música, inexistente. Mas, se meu irmão quisesse, ele poderia estudar piano -à condição que se engajasse a se exercitar uma hora por dia. Meu irmão (desafinado como eu) desistiu disso e se tornou um médico excelente.

3) Os pais dos meus pais davam, no máximo, um beijo na testa de seus filhos. Já meus pais nos beijavam e abraçavam. Mesmo assim, não éramos o centro da vida deles, enquanto nossos filhos são facilmente o centro da nossa.

Para a geração de meus avós e de meus pais, a vida dos adultos não devia ser decidida em função do interesse das crianças, até porque o principal interesse das crianças era sua transformação em adulto (criança tem um defeito, foi-me dito uma vez por um tio: o de ser ainda só uma criança).

Lá pelos meus oito anos, eu tinha passado o domingo com meus pais, visitando parentes. A noite chegou, e eu não tinha nem começado meu dever de casa. Pedi uma nota assinada que me desculpasse. Meu pai disse: esta criança está com sono e deve trabalhar, façam um café para ele. Detestei, mas também gostei de aprender que, mesmo na infância, há coisas mais importantes do que sono e bem-estar.

4) Na pré-estreia do último "Batman", em Aurora, Colorado, um atirador feriu 58 pessoas e matou 12. Um comentador da TV norte-americana (não sei mais qual canal) disse, de uma menina assassinada, que ela era "uma vítima inocente".
Se só a menina era inocente, quer dizer que os outros 11, por serem adultos, eram culpados e mereciam os tiros?

Tudo bem, estou sendo de má-fé: o comentador queria nos enternecer e supunha, com razão, que, para a gente, perder um adulto fosse menos grave do que perder uma criança, que tem sua vida pela frente e, como se diz, ainda é "um anjo". No entanto, eu não acredito em anjos e ainda menos acredito que crianças sejam anjos. Também não sei o que é mais grave perder: a esperança de um futuro ou o patrimônio das experiências acumuladas de uma vida? Você trocaria seus bens atuais por um bilhete da Mega-Sena de sábado que vem?

5) Cuidado, não sonho com uma impossível volta ao passado. Essas notas servem para propor uma mudança preliminar na maneira de contabilizar as falhas que podem atrapalhar a vida de nossos rebentos. Explico.

A partir do fim do século 18, no Ocidente, as crianças adquiriram um valor novo e especial. Únicas continuadoras de nossas vidas, elas foram encarregadas de compensar nossos fracassos por seu sucesso e sua felicidade.

Desde essa época, em que as crianças começaram a ser amadas e cuidadas extraordinariamente, nós nos preocupamos com os efeitos nelas de uma eventual falta de amor. Agora, começo a pensar que nossa preocupação com os estragos produzidos pela falta de amor sirva, sobretudo, para evitar de encarar os estragos produzidos pelos excessos de nosso amor pelas crianças.


Enviado por Eleonora Ramos, jornalista e coordenadora do Projeto Proteger – Salvador/Bahia, em 06 de setembro de 2012. In. Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012.

*Contardo Calligaris - Psicanalista italiano radicado no Brasil. É colunista da Folha de S. Paulo. Doutor em Psicologia Clínica pela Universida da Provença (França), onde defendeu a tese "A Paixão de Ser Instrumento", estudo sobre a personalidade burocrática. Professor de Antropologia na Universidade da Califórnia em Berkeley (Estados Unidos), e de Estudos culturais na New School of New York.

13 de set de 2012

Angélica Goulart é a nova Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República


Angelica




Com um sorriso bem largo no rosto e o peito todo estufado o Blog EDUCAR SEM VIOLÊNCIA comunica que Angélica Moura Goulart, integrante da coordenação da REDE NÃO BATA EDUQUE, é a nova Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Por Renata Giraldi - Repórter da Agência Brasil
Brasília – A ministra Gleisi Hoffmann, chefe da Casa Civil, nomeou hoje (12) a nova secretária nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, Angélica Moura Goulart. Ela substitui Carmen Silveira de Oliveira. A nova secretária tomará posse às 17h30.

A nomeação de Angélica Goulart está publicada na edição desta quarta-feira doDiário Oficial da União, Seção 2, página 1 e pode ser acessada no site da Imprensa Nacional.

