31 de dez de 2012

O olhar que vê beleza nas criaturas protege o mundo!


La mirada que ve la belleza en las criaturas protege al mundo!
Estimado leitor,

Estimado lector,

compartilhando contigo um precioso presente de uma amorosa amiga -as extraordinárias imagens e palavras de Louie Schwarttzberg, encerro as postagem de 2012.

compartiendo contigo un precioso regalo de una amiga cariñosa, las extraordinarias imágenes y las palabras de Louie Schwarttzberg, cierro las publicaciónes de 2012.

“A sedução da beleza é uma ferramenta da natureza para sobreviver porque nos protegemos aquilo que nos apaixonamos*”.
Louie Schwarttzberg

"La sedución de la belleza es una herramienta de la naturaleza para la supervivencia, por que nosotros protegemos lo que nos enamoramos".
Louie Schwarttzberg


Para além da consciência, do entendimento de que o outro é um igual, acredito que o respeito ao outro nasce de uma sensibilidade estética superior. Sensibilidade essa que nos tornam capaz de enxergar beleza e encantamento no diferente. Acredito que a ética não se sustenta na pura razão, mas sim no afeto que se manifesta na paixão estética, no amor pela beleza (Cida Alves).

Más allá de la conciencia, del entendimiento de que el otro es igual, creo que el respeto de los demás nace de una sensibilidad estética superior. Esta sensibilidad que nos hace capaces de ver la belleza y el encanto en el diferente. Creo que la ética no se basa en la razón pura, pero en el afecto que se manifiesta en la pasión estética, el amor a la belleza (Cida Alves).


Català-Roca 2
Foto de Francesc Català-Roca (Valls 1922 – Barcelona 1998)

Desejo que a beleza das criaturas e das crianças do mundo o comova e faça viver um supreende Ano Novo!

Deseo que la belleza de las criaturas y de los niños del mundo lo conmova y lo hace vivir un sorprendente Año Nuevo!



Enviado por Mara Lucia Evangelista da Rocha, socióloga e analista em saúde da Secretaria Municipal da Saúde de Goiânia em 24 de dezembro de 2012.

* Errata: existe um erro de tradução no vídeo acima, a palavra apaixonamos foi trocada por aproximamos.

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves, 31 dez. 2012. 

30 de dez de 2012

LEITURA: PRAZER, SABER E PODER


                                                                                                                                      Jorge Silva Sousa

“somos capazes de sentir no texto os cheiros, os gostos, os sons, as cores e as formas do mundo, tocadas pela magia da palavra” (Elias José)

Gosto muito de ler, principalmente romance baseado em fatos reais. Gosto de ler porque através da leitura aprendo mais, para ficar mais informado, para ser quem sou, para conhecer melhor o mundo, para conhecer a memória do passado e esclarecer o presente, para conhecer experiências anteriores, para buscar um sentido na vida, para alimentar a curiosidade, para comunicar e para exercer meu espírito crítico.
Na leitura encontro o prazer, alegria, contentamento, satisfação, sensação agradável, distração, divertimento e envolvimento. A leitura permite também, que eu embarque numa viagem gostosa, cheia de formas, cores, sabores, cheiros, pessoas, lugares e cenas. “A literatura pode nos levar a conhecer pessoas, as personagens de ficção, que geram em nosso espírito simpatia ou antipatia, e possibilitam que “eu” se encontre e se reconheça ou se estranhe em diferentes “eus” (Elias José)
Comecei adquirir o hábito pela leitura na minha adolescência, porque quase não tinham livros, e nas escolas que estudei, o estimulo pela leitura foi pouco,   agora sempre que tenho um tempinho vou à livraria a procura de algo novo para ler.  “A escola trabalha com vários livros didáticos que ensinam noções de várias ciências, humanas ou lógicas. Mas como trabalha mal com o livro que encanta, que causa prazer ou que vai além do prazer e também ensina” (Elias José).
Penso eu, que as escolas deveriam trabalhar mais com os livros, que despertassem o gosto pela leitura, visto que, quanto mais tem contato com os livros, mais desenvolve o estimulo e o encantamento pelo mundo da leitura e escrita. “O meu jeito de ler o mundo está em minha literatura” (Elias José)
Referência
JOSÉ, Elias. Literatura infantil: ler, contar e encantar crianças. Porto Alegre: Mediação, 2007. 

29 de dez de 2012

Abril Despedaçado (filme)

Abril Despedaçado é um filme suíço-franco-brasileiro de 2001dirigido por Walter Salles e baseado no romance Prilli i Thyer de Ismail Kadare, adaptado por Karim Aïnouz.

Apesar de ter sido o representante brasileiro na disputa para tornar-se finalista entre os concorrentes da categoria melhor filme estrangeiro no Oscar de 2002, Abril despedaçado apenas chegou aos cinemas brasileiros em 2002. O filme foi exibido durante apenas uma semana, em uma sala de cinema de Salvador, em outubro de 2001, para que tivesse condições de ser escolhido como representante brasileiro ao prêmio.
O município baiano de Rio de Contas foi um dos locais utilizados para locações de cenas dos filme.



Sinopse

Em 1910, no sertão brasileiro, vive um jovem de vinte anos que passa a ser estimulado pelo pai a vingar a morte de seu irmão mais velho, assassinado por uma família rival. Quer saber mais, então assista o filme, disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=j1i0bPL3Tgw


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Abril_Despeda%C3%A7ado_(filme). Acesso em: 29 dez. 2012.

28 de dez de 2012

Morre vítima de estupro coletivo na Índia


Estudante de medicina de 23 anos foi estuprada por quase uma hora.
Caso chocou o país e gerou protestos.

Morreu nesta sexta-feira (28) a indiana vítima de um estupro coletivo que chocou o país, ocorrido em 16 de dezembro, informou o hospital onde a jovem estava internada em Cingapura. "Lamentamos informar que a jovem morreu às 4h45 [horário local]. Sua família e autoridades indianas estavam ao seu lado", disse em um comunicado Kelvin Loh, diretor-executivo do hospital Mount Elizabeth, para onde a jovem foi levada de helicóptero da Índia no dia 26.
A situação da estudante havia sido descrita mais cedo pelos médicos de Cingapura como "lutando contra as probabilidades, e lutando por sua vida", depois de ter sido diagnosticada com uma infecção pulmonar e lesões cerebrais, além do registro de uma parada cardíaca.
Funcionários do hospital carregam o corpo da vítima de estupro coletivo em hospital de Cingapura, nesta sexta (28) (Foto: Edgar Su/Reuters)Funcionários do hospital carregam o corpo da vítima de estupro coletivo em hospital de Cingapura, nesta sexta (28) (Foto: Edgar Su/Reuters)
Ela também havia sido diagnosticada com graves lesões intestinais, resultado do espancamento com uma barra de ferro durante o ataque na capital indiana. A estudante de medicina de 23 anos foi estuprada por quase uma hora e jogada de um ônibus em movimento na capital Nova Déli.
O ataque gerou protestos pela Índia, com embates entre manifestantes e a polícia durante marchas pela segurança das mulheres.
"Apesar de todos os esforços da equipe de oito especialistas do hospital Mount Elizabeth para mantê-la estável, sua condição continuou a piorar nesses dois últimos dias. Ela sofreu insuficiência severa de órgãos após os graves danos ao seu corpo e cérebro", disse o diretor. "Ela foi corajosa em sua luta pela vida por tanto tempo, mas o trauma sentido pelo seu corpo foi severo demais para superar", acrescentou.
A jovem não foi identificada, mas alguns jornais locais a chamaram de "Amanat", palavra urdu que significa "tesouro".
Manifestantes protestam em Nova Délhi após o estupro coletivo de uma jovem indiana em um ônibus em movimento. O caso tem gerado revolta no país. (Foto: Altaf Qadri/AP)Manifestantes protestam em Nova Délhi após o estupro coletivo de uma jovem indiana em um ônibus em movimento. O caso tem gerado revolta no país. (Foto: Altaf Qadri/AP)
Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/12/morre-vitima-de-estupro-coletivo-na-india.html. Acesso em: 28 dez. 2012. 

