27 de mai de 2012

JOANNA MARANHÃO, mais uma mulher brasileira que não se resignou à violência.


JOANNA MARANHÃO, mais uma mulher brasileira que não se resignou à violência.


Joanna Maranhão
“Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difí­cil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra”.
Guimarães Rosa

Joana Maranhão 4

"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Fernando Pessoa
“Em meu trabalho como terapeuta não existem mapas de navegação precisos. Meu ato de cuidar inclui poucas certezas. Todavia, trago uma convicção comigo:

Ainda que a experiência seja radicalmente terrível, as pessoas que não sucumbem ao desatino ou a nulidade são as que não permitiram que o violador se convertesse em dono de sua alma. Em seus pensamentos e sentimentos, essas pessoas brigaram bravamente contra a visão de que as coisas são assim, que a violência sempre existiu e existirá no mundo. Inconformadas, não aceitaram a violência como algo normal, natural... Não acreditaram que por alguma razão mereceram sofrer. Não se resignaram ao sofrimento!Mesmo que totalmente impotentes contra a violência do outro, estas pessoas mantiveram em alguma parte de sua mente um território livre da opressão. Não permitiram a colonização de sua mente!

joanna maranhao 2
Há então uma oportunidade pequena, mas decisiva, de salvaguardar nossa integridade, nossa natureza contra os excessos e as injustiças do mundo:

Manter dentro de nos mesmo territórios livres de ocupações arbitrárias. Há partes de nosso ser que não devem ser domesticadas. Elas não estão sujeitas a ajustes, porque isso significaria a morte de nossa identidade como pessoa” (Cida Alves, 2010) .


PAGU
“Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Uh! Uh! Uh! Uh!...
Eu sou pau prá toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Hum! Hum! Hum! Hum!
Minha força não é bruta
Não sou freira
Nem sou puta...”

“Porque nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem
...”
Rita Lee

Fonte: Blog Educar Sem Violência. Cida Alves. 2012. 

Sobre Xuxa, canalhas e invejosos –artigo de Artur Xexeo


Sobre Xuxa, canalhas e invejosos –artigo de Artur Xexeo


“O abuso sexual contra crianças é um assunto tabu no Brasil. Muita gente acredita que isso só existe nos EUA, onde o tema é tratado à exaustão em filmes que passam sempre na TV e em autobiografias de qualquer celebridade. No Brasil, é como se ele não existisse. Um assunto para ser resolvido em família. Xuxa escancarou uma porta que teimava em permanecer fechada. O resto é canalhice e inveja”.

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Jornalista Artur Xexeo

Em evento promovido pela “Folha de S. Paulo” que celebrava a chegada de seu 80 aniversário — a data da comemoração será no dia 24 de outubro —, Ziraldo aproveitou para defender um de seus maiores amores, o objeto livro, atacando um de seus maiores inimigos, a internet. “Tudo de que você precisa está dentro de um livro”, disse ele. “Seu filho não pode chegar à internet sem passar pelo livro. Se não for capaz de escrever o que pensa e de entender o que lê, vai para a internet para virar um idiota. A internet está cheia de idiotas. Ela conseguiu dar palco para o canalha, para o invejoso. A Humanidade não presta. E você multiplica a potencialidade dessa maldade na internet.”

Ziraldo exagerou na primeira parte de seu raciocínio, mas foi preciso na segunda. Afinal, livros, hoje, não existem só em papel. A internet está cheia de livros. Todos os livros de qualidade encontrados em livraria — que estão cheias de livros idiotas também — estão na internet. Alguns estão só na internet. Imaginar que a criança do século XXI passará pelo livro antes de chegar à internet é ingenuidade. Na escola, ela aprende na internet. Ela se comunica com os amigos pela internet. Ela satisfaz sua curiosidade na internet. Com muito mais facilidade e imediatismo do que minha geração ou a de Ziraldo conseguia pelo livro. Não é a internet que vai impedir a criança de escrever o que pensa ou entender o que lê. É a educação. E não é o livro das livrarias que vai resolver este problema.