Formada em serviço social pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e especializada em direito especial da criança e do adolescente pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Angélica atuou na Rede Nacional da Primeira Infância e no Grupo Gestor da Rede Não Bata, Eduque.

Professora de educação básica nas redes estadual e municipal do Rio por duas décadas, a nova secretária participou, durante 23 anos, do comando da Fundação Xuxa Meneghel, assumindo, inclusive, a presidência da entidade. Ela disse que a meta é trabalhar para promover os direitos das crianças brasileiras.

Fonte: Agência Brasil, em 12 setembro de 2012 – 12h53 - Edição: Graça Adjuto. In Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012. 

A brincadeira reinventa o mundo


“Cada criança que brinca se comporta como um poeta, na medida em que cria um mundo próprio, ou melhor, reorganiza seu mundo segundo uma ordem nova” (Ana Maria Clarck Peres)*.
Crianças na lama

Estimado leitor deixo para você nesse domingo algumas músicas de Arnaldo Antunes do álbum “Lá em casa”. Espero que goste do iêiêiê no quintal e da descomprometida alegria dos músicos que cantam como meninos brincando na lama.




“Crianças gostam de fazer perguntas sobre tudo. Mas nem todas as respostas cabem num adulto” (Arnaldo Antunes).









*Fonte:  Infância e memória em Carlos Drummond de Andrade. In Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012. 

8 de set de 2012

Bullying: aluno é arrastado em sala por colegas e professor


Bullying: aluno é arrastado em sala por colegas e professor

Um caso de bullying "sem precedentes" deixou a comunidade do condado dePierce (estado de Washington, EUA) estarrecida.
Um menino de 13 anos foi aterrorizado em sala de aula por outros alunos e pelo professor!

O incidente ocorreu na escola pública de ensino médio de Gig Harbor e foi registrado por uma câmera de celular. A vítima foi amordaçada e arrastada.

A sessão de tortura durou 15 minutos. O professor, John Rosi, participou de algumas das "atividades". Em outras, funcionou como "orientador".

Pasme: o professor foi punido com suspensão de dez dias, e foi transferido para outro colégio.
O professor se desculpou pelo incidente, mas eclareceu que ele "não foi diferente ou mais nocivo do que qualquer outra brincadeira feita por crianças".

Os pais do aluno que sofreu o abuso não se deram por satisfeitos e solicitaraminvestigação criminal.
"Ele me disse: 'Eu quero morrer. Eu quero me matar' ", contou ao canal KING 5 o pai da vítima.
O menino foi transferido para uma escola particular e está com acompanhamento de psicólogo.


Video | News | Weather | Sports
Wed Aug 29 13:15:40 PDT 2012

Bullying at Kopachuck MS recorded in cell phone video

The following edited segment of video was shot by students at Kopachuck Middle School in February 2012. The video was provided to KING 5 News by the parents of the student involved. view full article

Fonte: O Globo. Enviado por Fernando Moreira - 
30.08.2012. Disponívelem:
http://oglobo2.globo.com/blogs/pagenotfound/posts/2012/08/30/bullying-aluno-arrastado-em-sala-por-colegas-professor-462902.asp. Acesso em: 8 set. 2012.

O retrato de uma infância feliz. Será?



A Invenção da Infância - Ser criança não significa ter infância. Uma reflexão sobre o que é ser criança no mundo contemporâneo.

Enviado por Aparecido Araujo Lima, jornalista e integrante da Rede de Blogueiros Progressistas de São Paulo, em 28 de agosto de 2012. In: Blog Educar Sem Violência. Cida Alves. 2012.

