23 de jul. de 2013

SEUS FILHOS: COMPORTAMENTO

Comportamento negativo dos pais aumenta risco de a criança se envolver com bullying


De acordo com nova pesquisa, filhos de pais e mães superprotetores ou negligentes têm mais chance de sofrer e também praticar bullying com os colegas

Crescer Online

  shutterstock












Pesquisadores da Universidade de Warwick, nos Estados Unidos, analisaram informações coletadas por 70 estudos diferentes, de 1970 a 2012, envolvendo mais de 200 mil crianças, para comprovar, mais uma vez, que o comportamento dos pais tem influência direta nas atitudes dos filhos – e que isso pode acontecer para o bem ou para o mal. 

Para elaborar a análise, os profissionais dividiram o comportamento dos adultos em duas categorias distintas: o positivo (que incluiu características como autoridade, comunicação, envolvimento, apoio, supervisão e afeição) e o negativo (como abusos, negligência e superproteção). Em seguida, compararam todos os dados das famílias, chegando à conclusão de que o comportamento negativo dos pais aumenta o risco de a criança sofrer e também praticar bullying. 

“As pessoas normalmente assumem que o bullying é um problema das escolas, mas este estudo deixa claro que os pais têm um papel muito importante na questão”, afirmou, em nota, o professor Dieter Wolke, um dos autores do texto. “É vital que todos entendam isso para que sejam feitos programas de intervenção não só nas instituições de ensino, mas também dentro das casas dessas famílias, encorajando as práticas positivas”, completou. 

O professor explicou ainda porque a superproteção foi incluída na lista de comportamentos negativos. De acordo com ele, as crianças precisam de apoio, mas não podem ser banidas de todas as experiências negativas. “Quando fazem isso, os pais não deixam os filhos aprenderem quais são as melhores maneiras de lidar com seus problemas e fazem com que eles se tornem mais vulneráveis”, disse.

Fonte: Revista Crescer. 2013. Disponível em: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI336889-15151,00.html. Acesso em: 23 jul. 2013. 

18 de jul. de 2013

Um lamento sem fim…. uma tragédia anunciada!

Em Rio Verde (GO), bebê de dez meses morre vítima de traumatismo craniano, varias fraturas ósseas e rompimento de víscera.


Pai biológico denunciou a violência física contra seu filho!
Conselheiro Tutelar identificou marca de queimadura no corpo do bebê.
O que faltou para que a vida dessa criança fosse protegida?


A mãe e o companheiro são suspeitos de agredir um bebê de 10 meses até a morte, em Pires do Rio , no sul de Goiás. Conforme a declaração de óbito, divulgada na quinta-feira (11), a criança foi vítima de maus-tratos e sofreu traumatismo craniano, fratura de ossos e lesão nos rins.

Quando o menino morreu, no dia 3 deste mês, o padrasto disse à polícia que ele teve um convulsão dentro do carro. Contudo, o delegado que investiga o caso, Wanger Luiz Bernardes, informou ao G1 que, com a conclusão do documento de óbito, tudo leva a crer que houve um homicídio. “Vamos investigar quem cometeu o crime. Os principais suspeitos são a mãe e o padrasto da criança”, aponta.

Antes do bebê morrer, o pai já havia denunciado ao Conselho Tutelar que a ex-companheira e o marido dela maltratavam o filho.

Depoimento

Em depoimento aos policiais antes da conclusão do documento, o padrasto alegou que deixou a criança no carro porque ela chorava muito. Ao retornar ao veículo para pegar o menino, contou, ele estava dando convulsão. “A declaração de óbito confronta esta versão. No documento está claro de que houve maus-tratos”, afirmou o delegado.

O menino foi levado pela mãe ao Hospital Municipal Benedito Rodrigues do Nascimento, em Pires Belo. A criança chegou com parada respiratória à unidade de saúde, mas não resistiu.

A Polícia Civil deve ouvir o padrasto novamente na tarde desta sexta-feira (12). Além dele, também foram intimadas a mãe do bebê e a irmã dela, que estaria com o casal no momento em que o menino morreu.

O delegado informou que o criminoso deverá responder por homicídio duplamente qualificado. A pena para este tipo de crime é de 12 a 30 anos de prisão.