Mas Ziraldo acertou em cheio ao criticar a idiotice que reina no mundo virtual. A internet tornou-se mesmo palco para canalhas e invejosos. Protegida, muitas vezes, pelo anonimato, essa turma ocupa o espaço de comentários nos blogs, usa a rapidez de se soltar um pitaco no Twitter, aproveita-se da força viral de um e-mail para emitir pensamentos pouco elaborados e, na maioria das vezes, agressivos, inconsistentes, precipitados, raivosos... resumindo, cheios de canalhice e inveja.

O mais democrático dos meios de comunicação proporcionou uma liberdade de escrita que, no jornalismo impresso tradicional, por exemplo, não é permitida nem na seção de cartas dos leitores. E esta liberdade vem revelando um caráter da Humanidade que era escondido pelos meios anteriores à revolução digital. O mais recente exemplo disso pode ser visto na reação cibernética à entrevista dada por Xuxa no último “Fantástico”. A famosa apresentadora de TV revelou que sofreu abusos sexuais na infância e no começo de sua adolescência. O governo levou a sério. A secretária de Dieitos Humanos, Maria do Rosário, soltou nota oficial em que definia a revelação de Xuxa como uma “atitude de coragem”. A classe política também. O senador Magno Malta (PR/ES), presidente da CPI da Pedofilia, quer ver Xuxa no ato de assinatura da Lei Joanna Maranhão, que permitirá que adultos denunciem abusos sofridos durante a infância. O Ministério Público considera a entrevista um incentivo para que abusos sejam denunciados. Mas na internet...

Nas 24 horas seguintes ao depoimento, cerca de 29 mil tuítes comentavam o assunto. Foram mais de 20 mensagens por segundo. E, na grande maioria, Xuxa era chamada de louca, acusada de fazer a denúncia “para aparecer”, objeto de piadas.
O cidadão tem todo o direito de pensar duas vezes antes de acreditar em qualquer história do passado de Xuxa. Ela mesma faz questão de apagar este passado. Não existe sua aparição para a vida artística no concurso de panteras promovido num carnaval por Ricardo Amaral. Não existe seu namoro com Pelé. Não existem as fotos eróticas que fez para revistas. Não existe o filme em que interpretava uma prostituta. Xuxa sempre quis dar a impressão de que nascera com 30 anos de idade. Por isso mesmo, como duvidar de um depoimento que expõe tanto sua intimidade? 

O abuso sexual contra crianças é um assunto tabu no Brasil. Muita gente acredita que isso só existe nos EUA, onde o tema é tratado à exaustão em filmes que passam sempre na TV e em autobiografias de qualquer celebridade. No Brasil, é como se ele não existisse. Um assunto para ser resolvido em família. Xuxa escancarou uma porta que teimava em permanecer fechada. O resto é canalhice e inveja.

Fonte: Blog do Artur Xexeo, 24 de maio de 2012. 

Enviado por Eleonora Ramos, jornalista e coordenadora do Projeto Proteger – Salvador/Bahia em 24 de maio de 2012.

26 de mai de 2012

DISQUE 100 recebe mais de 220 mil ligações e novas denúncias de abusos contra crianças e adolescentes após as declarações de Xuxa Meneghel


DISQUE 100 recebe mais de 220 mil ligações e novas denúncias de abusos contra crianças e adolescentes após as declarações de Xuxa Meneghel

 

Xou da XUXA

 

COMO ALGUMAS PESSOAS SÃO INCLEMENTES EM RELAÇÃO AO SOFRIMENTO DO OUTRO. NÃO É A TOA QUE NOSSAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES SENTEM TANTO MEDO DE REVELAR A HISTÓRIA DE SEUS ABUSOS SEXUAIS.