6 de set de 2012

Como educar sem bater - dicas do blog Paciente Psiquiátrico


Nise da Silveira
"O que melhora no atendimento é o contato afetivo de uma pessoa com outra. O que cura é a alegria, o que cura é a falta de preconceito."
Nise da Silveira
 
Primeiro não se deve bater nos filhos porque os filhos imitam os pais. Filhos que apanham dos pais batem nos outros e as vezes batem nos próprios pais... mais cedo ou mais tarde!
As crianças imitam os adultos, portanto a melhor forma de educar as crianças é através de bons exemplos.
As vezes as crianças provocam os adultos de propósito. E se o adulto cai na provocação e bate na criança, sem dúvida a provocação da criança funcionou e o adulto não foi maduro o suficiente para lidar com a provocação com argumentos e firmeza.
Eu garanto que seu filho o admirará muito se você agir com calma sempre diante das bagunças dele.
Em vez de bater ou punir, ensine, com calma e esmero.
Ele ficará espantado com sua calma e terá isso como exemplo, o exemplo do controle e da calma, em vez da violência.
Explique para o seu filho porque não se deve fazer algo. Se ele não entender logo, tenha paciência e explique de novo.
Lembre-se que a paciência é exemplar e a violência é sinal de fraqueza e incapacidade de conversar, incapacidade de resolver os problemas com coragem. As pessoas recorrem a violência quando não sabem mais o que fazer.
Mas bater em alguém mais fraco ou impor proibições ou outras punições não é autoridade. É AUTORITARISMO. Autoritarismo causa revolta, e não respeito.
Violência é a incapacidade de resolver os problemas com estratégia.
Exemplo: se seu filho xingar e você bater nele ele apenas sentirá raiva e revolta e não aprenderá nada com isso. Se você proibi-lo de usar o computador para puni-lo ele só sentirá raiva e tentará usar o computador escondido.
Não dê punições. Dê exemplos. Ou seja, tome providências que ensinem. Se ele xingar converse com ele seriamente, faça uma REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA. PARE TUDO PARA FAZER A REUNIÃO.
Tenha uma conversa demorada, pois fazê-lo entender a gravidade de ofender outra pessoa ou fazer algo errado é mais importante que uma reunião de negócios de uma grande empresa.
O simples fato de você fazer uma REUNIÃO SÉRIA com ele mostrará para ele que a coisa é importante.
Lembre-se que ser pai ou mãe é uma grande responsabilidade, a maior de sua vida.
Você nunca conseguirá controlar seu filho batendo nele. Nunca conseguirá controlar seu filho com punições.
O homem consegue controlar outros animais, consegue domar animais com violência, punição e força, mas um homem não consegue domar outro homem. Seus filhos ou suas filhas não podem ser domados como animais. Pois eles são filhotes do animal homem e agem como homem.
Violência é sinal de insegurança, descontrole, fraqueza e medo. Você não quer que todos esses defeitos passem para seu filho, não é mesmo?
As pessoas praticam violência quando não conseguem contornar a situação com argumentos e firmeza. Importante: firmeza não é fazer cara feia. Firmeza é ser persistente, insistir no que você está ensinando.


Nise da Silveira 1
Conheça um pouco da história dessa
mulher extraordinária, visionária e REBELDE!!!

Nise da Silveira, a mulher que se rebelou e decidiu não apertar mais o botão do eletro choque!



Fonte: O texto e a citação de Nise da Silveira forão extraidos de um blog muito bacana. Vale a pena conferir as informações prestadas pelo PACIENTE PSIQUIÁTRICO. In: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012.

2 de set de 2012

Olhos encantados – Rubem Alves

Estimado leitor do blog deixo com você as palavras de Rubem Alves e o brilho nos olhos da criança para encantar o seu domingo.

Olhos encantados
“ Quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos encantados. Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento” (Rubem Alves).
Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012.

Fórum DCA da Bahia denuncia irregularidades em processo de adoção


Divulgando a Nota Pública da Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Bahia

NOTA PÚBLICA

O FORUM DE DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE/Fórum DCA/Bahia, representando mais de 80 organizações do movimento social baiano, vem a público para exigir, como é seu dever, a devidareparação dos direitos de cinco crianças do município de Monte Santo, retiradas à força da família, e entregues a pessoas residentes no interior do estado de São Paulo,por força de sentenças judiciais, sentenças essas que configuram total desrespeito ao que determinam o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Constituição Federal e a Convenção Internacional dos Direitos da Criança.

O fato ocorrido em maio de 2011 só agora veio à tona, revelando a violência invisível contra famílias fragilizadas pela pobreza, que perdem seus filhos para o comércio e tráfico de crianças, em regiões onde o sistema de garantias de direitos não consegue protegê-las.