Denúncia

Uma informação que reforça a suspeita sobre a mãe e o padrasto foi dada pelo pai do bebê ao Conselho Tutelar dias antes do crime. Na ocasião, ele afirmou aos conselheiros que o filho estava sendo agredido. No entanto, o pai não sabia quem estava maltratando a criança, mas suspeitava da mãe.

A presidente do Conselho Tutelar de Pires do Rio, Sueley Luana da Silva, afirma que conversou com a mãe do bebê, pois o pai tinha visto uma marca de queimadura no braço do menino. A mulher alegou que estava cozinhando e o queimou sem querer.

Fonte: G1 – Jornal Anhaguera, em 12 de julho de 2013.

A violência física por se constituir em um ataque direto à integridade física da pessoa é a forma de violência que possui maior letalidade, ou seja, risco de morte.

O risco de morte aumenta quando essa forma de violência é infligida contra uma criança pequena!
É preciso muito atenção e rápida ação protetiva quando se identificar um caso de violência física contra crianças pequenas. Esse é o tipo de situação de altíssimo risco.
A violência física resulta em casos graves e alta letalidade. O número de mortes decorrente da violência física predomina em relação às outras formas de violência (AZEVEDO; GUERRA, 1995);

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Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2013. Disponível em: http://toleranciaecontentamento.blogspot.com.br/. Acesso em: 18 jul. 2013.

24 de jun. de 2013

Pai é suspeito de torturar menino de 8 anos em Macapá

Criança foi encontrada no mato com lesão no olho e queimadura nas mãos.
Homem disse que agressões eram castigos pelas notas na escola.

Anne KarolineDo G1 AP

Menino de 8 anos apresentava queimaduras nas mãos feitas pelo pai (Foto: Anne Karoline/G1)Menino de 8 anos apresentava queimaduras nas mãos, feitas pelo pai, segundo a polícia
(Foto: Anne Karoline/G1)
Um homem de 32 anos foi autuado em flagrante pela Polícia Militar, na manhã de segunda-f
eira (24), em Macapá. Ele é suspeito de torturar o próprio filho, um menino de 8 anos de idade. A prisão aconteceu após a criança fugir de casa no final da tarde de domingo (23). Ela ficou seis horas escondida no mato próximo à casa do pai, até ser encontrada por um vizinho. O caso aconteceu no bairro Marabaixo 4, zona oeste da capital.
Com várias lesões pelo corpo, o menino apresentava um grave ferimento no olho esquerdo, provocado por uma paulada, corte na testa e queimaduras pelas mãos, que, segundo a criança, foram feitas na boca do fogão da casa onde mora.
Mão de criança foi queimada na boca do fogão da casa dos pais (Foto: Anne Karoline/G1)
Mão de criança foi queimada na boca do fogão da
casa dos pais, segundo a polícia
(Foto: Anne Karoline/G1)
Em depoimento à polícia, o pai confessou que bateu na criança na última quinta-feira (20), com uma régua de madeira, que acabou atingindo o olho. Ele também assumiu as queimaduras e justificou informando que foi a punição aplicada pelo baixo rendimento na escola.
Um vizinho de 35 anos, que preferiu não se identificar, encontrou a criança no mato por volta de meia noite, assustado e debilitado. "Pensei em devolver para os pais, mas pelo estado dele, sabia que iriam agredi-lo ainda mais. Então chamei a polícia. Precisei correr atrás dele e conquistar a confiança para que ele viesse até mim", lembra, indignado.
Ao ser acionada, a polícia chegou a ir à casa do menino, e informou que, chegando lá, encontrou os pais com sinais de embriaguez. Eles foram questionados sobre o filho, mas pai e madrasta não souberam dar informações e alegaram que a criança estava desaparecida.
O casal foi encaminhado ao Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) do Pacoval, na zona norte de Macapá. Juntos há quatro anos, eles têm mais duas filhas.
Conselheiro tutelar João Bosco informou que menino está sob medida protetiva (Foto: Anne Karoline/G1)
Conselheiro tutelar João Bosco informou que
menino está sob medida protetiva
(Foto: Anne Karoline/G1)
Agressões
O conselho tutelar da zona sul de Macapá registrou o caso. O conselheiro João Bosco informou que essa não teria sido a primeira vez que o menino teria sido espancado. "Alguns hematomas pelo corpo são de dias anteriores. Segundo a criança, frequentemente o pai a agride. Violência vai desde a física à psicológica”, informou.