 

Mas vejam, há quanto anos nós - defensores de direitos de crianças e adolescentes, estamos na luta para alertar pais e educadores sobre a elevadíssima incidência de situações de violência sexual contra crianças e adolescentes? Mais de duas décadas não é mesmo! Ao longo desses anos quantas pessoas, direta ou indiretamente, nós conseguimos atingir? Com certeza muitas! Mas quantas pessoas a Xuxa Meneghel conseguiu atingir, em todo esse vasto país, em um depoimento de poucos minutos?MILHÕES DE PESSOAS! Será que ela tem a consciência da grandeza e do valor de seu depoimento.


Tenho certeza absoluta que uma menina ou um menino que é vítima de violência sexual e que mora em algum rincão desse gigantesco Brasil vai se ver diferente a partir do corajoso e sincero depoimento da Xuxa. Quantas meninas e meninos vão se identificar com a coragem dela e vão procurar ajuda? Nossa! Não tenho dúvida que a atitude da Xuxa é uma inestimável contribuição ao enfrentamento da violência e exploração sexual de crianças e adolescentes. 


A ELA DEVEMOS MUITA GRATIDÃO! (Cida Alves)



Fonte: Facebook da Rede Não Bata Eduque. In: Blogger Educar Sem Violência. Cida Alves. 2012.

"Foi uma atitude de coragem que merece respeito", diz Maria do Rosário sobre revelação de Xuxa


"Foi uma atitude de coragem que merece respeito", diz Maria do Rosário sobre revelação de Xuxa


jung
“O que não enfrentamos em nós mesmos encontramos como destino”.
Carl Gustav Jung

Ministra falou sobre o depoimento da apresentadora, no qual ela revelou que sofreu abusos

Ministra à frente da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário conversou por telefone com ZH sobre a importância que odepoimento da apresentadora Xuxa, veiculado ontem no Fantástico, na RBS TV, tem para a causa.
Xuxa ao lado do diretor do quadro O que vi da vida Cláudio Manoel
Xuxa ao lado do diretor do quadro “"O que vi da vida", Cláudio Manoel

— Foi uma atitude de coragem, que merece muito respeito — disse. Ressaltou que há estudos que mostram que a violência sexual produz dores muito fortes, marcas além da dimensão física. São dores psicológicas e as pessoas guardam muitas vezes para si essa situação pela vida inteira. Citou, então, três principais pontos da revelação da apresentadora.

— Em primeiro lugar, representou o que muitas pessoas já sofreram e nunca tiveram coragem de falar. Faz um alerta para essa realidade, que pode ser muito maior que se imagina. Em segundo lugar: chama a atenção para o fato de esse problema acontecer muitas vezes dentro da própria família ou na comunidade na qual a criança está inserida. E em terceiro, acredito que o que ela pediu foi que as pessoas acreditem no que as crianças dizem. Isso é fundamental. Ela disse que não contou porque achava que não iriam acreditar nela e achariam ela culpada. As crianças precisam ter certeza que que os adultos vão acreditar nelas. Precisam confiar neles.

Maria do Rosário se disse ainda muito sensibilizada com a revelação.

— Eu e Xuxa trabalhamos juntas há muito tempo, ela é uma das principais colaboradoras do Disque 100. Ela representou muito bem as pessoas que ainda não tiveram coragem de falar. Gosto ainda mais dela por isso.

Nesse sentido, Maria do Rosário salientou a importância da Lei Joanna Maranhão, que entrou em vigor na última sexta-feira, dia 18 de maio. A Lei, de nº 12.650, altera as regras sobre a prescrição do crime de pedofilia e também o estupro e o atentado violento ao pudor praticados contra crianças e adolescentes.

Agora, a contagem de tempo para a prescrição só vai começar na data em que a vítima fizer 18 anos, caso o Ministério Público não tenha antes aberto ação penal contra o agressor. Até então, a prescrição era calculada a partir da prática do crime. O entendimento é que, alcançada a maioridade, a vítima ganha condições de agir por conta própria.
Joanna Maranhã
Joanna Maranhão depondo na CPI da Pedofilia

A Lei leva esse nome em homenagem à nadadora Joanna Maranhão, que denunciou os abusos a que foi submetida durante a infância por um treinador.