Ainda há tempo para que o Ministério Público, o Tribunal de Justiça da Bahia e mesmo o Juizado da Comarca revejam, o mais rápido possível, a injustiça cometida contra essa família.

Entretanto, é de fundamental importância nesse momento alertar as redes de proteção para identificar, prevenir e denunciar situações semelhantes, que possam talvez configurar comércio e tráfico de seres humanos, muitas vezes mascarados sob a forma de guarda, tutela ou adoção irregulares de crianças, considerando ainda que o município de Monte Santo encontra-se identificado como rota de tráfico de pessoas.


Assim sendo o Fórum de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente/ FDCA BAHIA vem a público exigir:
  • O retorno imediato das crianças ao seio familiar;
  • A apuração rigorosa de como se deu o processo de adoção das crianças;
  • A punição dos responsáveis pela ação que concedeu as crianças em guarda para diversas famílias, rompendo abruptamente os laços familiares;
  • Que o sistema judicial se retrate dos erros cometidos;
  • Que a família seja ressarcida dos prejuízos causados pela ação;
  • A mobilização de todo o Sistema de Garantia de Direitos do território nacional, para impedir que este fato figure apenas como mais mais um êrro judicial, evitando que tais fatos voltem a acontecer no Brasil.

Alie-se à nossa luta, retransmitindo este documento. Toda ajuda será bem vinda!!!FÓRUM DCA/Bahiaforumdcaba@gmail.com

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012. 

1 de set de 2012

Um conto, com prólogo e moral, segundo alguns fragmentos das Confissões de Rousseau – Jorge Larrosa



As confissões




Apresento a você leitor do Blog Educar Sem Violência parte da metanarrativa* feita por Jorge Larrosa de fragmentos das “CONFISSÕES DE ROUSSEAU”. Acredito que a releitura que Larrosa faz do texto de Rousseau dá uma grande força no nosso movimento de erradicação dos castigos físicos e humilhantes na educação e no cuidado de crianças e adolescentes.








“(...) A EXPULSÃO DO PARAÍSO.

Um dia, o menino Jean Jaques Rousseau, que na época tinha 10 anos e passava uma temporada no campo, na casa de uns parentes, foi acusado e castigado injustamente. Acusaram-no de ter quebrado os pentes da senhorita Lambercier que uma empregada havia posto para secar na estufa do quarto onde ele estudava sozinho suas lições. Jean Jaques jurava que não havia tocado os pentes, mas esses estavam quebrados e ninguém mais que ele tinha entrado no quarto. Os protestos do menino, que persistia teimosamente em sua negativa, foram tomados como obstinação no engano. O pequeno Jean Jaques, inocente não confessava. E, naturalmente, foi duramente castigado, não só pela travessura de ter quebrado os pentes, se não, sobre tudo, por ter sido teimoso, arrogante e mentiroso. Um episódio trivial. Algo que, seguramente, deve ter ocorrido com todo mundo. Mas o importante é como Rousseau o conta. E como o leva a categoria de um trauma inicial, de uma verdadeira expulsão do Paraíso.

O que aí viu Jean Jaques – não o menino Jean Jaques, que então não via nada, o pobre menino somente sentia indignação e raiva, sentia a arbitrariedade, ou seja lá o que sente um menino de dez anos em um caso assim. Para o Jean Jaques adulto - o que escreve as Confissões e que já estava armado de uma linguagem bastante consolidada, foi o final da infância, da felicidade, da inocência e da pura presença em si da imediatez dos sentimentos. Até o momento do castigo havia confiança, intimidade e transparência entre os corações: era possível para uns ler diretamente o que sucedia nas almas dos outros e era possível também que uma pessoa lesse o que ocorria em sua própria alma. Mas a injustiça fez nascer uma distância entre a verdade (o fato de que o menino não tinha quebrado os pentes) e as aparências (o fato de que parecia que tinha quebrado) e deu a Jean Jaques a consciência da separação: um véu cobria a verdade dos sentimentos, a realidade das almas humanas. Sobre o que cada um é se estendia já irremediavelmente o véu das aparências. E abriu, por tanto, a possibilidade de jogar com o véu, por tanto a possibilidade da mentira, da dissimulação e da hipocrisia. A moral era de que se uma pessoa pode parecer culpada sem ser, também pode parecer inocente sem ser. Segundo nos conta Jean Jaques o jogo das aparências lhe ensinou a mentir. E quando uma pessoa aprende a mentir, aprende também, em seguida, a mentir-se.
E assim foi como nossa inocente criatura se fez uma pessoa adulta. Porque as pessoas adultas são adultas por que esqueceram que foram crianças, por que sepultarão em algum lugar remoto de sua consciência a violência que os fizeram adultos. E porque se esquecerão inclusive do esquecimento, desse gesto que os fizeram enterrar o que são. Para ser adulto confortavelmente, as pessoas adultas tem que pensar que as aparências são a realidade, que o deserto é o paraíso, que a mentira é a verdade“ (LARROSA, 1995, 207 – 209).


