24 de jun de 2013

Pai é suspeito de torturar menino de 8 anos em Macapá

Criança foi encontrada no mato com lesão no olho e queimadura nas mãos.
Homem disse que agressões eram castigos pelas notas na escola.

Anne KarolineDo G1 AP

Menino de 8 anos apresentava queimaduras nas mãos feitas pelo pai (Foto: Anne Karoline/G1)Menino de 8 anos apresentava queimaduras nas mãos, feitas pelo pai, segundo a polícia
(Foto: Anne Karoline/G1)
Um homem de 32 anos foi autuado em flagrante pela Polícia Militar, na manhã de segunda-f
eira (24), em Macapá. Ele é suspeito de torturar o próprio filho, um menino de 8 anos de idade. A prisão aconteceu após a criança fugir de casa no final da tarde de domingo (23). Ela ficou seis horas escondida no mato próximo à casa do pai, até ser encontrada por um vizinho. O caso aconteceu no bairro Marabaixo 4, zona oeste da capital.
Com várias lesões pelo corpo, o menino apresentava um grave ferimento no olho esquerdo, provocado por uma paulada, corte na testa e queimaduras pelas mãos, que, segundo a criança, foram feitas na boca do fogão da casa onde mora.
Mão de criança foi queimada na boca do fogão da casa dos pais (Foto: Anne Karoline/G1)
Mão de criança foi queimada na boca do fogão da
casa dos pais, segundo a polícia
(Foto: Anne Karoline/G1)
Em depoimento à polícia, o pai confessou que bateu na criança na última quinta-feira (20), com uma régua de madeira, que acabou atingindo o olho. Ele também assumiu as queimaduras e justificou informando que foi a punição aplicada pelo baixo rendimento na escola.
Um vizinho de 35 anos, que preferiu não se identificar, encontrou a criança no mato por volta de meia noite, assustado e debilitado. "Pensei em devolver para os pais, mas pelo estado dele, sabia que iriam agredi-lo ainda mais. Então chamei a polícia. Precisei correr atrás dele e conquistar a confiança para que ele viesse até mim", lembra, indignado.
Ao ser acionada, a polícia chegou a ir à casa do menino, e informou que, chegando lá, encontrou os pais com sinais de embriaguez. Eles foram questionados sobre o filho, mas pai e madrasta não souberam dar informações e alegaram que a criança estava desaparecida.
O casal foi encaminhado ao Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) do Pacoval, na zona norte de Macapá. Juntos há quatro anos, eles têm mais duas filhas.
Conselheiro tutelar João Bosco informou que menino está sob medida protetiva (Foto: Anne Karoline/G1)
Conselheiro tutelar João Bosco informou que
menino está sob medida protetiva
(Foto: Anne Karoline/G1)
Agressões
O conselho tutelar da zona sul de Macapá registrou o caso. O conselheiro João Bosco informou que essa não teria sido a primeira vez que o menino teria sido espancado. "Alguns hematomas pelo corpo são de dias anteriores. Segundo a criança, frequentemente o pai a agride. Violência vai desde a física à psicológica”, informou.

A criança vai ficar sob medida protetiva em um abrigo até que algum parente seja localizado. “Ainda não localizamos nenhum parente da criança e nem a mãe biológica. Vamos esperar aparecer alguém e saber se a criança vai querer ficar com algum deles. Mas para o pai ela não volta”, afirma o conselheiro.
De acordo com o delegado Daniel Paes, a madrasta foi liberada pois não tinha envolvimento no caso. O pai foi preso em flagrante por tortura e vai ser encaminhado ao Instituto de Administração Penitenciária (Iapen).
Só no conselho tutelar da zona sul são registrados, em média, 10 casos de espancamentos, por dia, em crianças e adolescentes.

5 de jun de 2013

Mãe diz que gêmeas de 4 anos foram violentadas por gari em escola do Rio

'Elas estão o tempo todo com medo', diz a mãe das supostas vítimas.
Caso é investigado pela 36ª DP (Santa Cruz).