Fonte: Zero Hora em 20 de maio de 2012, foto: Matheus Cabral - TV Globo / Divulgação.In: Blogger Educar Sem Violência. Cida Alves. 2012.

Violência sexual na infância, o comovente e sincero depoimento de Xuxa Meneghel


Violência sexual na infância, o comovente e sincero depoimento de Xuxa Meneghel



 
Eu acredito que quando uma pessoa liberta uma verdade de dentro de si, ela não só ajuda a si mesmo como  abre portas para que tantas outras libertem também as suas verdades. Parabéns Xuxa por sua coragem e solidariedade com quem como você já sofreu pela violência sexual.

Xuxa Meneghel 1
“E, aquele que não morou nunca em seus próprios abismos
Nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas
Não foi marcado. Não será exposto
Às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema
.”
Manuel de Barros

“Quando me chamaram pra fazer a campanha do “Não bata, eduque”, que seria tentar mudar a cabeça das pessoas. E descobri que as crianças que estão na rua, 80% das pessoas que estão nas ruas se prostituindo - a palavra nem seria essa, porque elas não sabem o que estão fazendo-, roubando, se drogando, sofreram algum tipo de abuso dentro de casa. Algum tipo de violência dentro de casa que fez com que ela saísse.


E quando as pessoas começam a me falar sobre as histórias dessas crianças, que muitas vezes isso acontece dentro de casa, ou com o pai, ou com a mãe, ou com o tio ou com o melhor amigo do pai, ou padrasto. Ou seja: alguém muito conhecido dentro de casa que acabou abusando sexualmente dessa criança e ela resolve sair de casa. Mas para ela poder comer ela acaba fazendo isso nas ruas. 

Isso me dá um embrulho no estômago porque eu consigo não só me colocar no lugar delas, como eu abracei essas causas todas porque eu vivi isso. Na minha infância até a minha adolescência, até os meus 13 anos de idade foi a última vez.

Pelo fato de eu ser muito grande, chamar a atenção, eu fui abusada, então eu sei o que é. Eu sei o que uma criança sente. A gente sente vergonha, a gente não quer falar sobre isso. A gente acha que a gente é culpada. Eu sempre achei que eu estava fazendo alguma coisa: ou era minha roupa ou era o que eu fazia que chamava a atenção, porque não foi uma pessoa, foram algumas pessoas que fizeram isso. E em situações diferentes, em momentos diferentes da minha vida. Então ao invés de eu falar para as pessoas, eu tinha vergonha, me calava, me sentia mal, me sentia suja, me sentia errada. E se eu não tivesse uma mãe, se eu não tivesse o amor da minha mãe, eu teria ido embora, porque o medo de você ter aquelas sensações de novo, passar por tudo isso, é muito grande. Só que eu não falei pra minha mãe, eu não tinha essa coragem de falar com ela. E a maioria das crianças, dos adolescentes passa por isso.

Xuxa criança 1

"Quero ter duendes a meu redor, porque sou corajoso. A coragem que afugenta os fantasmas cria seus próprios duendes: a coragem quer rir”!
Friedrich Nietzsche


Eu não me lembro direito porque eu era muito nova, eu me lembro do cheiro. Tinha cheiro de álcool, tinha cheiro de alguma coisa e eu não sei quem foi. E depois aconteceram muitas vezes. Parou aos 13 anos, quando eu consegui fugir. Agora tem essas coisas que pra mim doem, me machucam, me dá vontade de vomitar. Quando eu lembro que tudo isso aconteceu e eu não pude fazer nada porque eu não sabia, eu não tinha experiência. O que uma criança pode fazer? Eu tinha medo de falar pro meu pai e meu pai achar que era eu que estava fazendo isso. Porque uma das vezes que aconteceu foi com o melhor amigo dele, que queria ser meu padrinho. Eu não podia falar pra minha mãe, porque uma das vezes também foi com um cara que ia casar com a minha avó, mãe dela. Então, a errada era eu. Eu não tinha experiência, não sabia o que era. Professores. Um professor chegou pra mim e disse: ‘Não adianta você falar porque entre a palavra de um professor e de um aluno eles vão acreditar no professor, não no aluno. E até hoje, se você me perguntar por que aconteceu comigo, eu ainda acho que foi por minha culpa. E a gente não pode pensar assim. Porque a criança não tem culpa, a criança não sabe. O cara, o adulto, o homem, a mulher, a pessoa que faz isso com uma criança sabe, mas a criança não.