27 de dez de 2012

Palavras? Para que?


HÁ MOMENTOS QUE DISPENSAM PALAVRAS...  







 
"O fantástico da vida é estar com alguém que saiba fazer de um pequeno instante um grande momento..."




-- 

“Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.” (Oscar Wilde )


-- 
Enviado por Renata Coelho Magalhães, em dezembro 2012.

25 de dez de 2012

Criança morre depois de ser espancada por padastro


Rio — Uma criança morreu na tarde desta segunda-feira, depois de ser espancada pelo padastro. Stephany Reis, de 8 anos, foi levada pela mãe, Rosiane Reis, e pelo padastro, José Carlos de Albuquerque, para o Hospital Souza Aguair pelos pais, onde chegou morta. Eles informaram que tentaram socorrer a menina, mas a equipe médica desconfiou dos vários hematomas e acionou a Divisão de Homicídios (DH).

O casal, morador do bairro da Cidade Nova, centro do Rio, foi preso depois de prestar depoimento e vai responder por homicídio. Segundo a polícia, a mãe da criança sabia das agressões e não tentava impedir, sendo cúmplice por omissão. Vizinhos foram até à delegacia, na Barra da Tijuca, e testemunharam que já haviam escutado Stephany sendo espancada pelo padastro.
Disponível em: http://oglobo.globo.com/rio/crianca-morre-depois-de-ser-espancada-por-padastro-7131089

24 de dez de 2012

A LITERATURA E O IMAGINÁRIO DA CRIANÇA


                                                                                                                                   Jorge Silva Sousa*

Penso eu que pouco fui estimulado ao imaginário infantil, lembro muito pouco das brincadeiras de antigamente, tem algumas brincadeiras que só conheço por nome, por exemplo, cair no poço, tinha muita vontade de brincar, mais nunca tive a oportunidade e nem ninguém para brincar. Morei boa parte da minha infância em fazenda com meus pais, tenho apenas uma irmã e saiu cedo de casa, minha mãe pouco deixava sair para brincar com os outros meninos, porque eles moravam distante e trabalhava o dia inteiro, só tinha tempo para brinca ao anoitecer, quando eu ir brincar com eles, voltava para casa a noite. Amava Brincar de joga bola com meus primos, mais até isso com o decorre do tempo minha proibiu.
Em casa o estimulo ao imaginário foi pouco, porque meus pais tinham pouco conhecimento em relação à importância da contação de história para o desenvolvimento do imaginário. Para eles contar alguma história, eu tinham que implorar para ouvir pelo uma história, quando eles contavam dormia feliz.
Comecei a estuda já tinha mais de sete anos, na escola todo mundo era maior que eu, eles quase não brincavam, eles ficava a maior parte do tempo conversando assunto de adulto. Dentro da sala a interação era muito pouca, visto que estudava em uma classe multisseriada, nunca ouvi minha professora contar história, a única fonte de leitura era a cartilha, usava apenas para tomar a lição. Mas não culpo minha professora por isso, penso que ela ensinava o que sabia e utilizava os recursos que tinha.
Lembro-me muito pouco de ter contato com os livros literários, as poucas histórias que ouvi era contada pelo meu avô. Penso eu, que tive pouco tempo e pouca oportunidade para brincar de faz de conta, de ler livros infantis, ver desenhos na televisão. Desde cedo tive que aprender a cuidar de mim e cuidar nos afazeres da casa. Minha mãe trabalhava fora e meu pai viajava muito, por isso mim delegou essa função.
Hoje sou assim, gosto de ler livros baseados em fatos reais, quase não leio livro de história imaginada, filmes muito menos, nem poemas e nem cantigas. Acredito que pouco valorizo o meu imaginário. Mas tenho conhecimento e sei de sua importância para a vida das crianças.
______________________

Referência

JOSÉ, Elias. Literatura infantil: ler, contar e encantar crianças. Porto Alegre: Mediação, 2007. p. 5 - 65

22 de dez de 2012


A POSSÍVEL RELEITURA POÉTICA DO MUNDO

“Começamos a ler o mundo muito cedo. Ainda no útero materno, já nos chegam os primeiros sinais do mundo, não gráficos, mas táteis e sonoros. Depois, já adulto de adultos, contamos oralmente, escrevemos, pintamos, fazemos músicas e outras artes com os elementos lidos da infância”. (Elias José)

Acredito que, todos nós somos capazes de fazer nossa releitura de infância - releitura poética do mundo, visto que somos estimulados desde o útero da mãe.  Vários autores dão exemplo de releitura de infância: Paulo Freire (p. 36); Carlos de Andrade (p. 36-37); Adélia Prato (p. 38); Ruth Rocha (paródia, p. 40); Elias José (p. 40-41). Deixo aqui minha releitura de infância – releitura poética de mundo.

A Infância

Oh! Que saudade tenho da minha infância
Da minha a infância querida,
Que não tinham preocupação alguma
Tempo que os anos não trazem mais!
Agora a vida é deveres e compromissos
Oh! Que Saudade das brincadeiras,
Das histórias contadas pelo avô.
Saudades do contato com a terra
E da sombra das mangueiras
Oh! Infância querida
Porque passou tão rápido?
Tão rápido,
 Que nem vi acabar.
(Relatos de infância – Jorge Sousa)



Leitura de mundo

Olhar as coisas e ler:
O avesso
O fundo
Em cima
Em baixo
Olhar a natureza e ver:
A cor
O cheiro
O som
O tom
Olhar os amigo e ver:
A esperança
O carinho
O afeto
Olhar no espelho e ler:
O tempo
A infância
A adolescência
A velhice          
                         (Jorge Sousa)          
 




















19 de dez de 2012

O militante Wanderlino Nogueira Neto é o mais novo membro do Comitê dos Direitos da Criança da ONU


Com 85% dos votos o brasileiro Wanderlino Nogueira Neto foi escolhido para compor o Comitê dos Direitos da Criança da ONU.
Wanderlino na ONU
Wanderlino Nogueira Neto recebendo Prêmio Direitos Humanos 2011

O resultado da votação foi anunciado na tarde dessa terça-feira , na Assembleia Geral da ONU , em Nova York. Entre os nove candidatos escolhidos está o brasileiro Wanderlino Nogueira Neto, que obteve 161 dos 189 votos.

O Comitê da ONU é a principal instância global que tem como função acompanhar a implementação das normas da Convenção dos Direitos da Criança, ratificada por 193 países, entre eles o Brasil. Atualmente o Comitê é composto por dezoito membros.

A Associação Nacional dos Centros a de Defesa da Criança e do Adolescente – Anced/ Seção DCI Brasil vem feito à gestão junto ao Governo Brasileiro, em torno da candidatura de Wanderlino Nogueira Neto. Boa parte dessa propositiva trajetória profissional de Wanderlino Neto se deu na ANCED/DCI e como membro do Cedeca Rio de Janeiro, dedicando grande parte de sua vida a luta pela defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes do país.