Sugestão de Leitura:
ROUSSEAU E SUA PROPOSTA DE EDUCAR AS CRIANÇAS SEM VIOLÊNCIA
Maria Aparecida Alves da Silva
Resumo
Esta monografia tem como objetivo estabelecer uma relação entre a concepção de mundo e de homem desenvolvida por Rousseau e sua proposta de educação não coercitiva, ou seja, sem métodos disciplinares violentos. Duas idéias desenvolvidas no Discurso sobre as desigualdades são destacadas, a da bondade e da igualdade original inscrita na natureza humana. A conservação de si mesmo, a piedade natural, a liberdade, a perfectibilidade são conceitos eleitos como chaves para a compreensão da educação negativa, do qual Rousseau propõe na obra ‘Emílio ou Da Educação’. Fragmentos de textos desta obra são recortados com a finalidade de ressaltar o entendimento de Rousseau sobre a educação e a infância. Alguns episódios do Emílio são evidenciados para demonstrar por que, na visão de Rousseau, os métodos coercitivos, como as punições violentas, não devem ser aplicados em sua proposta educativa.
Palavras-chave: mundo; homem; infância; educação; violência.
Acesse a monografia AQUI


JorgeLarrosa

Sobre Jorge Larrosa
Nació en 1951. Es licenciado en Pedagogía y Filosofía, doctor en Pedagogía, y catedrático de Filosofía de la Educación en la Universidad de Barcelona. En su trabajo ha desarrollado una importante reflexión sobre la lectura: su gravitación en la cultura, su incidencia en los planes de formación, los complejos vínculos entre escritor y lector, su impacto en la filosofía y la pedagogía.
Algunos de sus libros son: La experiencia de la lectura. Estudios sobre literatura y formación (1996), Pedagogía profana. Ensayos sobre lenguaje, subjetividad y educación (2000), Entre las lenguas. Lenguaje y educación después de Babel (2003) y La experiencia de la lectura (2004).

REFERÊNCIA:

*LARROSA, Jorge. Las paradojas de la autoconciencia. In: LARROSA, Jorge; ARNAUS, Remei et al. Déjame que te cuento. Ensayos sobre narrativas y educaión. Barcelona: Laertes, 1995.

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012.

Gritar, ameaçar e humilhar uma criança são atitudes tão nocivas quanto bater



Violência verbal 1
Seja aprovado ou não pelo Congresso Nacional, o projeto apelidado de "Lei da Palmada", que proíbe os castigos físicos e tratamentos degradantes de crianças e adolescentes pelos pais, já vem provocando mudanças. Desde 2003, quando começou a ser delineado, bater nos filhos tornou-se uma atitude politicamente incorreta, em especial depois que psicólogos, psiquiatras e educadores passaram a questionar seus resultados como medida educativa. É óbvio que é praticamente impossível saber o que acontece dentro dos lares, mas, hoje em dia, quem desfere uns tabefes, em local público, é alvo imediato de olhares de reprovação –e pode ter de dar explicações ao Conselho Tutelar. Some-se a isso os vídeos caseiros de flagrantes de violência e uma patrulha informal está formada.