Talvez eles deveriam ter notado que quando eu não estava falando muito, eu que sou de falar demais, é porque estava acontecendo alguma coisa comigo. Mas na inocência da minha mãe, que casou tão nova e com cinco filhos, ela não reparou que eu que falava muito, em alguns momentos eu me calava. Por que você acha que eu não consigo casar e ficar muito tempo com uma pessoa? Deve ter uma explicação. Quem sabe não deve ser tudo isso que eu vivi? O fato de eu me achar horrível, me achar feia, e as pessoas falarem: ‘Não, é bonita’. E eu falar: ‘Não, não sou’. Deve ter a ferida ali.

Eu nunca falei pra ninguém porque eu achava que as pessoas vão me olhar diferente. Ou talvez não vão entender. Ou vão entender da maneira delas. Mas eu só queria dizer que eu não entendo muitas vezes porque aconteceu comigo. E porque eu não falei. E por que eu não soube dizer não, eu não sei. Talvez eu tivesse que passar por tudo isso pra hoje eu chegar e dizer: ‘Eu quero lutar por elas’. Eu tenho um sonho de um dia nenhuma criança sofrer nada porque criança é um anjo. Aquele cheiro, que eu gosto de cheirar o pescoço, que tem...

Acesse a entrevista completa AQUI

Fonte: Fantástico em 2o de maio de 2012.In: Blogger Educar Sem Violência. Cida Alves. 2012.

A violência familiar contra a criança é um problema de saúde pública em todo o mundo.


A violência familiar contra a criança é um problema de saúde pública em todo o mundo.

 
O estudo mostra a prevalência e característica da violência familiar contra crianças adscritas ao Programa Médico de Família de Niterói/RJ.
93,9% das crianças de 0 a 9 anos sofrem punição corporal;
51,4% maus-tratos físicos;
19,8% maus-tratos graves; e
96,7% agressão psicológica.
Menina negra linda
A boa notícia é que 99,6% já tentam métodos de disciplina não violenta.
Nosso desafio é divulgar e mostrar para a sociedade brasileira que esse é o método educativo que dá resultados positivos e garante à integridade física e psicológica das crianças contribuindo para seu pleno desenvolvimento como ser humano e como cidadão.
Vejam um resumo da pesquisa no link abaixo.


Fonte: Blogger Educar Sem Violência. Cida Alves. 2012.

16 de mai de 2012

Participação infantil

Participação infantil


        
Incluir as crianças no processo educativo significa estimular, encorajar e permitir que elas expressem suas opiniões sobre os assuntos ligados a elas. Na prática, significa que os adultos devem escutar as crianças, e mais do que isso, considerar suas opiniões. Isso permite que elas aprendam formas construtivas e positivas de influenciar suas relações. A participação deve ser autêntica e as crianças devem expressar seus sentimentos, esperanças e expectativas, ideias e sonhos. Isto requer, na maioria das vezes, uma mudança radical no comportamento e modo de pensar dos adultos.


Saiba porque a participação infantil é fundamental para um pleno desenvolvimento das crianças:
- Contribui para sua formação e para o desenvolvimento de valores, atitudes, habilidades e capacidades para o exercício da cidadania e para a atuação social desde a infância.
- É uma forma concreta de se reconhecer os direitos da criança e sua condição de sujeito social.
- Contribui para o processo de socialização da criança.
- Facilita a convivência entre pais e filhos, assim como a execução dos projetos e programas sociais que trabalham para e/ou com crianças.
- Garante o reconhecimento social das crianças e adolescentes e promove o desenvolvimento da sua consciência coletiva como grupo social.