Conheça um pouco mais da trajetória de Wanderlino Nogueira Neto clicando aqui

Enviado por Maria Luiza Moura, psicóloga, mestre em educação e ex-presidente do Conselho Nacional de Diretos de Crianças e Adolescentes (CONANDA), em 18 de dezembro de 2012.

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012.

14 de dez de 2012

A Gratidão


"A gratidão é a maior medida do caráter de uma pessoa. Uma pessoa grata é uma pessoa fiel, não te abandona, está sempre contigo. Nela você sempre pode confiar."
(Augusto Branco)

12 de dez de 2012

A EDUCAÇÃO DE NOSSAS CRIANÇAS: QUEM ENSINA A VIOLÊNCIA? artigo de Lidia Natalia Dobrianskyj Weber

Divulgando o artigo “A EDUCAÇÃO DE NOSSAS CRIANÇAS: QUEM ENSINA A VIOLÊNCIA?”
"Não tenho um caminho novo,
o  que trago de novo é o
jeito de caminhar..."
(Thiago de Mello)

“Muitas vezes os pais perdem sua paciência e espancam seus filhos. Podem estar com medo, com ansiedade e não saber o que fazer, então pensam que estão educando ao dar uma surra em seu filho. Imagine o seguinte exemplo: a mãe está conversando com a vizinha do seu prédio e vê sua filha de 3 anos de idade debruçar-se na janela do décima andar. Nesse momento de ansiedade a mãe pode correr para a filha, tirá-la de lá, e como está muito preocupada, sem saber o que fazer, com um pouco de culpa por não ter olhado melhor para o quê a filha estava fazendo, dá-lhe uma surra. A mãe diz que a surra vai servir para que a criança lembre do momento de  perigo e que, apesar de “doer mais em mim do que nela”, deve fazer isso para o “próprio bem da filha”. Veja só, na verdade, esta mãe estava sem saber o que fazer e extremamente nervosa com a situação de perigo. Com a surra, ela conseguiu somente aliviar a sua angústia e raiva, mas em nada ajudou a sua filha.

Acesse o artigo completo AQUI


Dra. Lidia Weber







Lidia Natalia Dobrianskyj Weber 


Professora titular do Departamento de Psicologia da UFPR desde 1982, atuando como Professora da Graduação e da Pós-Graduação. É especialista em Antropologia Filosófica e em Origens Filosóficas e Científicas da Psicologia pela Universidade Federal do Paraná,além de Mestre e Doutora em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo. Iniciou seus estudos e pesquisas a respeito do Abandono, Institucionalização e Adoção em 1989, tendo publicado os seguintes livros: Filhos da Solidão: Institucionalização, Abandono e Adoção; Aspectos Psicológicos da Adoção, Laços de Ternura: Pesquisas e histórias de adoção, entre outros títulos. Coordena, ainda, o Laboratório do Comportamento Humano da UFPR e o Projeto Criança: Desenvolvimento, Educação e Cidadania. Psicóloga, Professora da UFPR (graduação e pós-graduação)  e Coordenadora do Projeto Criança, Mestre e Doutora em Psicologia pela USP; membro da Comissão da Criança e do Adolescente da OABPR -

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012.

9 de dez de 2012

Diretora de escola em SP é indiciada por maus tratos a crianças


Nenhuma pessoa – seja ela pai, mãe, educador ou cuidador, tem o direito de usar de violências físicas e humilhações na educação e no cuidado de crianças e adolescentes!

Para Max Van Manen (2010), uma autoridade é sempre moralmente sensível às vulnerabilidades e as reais necessidades de uma criança. A partir desta visão foram as duas professoras que se indignaram com os abusos cometidos pela diretora as verdadeiras autoridades pedagógicas da Escolinha Trenzinho Feliz.

“Ter autoridade é estar em uma posição de influência. É esta precisamente a relação que se estabelece entre um pai, um professor, uma criança e um jovem. Mas o adulto só pode ter influência pedagógica sobre uma criança ou um jovem quando a autoridade se baseia não no poder, senão no amor, no afeto e na autorização internalizada por parte da criança. A autoridade pedagógica é a responsabilidade que a criança concede ao adulto, tanto no sentido ontológico (do ponto de vista do pedagogo) como no sentido pessoal (do ponto de vista da criança). Podemos dizer que a criança, de alguma maneira, autoriza ao adulto direta ou indiretamente a ser moralmente sensível aos valores que asseguram seu bem estar e seu desenvolvimento rumo à autorresponsabilidade madura.

(...) Por exemplo, um adulto que vê a uma criança necessitada, que observa uma situação de abuso infantil, ou que responde aos interesses e as perguntas da criança, pode, em realidade, sentir-se motivado a fazer algo, a ajudar ou assistir à criança. Nesse sentido podemos dizer que o adulto é induzido a atuar com um sentido de responsabilidade que provêm da experiência da autoridade. E então, ocorre uma coisa interessante: o adulto, que é sensível à vulnerabilidade ou a necessidade da criança, experimenta uma estranha sensação: a verdadeira autoridade nesse encontro está na criança e não no adulto (MANEN, 2010, p 83 e 84)”.

REFERÊNCIA:

MANEN, Van Manen. El tacto en la enseñanza. El significado de la sensibilidad pedagógica. 3º Edição. Editora: Paidós Educador. Barcelona, 2010.

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012.

6 de dez de 2012

Bater não educa ninguém! Práticas educativas parentais coercitivas e suas repercussões no contexto escolar



Divulgando o artigo “Bater não educa ninguém! Práticas educativas parentais coercitivas e suas repercussões no contexto escolar” das autoras Naiana Dapieve Patias, Aline Cardoso Siqueira, Ana Cristina Garcia Dias - Universidade Federal de Santa Maria

Resumo 

O objetivo deste artigo é refletir sobre os efeitos das práticas educativas coercitivas para o desenvolvimento da criança e do adolescente, buscando compreender sua influência no comportamento e na aprendizagem em ambiente escolar. A partir da análise assistemática de estudos sobre o tema, foi possível compreender que as estratégias coercitivas que se utilizam da força física para educar estão associadas a resultados negativos no desenvolvimento humano da criança e do adolescente, como
comportamentos agressivos e baixa autoestima, constituindo-se em risco ao desenvolvimento saudável. Contudo, tais práticas são compartilhadas socialmente e consideradas naturais pelas famílias, não havendo, muitas vezes, o conhecimento de outras formas de educar. Sendo a escola um importante ambiente de interação das crianças, ela tem sido chamada a engajar-se nessa temática. Assim, discutem-se formas de instrumentalizar os profissionais da educação para a identificação dos casos de uso de estratégias coercitivas e violência física na educação dos filhos, como também ações preventivas junto aos estudantes e à comunidade. Para que o propósito seja alcançado, órgãos responsáveis pela defesa dos direitos da criança e psicólogo escolar poderão atuar juntamente com a escola, auxiliando-a nesse processo. O psicólogo pode trabalhar com os pais no sentido de apresentar formas de educar que não passem pela perspectiva da violência, prevenindo, assim, danos ao desenvolvimento e comportamentos que dificultam a aprendizagem. Fomentar reflexões sobre essa problemática fará com que os valores da educação sem violência tomem espaço nas famílias, contribuindo para que as crianças tornem-se adultos saudáveis no futuro.

Acesse o texto completo AQUI

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2012.

30 de nov de 2012

A violência familiar contra a criança é um problema de saúde pública em todo o mundo.


Divulgando pesquisa do Programa Médico de Família de Niterói/RJ.

