17 de abr de 2013

DIGA NÃO À VIOLÊNCIA - Por Sione Porto


Diga não à violência

 Em termos de violência, as estatísticas das Delegacias Especializadas de Proteção à Mulher, desde 1985, têm demonstrado que as agressões, ameaças e estupros contra a mulher, vêm aumentando assustadoramente, em números preocupantes.
A ONU acaba de denunciar que há um surto global de ataques contra a mulher. Sete em cada dez serão estupradas ou vítimas de violência ao longo da vida (Revista IstoÉ, 6 de março de 2013).
Para mudar esse quadro é preciso atacar as causas históricas e culturais. As mulheres sempre foram vítimas de preconceito por parte da própria família, que as discriminava dos filhos varões, entendendo ser a mulher, educada apenas para ser esposa e mãe, devendo, portanto, obediência a seu marido.
Em 17/09/1997, época em que muitas mulheres não teriam coragem, a dona de casa E. P. S. (cidade preservada) prestou queixa, na Delegacia Circunscricional, contra o motorista de táxi N. P. S., seu marido, com quem era casada há vários anos, dizendo que, enquanto dormia, fora agredida com socos na cabeça, só porque estava frequentando uma paróquia, além de já ter sofrido outras agressões de rotina, ou seja, espancamentos diários.
Casos como esse e de agressões e espancamentos semelhantes têm registros diários nas delegacias brasileiras.
Para reverter essa situação, é necessário cuidar de uma nova educação, uma linha revisionista facilitadora no combate à violência contra mulher, com maior rigor e agilidade processual, na aplicação da lei Maria da Penha, a fim de acabar com o machismo do valentão, guerrilheiro afetado que gosta de bater.
Hoje a violência atinge todas as classes sociais, das mais pobres como as donas de casas simples, às tituladas, médicas professoras, dentistas, empresárias, advogadas, atrizes, modelos, etc.
Dentre os fatores estudados, estatísticas comprovam que o desencadeamento da violência doméstica contra a mulher, dá-se pelo machismo, ciúme exacerbado, inferioridade funcional e econômica, desemprego, alcoolismo e pelas drogas (campeão da violência), aliados a outras relevantes: as mentes perigosas, originadas pelas psicopatias mentais.
Mudar esse quadro de violência contra a mulher não é fácil, é tarefa árdua, que temos enfrentado no combate diuturno nas delegacias, inobstante não é impossível. As mulheres que não buscarem ajuda e não vencerem o preconceito, o medo, a dor, a humilhação e a vergonha, denunciando seus parceiros, vão apanhar sempre. Convém ressaltar, que os relacionamentos conturbados a problemáticos, não se reverterão pela obediência e pelo medo.
É necessário denunciar toda e qualquer violência contra a mulher. O homem sabe que bater na mulher é crime, todavia, continuam batendo, entendendo ser a mulher sua propriedade, ademais, confiando também na impunidade.
Todos os dias, no Brasil, chegam às delegacias, mulheres agredidas, com cabeça enfaixada, perna engessada, braço quebrado, olho inchado, corpo furado por armas brancas, chicotadas, pauladas, facãozadas, lesionadas por armas de fogo, quando não são assassinadas. O inimigo íntimo é o namorado, o amante, o companheiro, ás vezes também, é o pai, o irmão, o cunhado.
O faroeste da violência contra a mulher cresce em todo país, tal a irracionalidade do homem, impunidade e a fragilidade da lei. O Brasil ocupa a 7ª posição no ranking de países com maiores índices de homicídios femininos no mundo.
É imprescindível mudanças profundas com responsabilidade do tratamento ä dignidade e integridade da mulher.
A mulher não saiu do território bíblico só para ser a fêmea da espécie e apanhar. Deve, antes de tudo, ser respeitada e amada como pessoa humana. Denunciem. Não continuem dormindo com o inimigo.
 Fonte: Blog Itabuna Centenária. Postado por Elê Santos Machado. 2013. Disponível em: http://cemanosdeitabuna.ning.com/profiles/blogs/diga-nao-a-violencia-por-sione-porto. Acesso em: 17 abr. 2013.

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