Conheça os desafios e obstáculos que encontramos para implementar a participação infantil no processo educativo:
O conceito de infância que ainda prevalece na sociedade enxerga a criança como um objeto, propriedade dos pais, que recebe de forma passiva os conhecimentos passados pelos adultos.
- As relações entre adultos e crianças tendem a ser assimétricas e autoritárias (adulto versus criança).
- Há ausência de políticas públicas que facilitem a participação de crianças, especialmente nas esferas de decisão (por exemplo, dentro da família, da escola, da comunidade, etc.), bem como o limitado apoio governamental às iniciativas de crianças e adolescentes.
- Inexistência de canais de participação nas estruturas e espaços de socialização em que as crianças atuam.
- As estratégias metodológicas adotadas em programas e projetos costumam ser equivocadas ou inadequadas e não favorecem a participação das crianças e adolescentes.
- Faltam recursos humanos capacitados para encorajar processos participativos.

Saiba quais as vantagens da participação infantil no processo educativo para a criança:
- Ajuda no desenvolvimento da autoestima, segurança, autonomia e domínio de habilidades sociais das crianças.
- Desenvolve capacidades de expressão de sentimentos e ideias.
- Melhora a capacidade de inter-relação pessoal, ampliando o diálogo com o adulto, facilitando o tratamento de conflitos, na elaboração de propostas e na percepção da sua realidade e senso crítico.
- Contribui para reforçar a integração social das crianças.
- Reforça os valores de solidariedade e democracia.
- Desenvolve habilidades para assumir responsabilidades.
- As crianças e adolescentes adquirem maior conhecimento sobre seus direitos.

Conheça as vantagens da participação infantil no processo educativo para a família:
- Fortalece a relação entre pais e filhos, com a construção de canais de diálogos.
- Promove uma maior confiança e respeito entre pais e filhos.
- Possibilita que os pais conheçam mais sobre como seus filhos se sentem e pensam.
- Promove o estabelecimento de regras de convivência junto com os filhos.
- Possibilita o maior cumprimento das regras de convivência em casa e fora dela.
- Promove um ambiente familiar mais equitativo entre todos os seus membros.

Veja as vantagens da participação infantil no processo educativo para a sociedade:
- Promove relações mais equitativas entre adultos e crianças.
- Influem nas visões dos adultos e das próprias crianças.
- Cria condições para uma presença maior das crianças e dos adolescentes nas organizações e instituições comunitárias.
- Gera maior apoio governamental às iniciativas das crianças e adolescentes.
- Forma as crianças para o exercício de sua cidadania e liderança.
- Contribui para o desenvolvimento de mecanismos que garantem que as crianças sejam ouvidas e que sua opinião seja levada em consideração.

Fonte: Rede não bata eduque. Disponível em: http://www.naobataeduque.org.br/problemas/participacao-infantil. Acesso em: 16 maio 2012.

12 de mai de 2012


“Que a maior porta é o afecto…” Mario Benedetti


Dedico o poema “Dos Afetos” de Mário Benedetti às notáveis mães que tive a oportunidade e a honra de conhecer ao longo de minha carreira profissional.

Mães muito distintas - transbordantes de afeto e coragem, que foram ao limite de si mesma para proteger seus filhos e filhas da violência.

minha heroina
Minha heroina, mãe que mesmo não sabendo nadar se atira em um poço cheio de ferragens para salvar a vida do filho.
Mães que enfrentaram o medo e a vergonha e perambularam por conselhos tutelares e delegacias a fim de interditar a violência que era infligida a seus filhos e filhas, na maioria das vezes, por seus próprios maridos e companheiros.

Mães trabalhadoras e sempre esgotadas, mas que nunca deixavam de levar seus filhos e filhas às consultas em um distante serviço público de saúde.

Mães que recorreram desesperadamente a todas as instâncias possíveispara que uma decisão judicial injusta não obrigasse a sua filha ou seu filho a retornarem o contato, sem nenhuma garantia de proteção, com pais abusadores.

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Mães que não temendo por sua própria morte ousaram denunciar grupos de extermínio que vitimaram seus filhos em Goiás.