Mariucha MachadoDo G1 Rio

Gêmeas vítimas de abuso em escola municipal na Zona Oeste do Rio (Foto: Mariucha Machado /G1)Gêmeas foram vítimas de abuso em escola municipal na Zona Oeste do Rio (Foto: Mariucha Machado /G1)
Um casal de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, vive momentos de angústia desde o dia 26 de maio, quando o homem desconfiou do comportamento de uma das filhas gêmeas, de 4 anos, que estava muito quieta e constantemente roía as unhas, demonstrando medo. A mãe foi conversar com as crianças e, após uma hora de tentativa, uma delas deu a entender que alguém na escola tinha mexido em suas partes íntimas. "Fui ver e achei que estava vermelhinho”, contou a mulher, que foi à 36ª DP (Santa Cruz) registrar queixa de abuso sexual. O suspeito: um gari que trabalha na escola municipO delegado mandou o casal com as filhas para o Hospital Pedro II, e a médica verificou uma alteração nas partes genitais delas. De volta à delegacia, a mãe recebeu um pedido para exame de corpo de delito, já realizado.
Depois que a primeira menina confirmou para a mãe o que tinha ocorrido, a outra menor também relatou o mesmo problema. As duas choravam muito. “Elas contaram que quem tinha feito a maldade se chamava Leandro e usava o uniforme de gari”.
Segundo a mãe, esse rapaz ficava sempre na porta da escola recebendo os estudantes. “Parecia um funcionário do colégio, porque ele estava todo dia lá.”al onde estudam as duas, local do suposto crime.
A mãe voltou à polícia e informou ao delegado Anderson Ribeiro Pinto o nome do suposto criminoso. Em nota, a Polícia Civil informou que "o caso está sendo investigado e todos procedimentos de praxe estão sendo adotados. Testemunhas estão sendo ouvidas e a vítima já realizou o exame de corpo de delito. O suposto autor, que é um gari, já foi identificado e prestou depoimento. O delegado aguarda o resultado do laudo pericial".
Sindicância aberta
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação do Rio esclareceu que, de acordo com a 10ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), assim que a mãe relatou a situação foi aberta uma sindicância para apurar o caso. Ainda de acordo com o órgão, a secretaria informa, ainda, que o funcionário da Comlurb foi afastado da escola até o fim da apuração. A CRE vai colaborar com a polícia no que for necessário.

O casal também é pai de um menino de 9 anos. Ele contou para a mãe que diversas vezes encontrou as irmãs sozinhas pelos corredores do colégio, sem os professores. “Elas andavam lá tudo”, disse o menino.
Reincidência
A mãe das gêmeas contou ao G1 que as meninas disseram que o abusou aconteceu mais de uma vez. “Elas falaram que ele levava elas para uma sala, tirava a roupa, colocava o dedo e a professora não estava perto.”

A mãe das meninas acionou o Conselho Tutelar para pedir ajuda psicológica para as crianças. “Elas estão o tempo todo com medo, acham que vão morrer porque contaram o ‘segredo’ para a mãe. Elas estão nervosas, agitadas, não ficam sozinhas.”
O Conselho Tutelar encaminhou a recepcionista para o CRE. A mãe pediu a transferência do filho para outra instituição e a abertura de uma sindicância para apurar os fatos.
Empenhada por Justiça para resolver o problema, a mãe voltou à delegacia para contar o ocorrido e encontrou a professora e o gari. Eles foram ouvidos e liberados pelo delegado. “Até agora estou sem resposta, ninguém me fala nada. Ele está solto aí e eu tenho medo do que posso acontecer. Eu acordo no meio da noite com muito medo”, relatou. “Eu e o pai dela queremos Justiça. Isso pode ter acontecido com outras crianças também”.
A avó também está revoltada com a situação. “Eu dava banho nelas e elas não deixavam eu lavar direito, ficavam travando as perninhas. Elas diziam que doía muito. Algumas vezes eu achava que elas estavam assadas, falava até com a minha filha, mas  podia ser outra coisa”, revelou. Depois que a história veio à tona para os pais, as crianças deixaram o colégio e quando passam em frente dizem que não querem voltar.
No momento em que o G1 estava na residência do casal, o Conselho Regional de Educação ligou e marcou uma reunião para sexta-feira (7), às 15h. “Achei que esse caso fosse ser resolvido mais rápido. Infelizmente tive que apelar para a imprensa para fazer Justiça. Até então eles não tinha me procurado para nada”, contou a mãe, emocionada.

3 de jun de 2013

Crianças proibidas de ver - artigo de Fernando Reinach*



Bebe olhando pra frente

Muito otimistas, os seres humanos associam a palavra novo à palavra melhor. Gostamos de descrever as mudanças na nossa vida como "o progresso da humanidade".

Mas o novo não é sempre melhor. A redescoberta dessa afirmação óbvia é uma das novidades deste início de século e tem aumentado nosso interesse pelo modo de vida nas sociedades ditas primitivas. Você segue a dieta do caçador ou é vegetariano? Que tal corrermos descalços? Educar em casa ou na escola? E o colchão, não deveria ser mais duro?

Nosso passado é longo. Os ancestrais do Homo sapiens surgiram 1 milhão de anos atrás. Durante os primeiros 800 mil anos viveram coletando o alimento de cada dia, todo dia, o dia todo. Vagavam pelas estepes e florestas africanas, fugindo dos predadores. Nós, os Homo sapiens, surgimos faz aproximadamente 200 mil anos e somos descendentes dos indivíduos que sobreviveram a esta intensa seleção natural que durou 800 mil anos.

Nestes últimos 200 mil anos, ainda passamos 185 mil deles vivendo em pequenos grupos, coletando raízes, caçando, pescando, nos espalhando por diversos continentes. Os nossos antepassados que sobreviveram a esse tipo de vida descobriram a agricultura e domesticaram os animais faz 15 mil anos. Neste período, passamos 10 mil anos em pequenas vilas. Faz talvez 5 mil anos que nos organizamos em cidades maiores e somente há 200 anos ocorreu a Revolução Industrial.