Para os especialistas em comportamento, no entanto, não é só bater que é prejudicial e traumático. "Educar não é fácil. Não nascemos sabendo ser pais. Apesar de os tempos terem mudado, costumamos seguir os modelos que já conhecemos, de nossos pais e avós", explica o pediatra Moises Chencinksi"E, se não se bate mais, por ser politicamente incorreto, e de fato inadequado, busca-se outras formas de ‘opressão’ para ‘educar’: gritar, castigar, xingar, ofender, humilhar...", declara. E, por essa lógica, o próprio especialista questiona: quem gosta de ser humilhado? Quem aprende algo assim? Quem pode ser feliz sendo tratado dessa forma?

Violência verbal 4

Na opinião da psiquiatra Ivete Gianfaldoni Gattás, coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo, primeiro é preciso entender que bater em um filho com a pretensão de educá-lo ou corrigi-lo é um engano, já que está apenas a serviço da descarga de tensão de quem pratica a violência. "Mas xingar, humilhar ou gritar, além de colaborar para que as crianças cresçam com medo e a autoestima prejudicada, nos afastam delas", afirma. Para Miriam Ribeiro de Faria Silveira, diretora do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo, quando os pais gritam o tempo todo com a criança demonstram muito mais desequilíbrio do que autoridade. "O pior é que elas também começam a gritar e ficam ansiosas, angustiadas e com muito medo, pois, onde deveriam ter seu porto seguro e soluções, encontram pais desesperados em se fazerem obedecer", diz.

A psicóloga Suzy Camacho concorda que a violência verbal é tão agressiva quanto a física, principalmente se os gritos tiverem uma conotação de ameaça: "Uma hora eu sumo e não volto nunca mais!", "Ainda vou morrer de tanta raiva", "Seu pai vai brigar comigo por sua causa!". "Diante de frases como essas, as crianças se sentem responsáveis por coisas que não são", explica Suzy. Ela também destaca o efeito devastador que os rótulos têm para a autoestima: chamar o filho de preguiçoso, bagunceiro, inútil, por exemplo. "Até os sete anos, a personalidade está em formação. Qualquer termo pejorativo pode marcar para sempre. Tente corrigir ou apontar a atitude, nunca uma característica", afirma. Exemplos? "Não gosto quando você deixa seu quarto desarrumado", "Você precisa prestar mais atenção no que eu falo" etc.

Violência verbal 3
Para as crianças, a opinião dos pais e educadores a respeito de suas atitudes, da sua performance ou mesmo de seus atributos de beleza e inteligência são muito importantes na construção de uma personalidade. Ao perceberem que os pais não a admiram, elas tendem a se depreciar, o que pode culminar em casos de depressão, agressividade e fuga do convívio familiar. "Xingar e usar palavrões trazem consequências, pois é uma forma de depreciação. E como todas as crianças costumam copiar os pais, consequentemente, vão se comunicar dessa forma", diz Miriam SilveiraJá castigos cruéis despertam nas crianças a agressividade. "Nas mais extrovertidas observaremos atitudes hostis com adultos, com outras crianças e animais de estimação. Nas tímidas, as sequelas são angústia e ansiedade, sentimentos que podem impedir um desenvolvimento neuro-psíquico normal", diz Miriam.

Em muitos casos, a irritação e o cansaço causados por um dia difícil não conseguem ser controlados e o resultado acaba sendo a impaciência com os filhos. Os passos seguintes são a culpa, a frustração, a compensação para, no próximo dia, começar tudo de novo, num ciclo nocivo. Para os especialistas consultados por UOL Comportamento, a velha tática de contar até dez antes de tomar uma atitude drástica opera milagres. "Um adulto sabe que pegou pesado quando se sente angustiado. Dar um tempo freia essa sensação ruim e ajuda a esfriar a cabeça", conta a psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria. "E se os pais, mesmo assim, extrapolarem, sempre recomendo pedir desculpas, porque um grito ou uma palavra mais pesada causa um abalo na segurança que o filho tem nos pais. Admitir que ficou triste com o que aconteceu, que estava bravo, que exagerou, demonstra respeito e ajuda a recuperar a confiança e o carinho", afirma ela.



Fonte: site Psicoterapia Infantil

Enviado por Anna Camire, psicóloga da Secretaria Municipal da Saúde de Goiânia e mamãe coruja do lindo Mateus, em 27 de agosto de 2012. In: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012.