Mães, ainda que confusas e fragilizadas, conseguiam ter a força e a virtude de refletirem sobre as violências que elas mesmas comentiam contra os seus filhos e filhas, e num esforço sobre humana conseguiam romper com crenças enraizadas em sua cultura familiar e no seu habitus*, desenvolvendo assim práticas educativas que não se baseavam mais em castigos físicos e humilhantes.

TODAS ESSAS MÃES ME COMOVEM PROFUNDAMENTEelas me encorajam nos momentos mais duros de minha peleja profissional e me inspiram sempre em minha caminhada pela vida....


DOS AFETOS
Como fazer-te saber que há sempre tempo?
Que temos que buscá-lo e dá-lo…
Que ninguém estabelece normas, senão a vida…
Que a vida sem certas normas perde formas…
Que a forma não se perde com abrirmo-nos…
Que abrirmo-nos não é amar indiscriminadamente…
Que não é proibido amar…
Que também se pode odiar…
Que a agressão porque sim, fere muito…
Que as feridas fecham-se…
Que as portas não devem fechar-se…
QUE A MAIOR PORTA É O AFECTO…
Que os afectos definem-nos…Que definir-se não é remar contra a corrente…
Que não quanto mais se carrega no traço mais se desenha…
QUE NEGAR PALAVRAS É ABRIR DISTÂNCIAS…
Que encontrar-se é lindo…
Que o sexo faz parte da lindeza da vida…
Que a vida parte do sexo…
Que o porquê das crianças tem o seu porquê…
Que querer saber de alguém não é só curiosidade…
Que saber tudo de todos é curiosidade malsã…
Que nunca é demais agradecer…
Que autodeterminação não é fazer as coisas sozinho…
Que ninguém quer estar só…
Que para não estar só há que dar…
Que para dar devemos antes receber…
Que para nos darem há também que saber pedir…
Que saber pedir não é oferecer-se…
Que oferecer-se, em definitivo, não é querer-se…
Que para nos quererem devemos mostrar quem somos…
Que para alguém ser é preciso dar-lhe ajuda…
Que ajudar é poder dar ânimo e apoiar…
Que adular não é apoiar…
Que adular é tão pernicioso como virar a cara…
Que as coisas cara a cara são honestas…
Que ninguém é honesto por não roubar…
QUE QUANDO NÃO SE TIRA PRAZER DAS COISAS NÃO SE VIVE…
Que para sentir a vida temos de esquecer que existe a morte…
Que se pode estar morto em vida…
Que sentimos com o corpo e a mente…
Que com os ouvidos se escuta…
Que custa ser sensível e não se ferir…
Que ferir-se não é sangrar…
Que para não nos ferirmos levantamos muros…
QUE MELHOR SERIA FAZER PONTES…
Que por elas se vai à outra margem e ninguém volta…
Que voltar não implica retroceder…
Que retroceder também pode ser avançar…
Que não é por muito avançar que se amanhece mais perto do sol…
Como fazer-te saber que ninguém estabelece normas, senão a vida?
Mario Benedetti





*habitus - [...] um sistema de disposições duráveis e transponíveis que, integrando todas as experiências passadas, funciona a cada momento como uma matriz de percepções, de apreciações e de ações – e torna possível a realização de tarefas infinitamente diferenciadas, graças às transferências analógicas de esquemas [...] (Bourdieu, 1983b, p. 65). Para Pierre Bourdieu, o princípio da ação histórica não é um objeto que se confronta com a sociedade como algo constituído pela exterioridade. Esse princípio não reside nem na consciência, nem nas coisas, mas sim na relação entre a história objetivada nas coisas e a história encarnada nos corpos. O corpo está dentro do corpo social, mas o mundo social está dentro do corpo”, afirma Bordieu (2001 p. 41).

Fonte: Cida Alves. Blogger Educar Sem Violência. 2012. Disponível em: http://toleranciaecontentamento.blogspot.com.br/. Acesso em: 12 maio de 2012.