Nesta história de 1 milhão de anos, o passado recente não é a Revolução Francesa ou a locomotiva a vapor, como insistem os currículos escolares. O ontem é o fim da Idade da Pedra, a organização social de tribos nômades e o modo de vida dos primeiros agricultores. O carro e a internet surgiram faz alguns segundos.

O novo livro de Jared Diamond, The World Until Yesterday (O Mundo Até Ontem, em tradução livre), é sobre esse ontem e sobre o que ele pode nos ensinar. São 500 páginas de observações fascinantes. Aqui vai um aperitivo para aguçar seu apetite.
Nas sociedades tradicionais, as crianças, antes de aprenderem a andar, são carregadas pelas mães. Em todas as culturas tradicionais, logo que a criança consegue firmar o pescoço, ela é transportada na posição vertical. Pode ser nas costas ou na frente da mãe, seja com o auxílio dos braços ou utilizando dobras das roupas ou artefatos construídos para esse fim.

Nessa posição, o campo visual da criança é aproximadamente o mesmo da mãe. Ela olha para a frente e pode observar todo o ambiente em sua volta praticamente do mesmo ângulo e da mesma altura da mãe. O horizonte, as árvores, os animais e seus movimentos são observados pela criança da mesma maneira que a mãe observa seu ambiente. Quando um pássaro canta e a mãe vira a cabeça para observar, a criança também tem uma chance de associar o canto do pássaro à sua plumagem. A criança observa o trabalho de coleta de alimento da mãe, como ela prepara a comida, o que a assusta, o que provoca o riso ou a tristeza na mãe. Carregar uma criança na posição vertical faz parte do processo de educação.

Isso era ontem. E como é hoje? Inventamos o carrinho de bebê. As crianças menores são transportadas deitadas de costas, olhando para o céu (ou para a face da mãe). A criança não compartilha a experiência visual da mãe, não consegue associar as expressões faciais da mãe a objetos e sentimentos. Os sons ouvidos pela criança dificilmente podem ser associados a experiências visuais, atividades ou sentimentos. Deitadas, as crianças modernas só observam o teto (dentro de edifícios) ou o céu (ao ar livre).

Como o céu é claro e incomoda a vista, muitos desses carrinhos possuem uma coberturas de pano, o que restringe ainda mais o campo de visão e empobrece a experiência visual da criança. Não é de espantar que um bebê, cujos ancestrais foram selecionados para aprender a observar o meio ambiente desde o início de sua vida, fique entediado. Mas para isso temos uma solução moderna: uma chupeta que simula o bico do seio da mãe. Hoje, carregar uma criança é considerado um estorvo, mas nossa nova solução distancia fisicamente a criança da mãe e não permite que elas compartilhem experiências sensoriais. Transportar uma criança deixou de fazer parte do processo educacional.

Hoje sabemos que o desenvolvimento do córtex visual, a parte do cérebro que processa imagens, não termina durante a vida fetal, mas continua após o nascimento e depende do estímulo visual constante para amadurecer. Os carrinhos de bebê de hoje são mais novos, mas será que são melhores?

É incrível, mas hoje, numa época em que educar para o futuro é o lema de toda escola, numa época em que tentamos alfabetizar as crianças cada vez mais cedo, abandonamos o hábito milenar de permitir que as crianças olhem para a frente e compartilhem as experiências vividas por suas mães.

* Fernando Reinach é biólogo.

Colaboração de Eleonora Ramos, jornalista e coordenodora do Projeto Proteger, Salvador/Bahia.

Fonte: - O Estado de S.Paulo, 26 de maio de 2013.


Veja mais sobre o assunto:

2 de jun de 2013

Mais um episódio do FAROESTE GOIANO: encontrado paredão e cemitério clandestino em Goianira



cisterna Cemitério Clandestino
Policiais trabalham no resgate do corpo encontrado em cisterna (Foto: Gabriel Trindade/G1)

A Polícia Civil encontrou no final da manhã desta quarta-feira (29), em um lote abandonado do Bairro Nova Goianira, em Goianira, na Região Metropolitana de Goiânia, partes do corpo de um homem ainda não identificado dentro de uma cisterna de aproximadamente 30 metros de profundidade. De acordo com delegado do Grupo Especial de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Alexandre Lourenço,uma testemunha indicou o local como um cemitério clandestino usada por um grupo de extermínio denunciado na região.

Paredão

No terreno, os policiais também encontraram um muro que possivelmente serviria para “fuzilar” pessoas. "Foram extraídos 17 projéteis de arma de fogo, algumas cápsulas e alguns outro elementos", informou. Os projéteis foram levados para exame de perícia.

Lourenço não descarta a possibilidade do local ter sido usado pelo grupo para tortura. "Tem alguns sinais no chão e uma roupa que estava impregnada com uma substância que a gente não pode definir qual é, mas que se assemelha a sangue. Esses objetos foram apreendidos e encaminhados para o Instituto de Criminalística para que seja periciado". afirmou.

Veja reportagem completa AQUI

Veja mais sobre a “Operação Resgate”:

Morador relata medo em cidade onde 60% dos PMs foram presos: 'faroeste'

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Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2013. Disponível em: http://toleranciaecontentamento.blogspot.com.br/. Acesso em: 02 jun. 2013.