O estudo mostra a prevalência e característica da violência familiar contra crianças adscritas ao Programa Médico de Família de Niterói/RJ.

93,9% das crianças de 0 a 9 anos sofrem punição corporal, 51,4% maus-tratos físicos, 19,8% maus-tratos graves e 96,7% agressão psicológica.

A boa notícia é que 99,6% já tentam métodos de disciplina não violenta. Nosso desafio é divulgar e mostrar para a sociedade brasileira que esse é o método educativo que dá resultados positivos e garante à integridade física e psicológica das crianças contribuindo para seu pleno desenvolvimento como ser humano e como cidadão.

Vejam um resumo da pesquisa no link abaixo.

Fonte: site da Rede NÃO BATA EDUQUE. In: Blog Educar Sem Violência. Cida Alves. 2012

27 de nov de 2012

Vulnerabilidades e Consequências da prática de bater para educar

Para fins didáticos, dividirei em dois grupos diferentes os adultos que costumam usar violências físicas na educação de seus filhos. Os adultos do primeiro grupo utilizam a violência física de forma aleatória: ocorrem, geralmente, pelo descontrole emocional, impulsividade ou algum transtorno mental associado. Nesse caso, a violência física não possui um objetivo disciplinar, mesmo que a argumentação aparente seja de melhor educar os filhos.

Este tipo de autor de violência é vulnerável tanto aos elementos internos (ansiedade, depressão, frustrações etc.) como externos (stressores) presentes em sua vida (álcool, drogas, conflitos conjugais ou de trabalho e dificuldades financeiras). A violência física utilizada por este tipo de agressor se manifesta de forma mais severa. São exemplos bastante comuns as seguintes formas de violências físicas:

  • queimaduras por pontas de cigarro ou por objetos aquecidos (ferro de passar roupas e talheres incandescentes);
  • envenenamentos;
  • ferimentos com objetos contundentes,
  • traumatismos craniano;
  • fraturas ósseas.

No segundo grupo estão os adultos que se utilizam de castigos físicos com a finalidade disciplinar. Os tapas, os beliscões, os solavancos não costuma acontecer de modo aleatório. Eles ocorrem quando se quer inibir ou eliminar um comportamento supostamente inadequado da criança ou do adolescente. Este tipo de disciplinamento é adotado por ser um modelo aprendido na família de origem, por crenças religiosas ou por desconhecer outras formas de se educar.

Embora a finalidade não seja a mesma, nos dois grupos de adultos o uso dos castigos físicos estão, geralmente, associados às necessidades de controle do comportamento do outro e ao sentimento de frustração (seja em relação a uma expectativa ou a um desejo). O adulto que usa as punições físicas em seus filhos está em certos momentos susceptíveis à irritabilidade e à impulsividade. Suas reações estão normalmente afetadas por sensações e sentimentos negativos. Excitação excessiva, ira, frustração e medo provocam reações no sistema nervoso autônomo. Com isso, uma forte descarga adrenérgica pode afetar o comportamento dos pais. A adrenalina é o hormônio das ações aceleradas. Esse estado emocional e orgânico cologo pais e crianças em um contexto de vulnerabilidades.

Primeira Vulnerabilidade

Perda do Controle - é comum o relato de pais sobre a sua perda de controle no momento da aplicação de um castigo físico. As pesquisas confirmam a freqüência deste descontrole. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, em 1993, demonstrou que entre as milhares de pessoas consultadas, um quarto delas admitiram que pelo menos uma vez perderam o controle ao castigar fisicamente seus filhos. Nas investigações de graves violências físicas contra crianças e adolescentes muitos pais relatam que os incidentes começaram como “uma punição comum”.

Segunda vulnerabilidade

Fragilidade corporal da criança - A força que o adulto avalia ser pequena pode não ser para as crianças. Por isso, bater em crianças é fisicamente perigoso. As chamadas punições mais leves podem, muitas vezes, causar sérios ferimentos. Sacudir bebês, por exemplo, pode levar a concussões, danos cerebrais e até mesmo causar a morte (Sindrome do bebê sacudido).

Terceira vulnerabilidade

Confiança na eficiência dos castigos físicos como método punitivo-disciplinar - Essa confiança impede os pais de verem as falhas que este modelo oferece. Assim, as punições que começam “leve” podem evoluir para medidas mais severas. Diante da ineficiência desse método, a tendência dos pais é achar que a dose esta fraca, aumentando progressivamente a intensidade da violência.

Mas independente da finalidade, das características do autor da violência física e das vulnerabilidades presentes, a prática de bater para educar traz consequências negativas para saúde e o desenvolvimento de crianças e os adolescentes.

Os riscos para o bom desenvolvimento das crianças não se restringem somente na intensidade da violência, moderada ou imoderada. Os riscos estão presentes na proposta do método, que é provocar dor e sofrimento físico.
Pesquisas apontam que os castigos físicos:

  • Contribui para o desenvolvimento de fusões patológicas ou disfuncionais;

Nessa forma de disciplinamento há mensagens muito perigosas, em que se funde amor com dor, cólera e submissão: “eu te puno para o teu próprio bem, eu te machuco porque te amo”. A dupla mensagem que a punição física carrega pode levar ao desenvolvimento de disfunções preceptivas, transtornos adaptativos e comportamentos estereotipados na vida dos filhos.
Vivência Clínica – no trabalho terapêutico encontrei muitas mulheres que sofriam com os atos de violência do marido ou parceiro sem conseguirem se proteger ou encontrar uma alternativa de mudança para o seu padrão de relacionamento conjugal. Essas mulheres tinham, em comum, uma história de violência anterior, praticada pela família de origem. Muitas dessas mulheres expressavam em seu comportamento submisso uma adaptação estereotipada às condutas violentas (psicológica, sexual ou física) que sofriam de seus pais ou cuidadores quando meninas. Porém, o impressionante é que elas traziam subjacentes a dor e o medo, a crença de que quem pune ou castiga com violência é porque tem sentimentos verdadeiros, porque ama.

  • Oferecem um modelo inadequado, por parte dos adultos, de lidar com situações de conflitos, que é o uso da força, da violência;

  • Aprendizagem social da violência;
Os jovens que sofrem violências intrafamiliares do tipo físico severo, psicológico e sexual são:
3,2 vezes mais transgressores das normas sociais;
3,8 vezes mais vítimas da violência na comunidade;
3 vezes mais alvos de violência na escola do que os jovens cujo ambiente familiar é mais solidário e saudável (ASSIS, 2004).

  • Menor rendimento intelectual;
De acordo com uma investigação feita pelo Professor Murray Straus, da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, meninos e meninas castigadosfisicamente apresentam, depois de quatro anos, um coeficiente intelectual baixo em comparação com os que nada sofreram. No grupo de jovem, as crianças que não apanharam apresentam 4 pontos a mais em seu coeficiente de inteligência do que as crianças que foram castigadas fisicamente. No grupo de crianças entre os 5 e 9 anos de idade, aqueles que não apanharam tiveram 2.8 pontos a mais em seu coeficiente intelectual que as que sofreram castigos físicos, depois de quatro anos.

  • Dificulta ou deteriora os vínculos afetivos entre pais e filhos;
Na pesquisa A disciplina como forma de violência contra crianças e adolescentes (MARQUES et al., 1994), alguns depoimentos evidenciam o comprometimento do vínculo familiar em decorrência do padrão interacional violento. Dois relatos ilustram como a violência física afetou a vida dos sujeitos entrevistados.
Em um depoimento um sujeito diz: “tive vários conflitos com meu pai, que era uma pessoa muito rígida. Saí de casa quando tinha 12 anos. Com 15 anos voltei para casa, mas meu pai continuava o mesmo. Por isso, fui embora e nunca mais voltei” (apud MARQUES et al., 1994).