COTIDIANO - castigos físicos, cruéis e degradantes


COTIDIANO - castigos físicos, cruéis e degradantes


Wanderlino Nogueira Neto









Por Wanderlino Nogueira Neto*
 
Aprovado na Câmara de Deputados no Congresso Nacional o projeto de lei que condena os "castigos físicos, cruéis e degradantes" (a mal-chamada lei da palmada). Segue ela agora para o Senado Federal, onde se espera seja aprovada rapidamente. Para tanto, espera-se que aquelas pessoas infiltradas em todos os cantos do país (os "podres poderes", cantados por Caetano) e que portam o DNA do autoritarismo e do tutelarismo repressivo-assistencialista não venham "botar- boneco, atrapalhar, promover obstruções, adiamentos; não venham espernear histericamente.
O mesmo DNA da Ditadura Militar se repete na Ditadura Familiar. Hoje assisti o Alexandre Garcia falar na TV, enumerando uma serie de falsidades, inverdades e distorções. Não por ignorância, mas por má fé. Diz ele que o Estatuto da Criança e do Adolescente já trazia mecanismos penais para viabilizar os casos de maus-tratos, de violência contra a pessoa da criança e do adolescente. Ele omite o papel educativo, mobilizador, protetivo/emancipador do projeto de lei. Ele omite o reconhecimento do projeto de que temos legislação penal para isso, mas que precisamos de ações no âmbito das políticas públicas, especialmente no âmbito das políticas de saúde (mental), de educação e de assistência social para dar conta dessa perversão social (castigo físico). Ele, como parte legítima do "entulho autoritário" que é, só acredita nas armas do falido Direito Penal, seletista e inócuo.

As sanções penais no Brasil e no mundo só são efetivas quando se tratam de acusados/réus empobrecidos. O "bom-burgues", bem posto na sociedade, não tem medo, nem motivo pra ter medo das penas, do Direito Penal. Por isso tanto se compraz o jornalista (e outras pessoas com o mesmo DNA político e ideológico) com o mecanismo penal existente. Mas ridiculariza os mecanismos mobilizatórios e educativos. O que os "filhotes da ditadura" mais temem hoje: um povo consciente, esclarecido, educado, formado politicamente. Como o povo da Suécia (pioneiro nesse campo) e de inúmeros outros países do mundo, apoiados no advocacy e na mobilização das Nações Unidas, países que adotaram legislação, jurisprudência e ações de políticas públicas (integrados serviços e programas, atividades e projetos) da mesma natureza que se está para adotar felizmente no Brasil. Povo educado é povo livre! "Gentileza gera gentileza" - dizia o profeta de rua carioca.

E assim: toda e qualquer violência gera mais violência! Indignemo-nos com essa manipulação dos "podres poderes" quando procuram manter e elevar os níveis de alienação da população, especialmente das classes trabalhadoras e dos grupos vulnerabilizados em seus direitos (mulheres, crianças/adolescentes, jovens, idosos, LGBTT, afro-descendentes, povos indígenas etc.).

Fonte: DIREITOS HUMANOS GERACIONAIS Indignai-vos! 15 de dezembro de 2011

*Wanderlino Nogueira Neto - Mestrado em Direito Econômico - Universidade Federal da Bahia; Especialização em Direito de Menores - Universidade de Maccerata - Marche (Itália); Procurador de Justiça (aposentado) do Ministério Público do Estado da Bahia; Coordenador do Grupo de Trabalho para Monitoramento da Implementação da Convenção sobre os Direitos da Criança da Seção Brasil do "Defensa de los Niños Internacional" - DNI/DCI (Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e dos Adolescentes - ANCED); Pesquisador do Instituto Nacional de Direitos Humanos da Infância e da Adolescência - INDHIA; Coordenador de Projetos de Formação da Associação Brasileira dos Magistrados e Promotores da Infância e Juventude - ABMP

Fonte: Blog Educar Sem Violência. Cida Alves. 2o12. Disponível em: http://toleranciaecontentamento.blogspot.com.br/