Em outra entrevista, um sujeito informa: “quando eu era pequena, eu era muito castigada. Meu pai era muito agressivo. Ele batia até tirar sangue, que era para a gente aprender. E por isso, eu casei muito cedo para fugir dele” (apud MARQUES et al., 1994). O casamento precoce ou o abandono do lar foi o caminho encontrado por esses dois sujeitos para romper com a relação familiar violenta.
De acordo com a conclusão do O Estudo causal sobre o desaparecimento infanto-juvenil, as razões que provocaram a saída de casa das crianças e adolescentes foram: agressões físicas (35%), alcoolismo dos pais ou dos jovens (24%), violência doméstica presenciada pela criança ou adolescente (21%), drogas usadas pelos filhos ou os progenitores (15%), abuso sexual/incesto (9%) e negligência (7%). Os demais casos registrados são de seqüestro e raptos (SÃO PAULO, 2005).

  • A restrição imediata de um comportamento inadequado pelo uso da dor impede pais e filhos de conhecerem as origens das dificuldades e suas motivações, ficando mais difícil a real elaboração e superação dos mesmos;

  • Facilita o surgimento de desvio no comportamento, como esconder ou dissimular por medo do castigo físico;

  • O comportamento desejado só ocorre na presença do punidor, pois o controle deste se dá por coação externa e não pela aceitação íntima da criança ou adolescente;

  • Irreversível alterações na morfologia e fisiologia cerebral;

Estudos comparativos, coordenados pelo psiquiatra da Escola de Medicina de Harvard, professor Martin H. Teicher, demonstraram que as conseqüências das violências podem ir além das dificuldades afetivas e comportamentais. Suas pesquisas identificaram alterações na morfologia e fisiologia das estruturas cerebrais de pessoas que foram vítimas de maus-tratos em fases precoces de sua vida. Teicher argumenta que se as violências (físicas, psicológicas, sexuais e negligências) ocorrem durante a fase crítica da formação do cérebro, quando ele está sendo esculpido pela experiência com o meio externo, o impacto do estresse severo pode deixar marcas indeléveis na sua estrutura e função. Para ele, o abuso leva uma cascata de efeitos moleculares e neurofisilógicos, que alteram de forma irreversível o desenvolvimento neural.

Pesquisadores fazem o seguinte alerta: filhos de pais dominadores, coercitivos, explosivos e espancadores tendem a desenvolver uma reação complementar patológica. Ou tornam-se extremamente submissos, assustados, podendo desenvolver processos psicopatológicos graves como fobias, traços psicóticos e depressão. Ou caminham para outro extremo: rebelam-se, assumindo traços de delinquência.

Fonte: Blog Educar sem violência. Cida Alves. 2012. 

26 de nov de 2012

A homofobia: como trabalhar o respeito e a diversidade sexual na escola


                                                                                                                          Nildo Lage

Diversidade de crianças

Todo problema que envolve sentimentos e valores humanos determina ponderação e cuidados para impedir crimes contra o humano. Desde a criação, o homem contrasta as diferenças, transforma-as em rivalidades e, por acatar os impulsos primitivos, declara guerra contra o “estranho”, admitindo ser conduzido pelo ego, que, na maioria das vezes, não reflete atos e consequências, permitindo ser governado pelo “instinto de horda” — tende a andar com grupos de iguais e hostilizar os diferentes —; e, assim, a formação de tribos é inevitável. A partir dessa reunião, o “bloco de lá” é exótico, e essa diferença se torna obstáculo ao ponto de se converter em competitividade, transformar-se em ódio. O tempo se incumbe de gerar conflitos, e os conflitos, em resistência, desencadeiam-se em guerras.

Foi assim com a ciência, a filosofia, com as “bruxas” da Idade Média... as várias etnias... com os judeus... os negros... Na sociedade brasileira atual, as contendas são sobre os casais iguais. Ao assumir publicamente a orientação sexual, gays, lésbicas, travestis, bissexuais e transexuais colocam em xeque a segurança... A própria vida em nome de um direito que não é respeitado: ser livre.

Nesse contexto hostil, situa-se estrategicamente a escola. E, por ser uma passagem obrigatória, lhe é delegada o encargo de propor discussões críticas sobre orientação sexual e cidadania; amenizar os conflitos para propiciar a convivência humana; inserir valores como o respeito... E, ao esbarrar nas barreiras sociais, religiosas e culturais, a escola se vê em contradição entre o pensar, o agir etnicamente e o ser tolerante.

Sem estruturas para oferecer tais suportes, a escola fracassa, e os tremores desse desabamento são sentidos nas ruas de um Brasil que está no topo dos países mais homofóbicos do planeta, porque no espaço escolar esse ódio é disseminado de forma alarmante, instigado por grupos fundamentalistas que chegam ao extremismo. Mesmo com os esforços do Ministério da Educação, que financia projetos para promover a inclusão, a escola não consegue reprimir o preconceito.

É preciso desmitificar esse histórico de preconceito, principalmente num espaço onde tendências, desejos e opções transitam, se colidem, entram em conflitos. Amenizá-los é mais do que um desafio. Torna-se uma missão “quase impossível” para a escola, pois a Educação brasileira precisa construir a própria identidade para destruir problemas históricos... A homossexualidade fundamentada na sociologia e na antropologia é uma velha conhecida da escola, pois, se voltarmos alguns capítulos da história da humanidade, chegaremos à Grécia Antiga e nos depararemos com sinais do homossexualismo praticado em alta escala, principalmente nas amplas sociedades secretas, onde a sensualidade dos gregos era exibida nas orgias em homenagem à deusa Cotito, por meio de rituais sátiros.

Homossexualidade, então, não é um fato novo para que provoque tanta polêmica a ponto de a família e a escola resistirem a encará-lo. Só que essa falta de ação está levando essa crendice ao extremo da intolerância por ser nutrida por um ódio irracional que rejeita, exclui, agride e mata.

Sobreviver nesse campo minado impele a maioria das vítimas ao isolamento, pois os agressores, de olhos vendados e mentes cauterizadas, não aceitam as diferenças, não permitem o relacionamento, nem vislumbram que a sexualidade vai além da biologia, da cultura, da hereditariedade, não tem mero cunho reprodutivo, mas traz em si toda uma gama de sentimentos, influências hormonais e genéticas, e abrem janelas que refletem o universo do relacionamento em múltiplas dimensões, onde, muitas vezes, aspectos imperceptíveis aos olhos da sociedade, como o cultural, não são enfatizados.

Um ponto de partida...

A consciência para compreender que a vida é uma trajetória de perdas e ganhos e, principalmente, de escolhas. Felicidade ou infelicidade dependerão do caminho que se trilha no percurso viver. Amar e respeitar o próximo são regras do Criador. Cumprir ou não é uma alternativa, e é essa decisão que definirá a nossa convivência nesse percurso.

Sabemos que o preconceito jamais será abolido entre os homens, mesmo com aprovação de leis rigorosas, punições severas... Mas é preciso, no mínimo, tolerância, para que as subversões entre as classes, raças e etnias se amenizem, para que a homofobia não se transforme numa arma com poderes capazes de destruir pessoas apenas pela opção sexual, pois a homossexualidade segue a humanidade desde a sua criação, tentar erradicá-la é heresia.

Contudo, deve-se amenizá-la através de uma convivência complacente. É preciso fixar, em mentes preconceituosas, a verdadeira semente do respeitar o “eu” do outro. Respeito é algo que se constrói e se desenvolve entre os homens para que se torne a âncora dos relacionamentos interpessoais. Para tal, basta que cada um viva a própria vida e alargue o caminho para que o próximo possa transitar pelas veredas da sociedade como cidadão, desfrutando do mesmo direito: viver e ser feliz com as suas diferenças e os seus desejos.

Afinal, consciência é uma espécie rara que exige um ambiente propício, terreno preparado, e, por isso, deve ser plantada, cultivada no íntimo como símbolo de humanidade e, por ser regada pelos próprios sentimentos, exige atitudes que alterem comportamentos. Essas atitudes podem ser pequenas coisas, mas, para a minoria rejeitada, é a grande diferença. Pois essa “diferença” é o direito de ser feliz... A felicidade tem um preço. Muitas vezes, esse valor foge do orçamento de muitos que preferem desviar da rota a tornarem-se alvos e serem deflagrados ao se colidirem contra princípios morais, sociais e, principalmente, religiosos.

Homossexual é alvo sempre na mira da poderosa arma homofobia. Ao assumir a opção, paga-se um preço que é tabelado pela família e corrigido pela cultura, e, quando chega ao mercado negro da sociedade, converte-se em temor. E há aqueles que apenas fazem manifestos, mas manifestos não sensibilizam uma sociedade cujo problema está enraizado em íntimos e em mentes que interrompem sonhos, podam direitos, destroem objetivos... A vida.

Essas ameaças impedem muitos de se assumirem... Pois a chave mestra — o medo — refreia e edifica barreiras que se elevam sutilmente, de forma tão ardilosa que só é percebida pela vítima, cada vez que é fulminada com olhares de aversão e repelida por gestos impregnados de animosidade, por não reconhecerem que travesti, lésbica, transexual, gay, hétero, bissexual... são humanos. São cidadãos... O que muda na trajetória viver é a alternativa de vida e a opção sexual.

Os múltiplos olhares

Seria utopia afirmarmos que discriminação e homofobia são fatos triviais, pois a ferida que se abre não cicatriza devido aos frequentes golpes e à infestação do vírus histórico que separam raças e apartam grupos minoritários em plena sociedade contemporânea.

Entender as razões desse ódio é tão complexo quanto chegar aos fatores que originaram o homossexualismo, pois esse universo que determina a opção sexual é gerido pelos hormônios, na maioria das vezes, retratado por controvérsias em que uns acreditam que o homossexualismo é fruto de uma herança genética que decide, por meio do grau de consanguinidade, a personalidade, a aparência física e preferência sexual; ao passo que outros creem na teoria de que o homem é realmente produto do meio, do ambiente no qual o indivíduo recebe influências e valores, que altera comportamentos e pode inverter condutas como fruto de uma educação que delineia a trajetória do humano.

Esses questionamentos, de tão conflitantes, desnorteiam, motivam buscas que nos arremessam ao fantástico universo da neurobiologia, para compreendermos a guerra entre progesterona x testosterona e encontrarmos respostas dos porquês de hormônios iguais despertarem atrações fatais, sentimentos avassaladores ao ponto de romper estigmas sociais, familiares e religiosos em nome de um alvo denominado felicidade por meio do complemento do outro.

A homossexualidade é debatida, questionada, e a urgência de encontrar uma saída se tornou um tema que incomoda, principalmente uma sociedade de tantos contrastes, como a brasileira. É preciso ajustar a lente e direcionar o olhar para atingir óticas indispensáveis à compreensão, uma delas é a antropológica — que não admite generalizações e procura na diversidade cultural as suas respostas para convencer que a homossexualidade pode ser superada através de uma convivência tolerante —, pois, desde a criação, o homem recebe normas características de comportamento masculino e feminino. Daí o pressuposto de que cada sociedade — inclusive a animal — salienta a homossexualidade, acentuando que o comportamento é uma herança do meio, normatizado nos relacionamentos que determinam culturas, prefixam condutas, a exemplo dos imperadores romanos — a cada dez, oito praticavam atos de homossexualismo com jovens.

Esses hábitos não sofreram mutações, pois relatos de estudiosos nos mostram que, na sociedade moderna, não é diferente, já que, a cada ano, a humanidade é mais livre para fazer escolhas, tanto que, na sociedade brasileira, essas manifestações partiam de todos os níveis, e as tradições vêm desde o império — como os fatos relatados no livro História do Império, de Tobias Monteiro, que apresenta uma lista vip, onde artistas, cantores, arquitetos, intelectuais, líderes religiosos, marginais, políticos e até heróis nacionais eram praticantes de atos homossexuais.

O que muda na era do “Clico, já existo” é o perfil social, pois são os contextos socioculturais que determinam “paz ou guerra”. Em algumas culturas, em que isso é “comum”, a tolerância refreia o preconceito; em outras, o homossexual é tratado como objeto desprezível, a ponto de a discriminação chegar ao extremo, impelindo os seus seguidores a cometerem atrocidades.

A antropologia crê que a gênese do homossexualismo é fruto de fatores socioculturais. Como a própria natureza humana determina a satisfação física, a antropologia afirma que o indivíduo sexualmente satisfeito é um indivíduo feliz, e o isolamento faz com que a abstinência desperte sentimentos adversos, principalmente se o relacionamento prolongado for em ambientes habitados por indivíduos do mesmo sexo, como conventos, quartéis, presídios, colégios internos, e até mesmo em famílias — especialmente de baixa renda — em que a ausência do pai leva a mãe a assumir uma autoridade masculina para educar.

Esses olhares causam subversões e bloqueiam mudanças; e, toda vez que são postos à mesa para serem debatidos, originam controvérsias, contendas acirradas. Todavia, quando a quebra de braço incide entre histórico e científico, a força não se equilibra, pois o acordo não acontece devido à inversão de óticas entre genético e psicológico. E, como o científico não apresenta provas convincentes de que a homossexualidade é consequência genética, o histórico salienta ao comprovar com fatos que desde a Antiguidade Clássica era comum — para não se dizer acolhida — a prática homossexual — tanto que, nas olimpíadas gregas, as disputas ocorriam com homens nus (para que ostentassem seus dotes físicos).

Essas afirmações da história se estendem e se enveredam pela mitologia, ratificando que até os deuses Oros e Seti e filósofos como Sócrates e Platão praticavam a homossexualidade, popularizando esse ato entre gregos, romanos e egípcios... E, se ambicionarmos mais, a história permaneceria na Grécia Antiga por mais alguns séculos para nos revelar que até os aios do exército se submetiam aos preceptores como prova de heroísmo e nobreza, por acreditarem que brio e valentia eram transmitidos pelo sêmen, como revelou Platão (428 a.C.–348 a.C.), em O Banquete:

Se houvesse maneira de conseguir que um estado ou um exército fosse constituído apenas por amantes e seus amados, estes seriam os melhores governantes da sua cidade, abstendo-se de toda e qualquer desonra. Pois que amante não preferiria ser visto por toda a humanidade a ser visto pelo amado no momento em que abandonasse o seu posto ou pousasse as suas armas. Ou quem abandonaria ou trairia o seu amado no momento de perigo?

De tão convicta da sua verdade, a história não desaponta quando revela que, em 1973, a Associação de Psiquiatria Americana (APA) certifica que homossexualidade não é doença e a exclui da lista de distúrbios mentais, escrevendo mais um capítulo em 1985, quando o Código Internacional de Doenças (CID) a riscou do seu catálogo, inserindo a homossexualidade no campo das necessidades sexuais humanas.

Esse fato é reforçado quando Foucault, 2000, assevera que a homossexualidade se afasta “da prática da sodomia para uma espécie de androgenia interior, um hermafroditismo da alma”. Nesse roteiro fantástico, tudo o que a história não consegue revelar é o porquê de tamanha intolerância.

Mas o homossexualismo é como a história da humanidade: sempre tem um fato camuflado nas entrelinhas que incita pesquisas e estudos minuciosos, e, por não ter réplicas palpáveis, a biogenética é pertinaz em contradizer a história, ao assegurar que a homossexualidade é uma consequência genética, e garante: algo de errado aconteceu com o indivíduo no seu ciclo de formação, pois essa marca — a genética — é a identidade e, por ter uma associação de fatores que formam o humano, a ineficiência, a ausência ou até mesmo insuficiência de determinados genes podem provocar o nascimento do gene Xq28 — o gene gay —, que ocasiona um distúrbio que leva ao homossexualismo.

Entre questionamentos e suposições, réplicas começam a vir à tona, pois estudos modernos comprovam que psicologia e medicina já conseguem se sentar para uma conversa e, em alguns pontos, já encaram o enigma sem conflitos. E, ao ajustarem as lentes, depararam-se com um horizonte que acreditam poder amenizar a quebra de braço “genética x psicologia” graças à descoberta de que a homossexualidade é uma instabilidade de conduta sexual.

Só que essas teses tornaram-se pontos de partida de novas discussões por serem uma realidade que desmente mitos e descarta as influências sociais, ambientais, familiares, educacionais e até mesmo traumas de infância como fatores responsáveis pela homossexualidade.

E, como sempre acontece, na guerra entre ciência e senso comum, a ciência leva a melhor, pois o pesquisador Jacques Balthazart, da Universidade de Liège, na Bélgica, em sua pesquisa Biologia da Homossexualidade: Gay Nasce, Não Escolhe Ser, chegou — segundo a ciência — na mais sólida conclusão de que “A homossexualidade não é uma opção de vida, mas o resultado do determinismo biológico resultante de influências pré-natais”.

Só que a senhora “sociológica” desmente: a homossexualidade é nada além do que um desvio, uma indisposição mental, que, se tratada, pode ser revertida. Por ser uma instabilidade que provoca o desvio sexual e por entender que o homem é produto do meio determina a heterossexualidade como regra, chegando a salientar que a sexualidade é resultado de uma trajetória sociofamiliar, pois são esses relacionamentos que determinam opções e escolhas, rematando que heterossexualidade ou homossexualidade são as consequências do meio em que o indivíduo desenvolve o seu universo de convivências. Os relacionamentos são cruciais e responsáveis pelas mutações nas chamadas zonas híbridas, na fase de formação da personalidade.

Mas, como o humano nunca se contenta, é preciso ousar, dar um passo adiante, para se chegar ao consultório do senhor sabe-tudo, o doutor “científico”, que tem sempre em mãos respostas cientificamente comprovadas para todos os questionamentos, mas esse mestre é oscilante e não assina a confirmação de que a homossexualidade é culpa da genética, mesmo comprovando mutações que acontecem desde a criação do homem.

Entre anfibologias e improbabilidades, a origem do homossexualismo continua um enigma, mas é uma realidade que fere, exclui... Discrimina... E, se é psicológico ou biológico, doença ou opção, é preciso que a humanidade crie e aplique, em mentes preconceituosas, a fórmula que ameniza os conflitos por meio da tolerância, porque jamais encontraremos respostas que destruam as barreiras sociais e religiosas, pois, da mesma forma que os freudianos acreditam na etiologia psicológica, o pesquisador americano Simon LeVay, do Instituto Salk de Pesquisas Biológicas da Califórnia, defende piamente a etiologia orgânica — hipotálamo — como centro integrador fundamental.

Mas perguntas exigem respostas...

E o desafio para encontrar respostas sobre o homossexualismo é tamanho que nem mesmo a ciência, que se atirou pelos labirintos da mente humana à caça de respostas do desvio de comportamento, chegou à precisão. O Dr. LeVay mergulhou com tanta profundidade que solicitou à neurociência um norte e chegou a um ponto do cérebro humano cujos neurônios formam a estrutura do hipotálamo. Ele estudou 41 cadáveres — 19 eram masculinos que tinham a homossexualidade assumida, 16 eram masculinos heterossexuais e 6 femininos — e se surpreendeu com a incrível descoberta de que os neurônios na região do cérebro onde se localiza o hipotálamo — que comunica extensamente com grande número de regiões do Sistema Nervoso Central — eram maiores nos heterossexuais e menores nos homossexuais.

Ante a descoberta, LeVay supôs que, “se a diferença de tamanho dos neurônios pudesse ser provada em 100% das vezes, isso seria evidência de que a homossexualidade tem base biológica”.

Nesse ponto de convergência, heterossexualidade ou homossexualidade podem ser opção, consequência ou genética. Antropologia, sociologia e ciências biológicas finalmente conseguem criar uma base e falar o mesmo dialeto por encararem o homossexualismo com a mesma ótica ao afirmarem que “hétero ou homo” não dependem do querer do indivíduo, mas de influências, e que a homofobia é um crime brutal contra alguém que não teve autonomia para decidir o “querer ser”.

Em meio às descobertas... O desafio da Educação

É sobre essa plataforma que a Educação deve trabalhar o respeito e a diversidade na escola, para que as diferenças não se transformem em barreiras e a homofobia seja moderada por meio de projetos que trabalhem o preconceito e promova subsídios que amparem as vítimas da hostilidade, pois, mesmo com os avanços, o empenho do sistema de ensino para proporcionar condições de “como trabalhar o respeito e a diversidade na escola”, o multiculturalismo ainda não é explorado o suficiente para proporcionar uma aproximação. Dessa forma, diversidade, alteridade, justiça e heterogeneidade são termos apenas discutidos, questionados e, mesmo que todos (educadores, políticos e o próprio Estado) afirmem que esses são caminhos a serem trilhados, as políticas públicas não propiciam ações para que reinem a cidadania e o respeito.

Se não houver um resgate de emergência, a escola continuará sendo cenário de um enredo onde o vilão “desrespeito ao outro” manterá sob seus pés as minorias etnorraciais, de gênero e, até mesmo, portadores de necessidades especiais. Discutir, reinventar a história e reapresentar projetos são falácias que não mudam a realidade das vítimas, pois, tanto nos currículos escolares como na sociedade, não existe espaço para a diversidade, e, se esta não for trabalhada no ambiente escolar, preconceito e sexismo — conjunto de ações e ideias que privilegiam indivíduos de determinado gênero (ou, por extensão, que privilegiam determinada extensão sexual) — serão temas discutidos desde o setor pedagógico, passando pela direção, ao Instituto Médico Legal, que faz autópsias de vítimas de um crime brutal sem entender as suas razões.

Essa realidade é resultado de um contexto histórico: pais simplesmente não comentam, professores sentem-se receosos em abordar a questão, gestores passam a bola adiante, o sistema não consegue discutir com os envolvidos e, assim, diversidade sexual e de gênero vão ganhando membros, troncos, até se converter no bicho de sete cabeças que atemoriza a comunidade escolar.

Entre controvérsias e mitos, gestores, educadores e especialistas tentam dissimular, mas a homofobia na escola, de tão sutil, é confundida com brincadeiras e, no último extremo — quando as vítimas são agredidas — com bullying. Dessa forma, permitem que direitos sexuais, assim como a diversidade, sejam reprimidos, pois o reconhecimento da diversidade cultural e da pluralidade da expressão de gêneros não é favor que colegas e funcionários da escola devem fazer a essa minoria.

A homofobia no espaço escolar não é apenas um golpe numa minoria que se vê impelida a retroagir pelos pátios, a se isolar em corredores e salas de aula para não se tornarem um alvo. A homofobia é uma flecha que ultrapassa o emocional, desequilibra o crescimento pessoal e reduz o rendimento escolar, pois bloqueia a aprendizagem devido à intimidação, à violência... Que, consequentemente, impele a vítima ao isolamento. Nesse estágio, o desinteresse é maior que a vontade de vencer.

Em meios aos propósitos... Os impedimentos...

Compreendemos que, para falar de homossexualidade no ambiente escolar, devem-se estabelecer cuidados para se fazer uma abordagem segura e descentralizar essa guerra silenciosa, onde os alvos são salientados sem marcas externas, fator que intensifica a sujeição. A escola — sem estrutura — confunde-se entre bullying, bloqueio e preconceito... E, nessa ótica tridimensional, baixa a guarda e declara a regra geral: “Salve-se quem puder”.

Na ânsia de amenizar a tensão, o Ministério da Educação lança o kit anti-homofobia nas escolas. O que prometia ser uma rota alternativa para repelir o preconceito do ambiente escolar gerou discussões acirradas, acendendo um estopim que generalizou a guerra por ter sido vastamente censurado.

As consequências no espaço escolar

A estatística provoca pânico, pois um a cada quatro brasileiros é homofóbico, e, como o espaço escolar é um ambiente que propicia manifestos — principalmente quando há desequilíbrio familiar, degradação dos valores sociais e preconceitos —, a homofobia ganha uma dimensão que sai do domínio do sistema de ensino, pois esse jogo de atitudes, cujo alvo são sentimentos, através do desprezo e da ironia, trazem consequências para toda uma vida. A vítima não se sente apenas rejeitada, perseguida, encurralada... A dor, que muitas vezes leva à depressão, afeta a autoestima e impede o bom desempenho escolar.

Com tantos exemplos de injustiças, já era tempo de o sistema de ensino estar preparado para enfrentar situações adversas, principalmente com a fusão cultural provocada pela globalização.

O veto do kit anti-homofobia pela Presidenta Dilma intensifica a gravidade do problema, por impedir que um assunto crucial à formação do cidadão deixe de ser trabalhado no espaço escolar, pois a homofobia não provoca apenas dor, tristeza às vítimas, é um problema com graves consequências sociais, psicológicas, emocionais, e, pelo fato de a sala de aula ser um espaço de revelações e por não ter disciplinas específicas para se trabalhar valores e respeito às diferenças, o preconceito ganha proporções assustadoras.

Agilidade é a palavra de ordem; cuidado deve ser a regra para preparar a escola com estruturas que ofereçam uma Educação multicultural, para que o “desprezo e o preconceito” sejam abolidos de um espaço onde o crescimento humano é o propósito.

E, se esse propósito não for atingido, guerras ainda mais sangrentas serão travadas no seio de uma sociedade que não respeita o individualismo. Nesse fogo cruzado, muitos terão sentimentos sufocados, desejos contidos, vidas interrompidas, pois serão alvejados pelas flechas dos dois paralelos: de um lado, religiões que se baseiam nos princípios bíblicos; do outro, a sociedade machista, preconceituosa. E, no centro do motim, o governo — mesmo sancionando leis rigorosas e aprovando o matrimônio com indivíduos do mesmo sexo. A maioria dos casais ainda é perseguida, rejeitada como Adônis e Narciso na Grécia Antiga.

A carência de atitudes para amenizar o problema preocupa autoridades e especialistas, e foi necessário criar uma escala — Escala Alport — para medir a intensidade desse preconceito, pois esse sentimento, de tão intenso, desperta o ódio que é manifestado de forma brutal.

E, como todo preconceito, a homofobia se inicia de forma sutil, muitas vezes com brincadeiras — aparentemente inofensivas —, como piadas. Esses atos são a largada de um jogo cruel, o Nível 1 de uma vicissitude que posiciona a vítima no ponto de partida da antilocução. Esse passo é a antessala do inferno, porque desperta medo, provoca desequilíbrio emocional e traumas psicológicos... Pois os ataques são fatais, com poder de estilhaçar o ego, a autoestima; e os mapas das investidas são traçados minuciosamente.

Sobreviver nesses labirintos decreta ao homossexual abrir trincheiras de defesa e cuidados de quem transita num campo minado, pois o Nível 2 desse jogo de desigualdades não tem regras nem armas definidas, apenas determina que se esquive para que os conflitos sejam evitados por meio do contato.

Nesse sinuoso percurso até o Nível 3, é preciso atenção, raciocínio rápido, para criar trincheiras de defesa em meio aos fogos cruzados, e essa defesa, na maioria das vezes, conduz ao isolamento, e esse é o início do mal, pois a discriminação nesse nível é palpável. Muitos simplesmente abrem mão de sonhos e abandonam oportunidades.

E, como todo jogo que tem a violência como estratégia, no homofóbico, o alvo da maioria é destruir a minoria. Nesse jogo, ao atingir o Nível 4, as vítimas estão encurraladas... Salientando que os níveis anteriores foram introduções para se chegar ao Nível 5, em que ataques físicos levam ao extermínio, pois a minoria é entrincheirada nos paredões de uma sociedade que não cumpre deveres nem respeita direitos, muito menos opções sexuais.

Esse jogo evolui gradativamente e todos têm ciência de que é impossível a lei asfixiar sentimentos indomáveis como ódio, que aparta, destrói; ou conter gestos, como a violência, que interrompe caminhadas; suavizar o preconceito, que tortura, enclausura... Mas é possível trabalhar as diferenças, inserir valores nos conteúdos escolares, para que essa minoria seja vista como cidadã, respeitada como ser humano, pois o amor em si impõe regras, determina limites e tudo o que deve ser feito é respeitá-lo. Se não for possível amar o outro como ele é, deixe-o no seu mundo sendo feliz à sua maneira.

O problema exige urgência para ser suavizado, pois, nas últimas décadas, o mundo se desenvolveu de forma espantosa, principalmente no campo tecnológico, mas interrompeu a evolução humana, a ponto de tabus históricos, como o preconceito, não serem superados, e mesmo a ciência, que proporcionou tamanha revolução, criou teorias e soluções para o comportamento sexual, não conseguiu compor a fórmula para transformar mentes capazes de centrar o seu poder para destruir o outro simplesmente por ser diferente.

Sexualidade não é só a manifestação do desejo impelida pela atração física, que seduz e desperta os instintos... Sexualidade é sentimento, que acorda e domina, altera comportamentos, rompe tabus... E é lastimável como nas ruas e, principalmente, nos sites de relacionamentos, deparamo-nos com grupos que se organizam para praticar a homofobia... Essas ações não são apenas agressões ao humano, mas um desrespeito aos sentimentos, e essas investidas arremessam vidas por vias clandestinas no seio de uma sociedade que abre corredores para escoarem os excluídos pelo ódio à homossexualidade. 

Referência

LAGE, Nildo. A homofobia: como trabalhar o respeito e a diversidade sexual na escola. Dispoível em:<http://www.construirnoticias.com.br/> . Acesso em: 26 nov. 2012.