A criança vai ficar sob medida protetiva em um abrigo até que algum parente seja localizado. “Ainda não localizamos nenhum parente da criança e nem a mãe biológica. Vamos esperar aparecer alguém e saber se a criança vai querer ficar com algum deles. Mas para o pai ela não volta”, afirma o conselheiro.
De acordo com o delegado Daniel Paes, a madrasta foi liberada pois não tinha envolvimento no caso. O pai foi preso em flagrante por tortura e vai ser encaminhado ao Instituto de Administração Penitenciária (Iapen).
Só no conselho tutelar da zona sul são registrados, em média, 10 casos de espancamentos, por dia, em crianças e adolescentes.

5 de jun. de 2013

Mãe diz que gêmeas de 4 anos foram violentadas por gari em escola do Rio

'Elas estão o tempo todo com medo', diz a mãe das supostas vítimas.
Caso é investigado pela 36ª DP (Santa Cruz).

Mariucha MachadoDo G1 Rio

Gêmeas vítimas de abuso em escola municipal na Zona Oeste do Rio (Foto: Mariucha Machado /G1)Gêmeas foram vítimas de abuso em escola municipal na Zona Oeste do Rio (Foto: Mariucha Machado /G1)
Um casal de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, vive momentos de angústia desde o dia 26 de maio, quando o homem desconfiou do comportamento de uma das filhas gêmeas, de 4 anos, que estava muito quieta e constantemente roía as unhas, demonstrando medo. A mãe foi conversar com as crianças e, após uma hora de tentativa, uma delas deu a entender que alguém na escola tinha mexido em suas partes íntimas. "Fui ver e achei que estava vermelhinho”, contou a mulher, que foi à 36ª DP (Santa Cruz) registrar queixa de abuso sexual. O suspeito: um gari que trabalha na escola municipO delegado mandou o casal com as filhas para o Hospital Pedro II, e a médica verificou uma alteração nas partes genitais delas. De volta à delegacia, a mãe recebeu um pedido para exame de corpo de delito, já realizado.
Depois que a primeira menina confirmou para a mãe o que tinha ocorrido, a outra menor também relatou o mesmo problema. As duas choravam muito. “Elas contaram que quem tinha feito a maldade se chamava Leandro e usava o uniforme de gari”.
Segundo a mãe, esse rapaz ficava sempre na porta da escola recebendo os estudantes. “Parecia um funcionário do colégio, porque ele estava todo dia lá.”al onde estudam as duas, local do suposto crime.
A mãe voltou à polícia e informou ao delegado Anderson Ribeiro Pinto o nome do suposto criminoso. Em nota, a Polícia Civil informou que "o caso está sendo investigado e todos procedimentos de praxe estão sendo adotados. Testemunhas estão sendo ouvidas e a vítima já realizou o exame de corpo de delito. O suposto autor, que é um gari, já foi identificado e prestou depoimento. O delegado aguarda o resultado do laudo pericial".
Sindicância aberta
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação do Rio esclareceu que, de acordo com a 10ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), assim que a mãe relatou a situação foi aberta uma sindicância para apurar o caso. Ainda de acordo com o órgão, a secretaria informa, ainda, que o funcionário da Comlurb foi afastado da escola até o fim da apuração. A CRE vai colaborar com a polícia no que for necessário.

O casal também é pai de um menino de 9 anos. Ele contou para a mãe que diversas vezes encontrou as irmãs sozinhas pelos corredores do colégio, sem os professores. “Elas andavam lá tudo”, disse o menino.
Reincidência
A mãe das gêmeas contou ao G1 que as meninas disseram que o abusou aconteceu mais de uma vez. “Elas falaram que ele levava elas para uma sala, tirava a roupa, colocava o dedo e a professora não estava perto.”

A mãe das meninas acionou o Conselho Tutelar para pedir ajuda psicológica para as crianças. “Elas estão o tempo todo com medo, acham que vão morrer porque contaram o ‘segredo’ para a mãe. Elas estão nervosas, agitadas, não ficam sozinhas.”
O Conselho Tutelar encaminhou a recepcionista para o CRE. A mãe pediu a transferência do filho para outra instituição e a abertura de uma sindicância para apurar os fatos.
Empenhada por Justiça para resolver o problema, a mãe voltou à delegacia para contar o ocorrido e encontrou a professora e o gari. Eles foram ouvidos e liberados pelo delegado. “Até agora estou sem resposta, ninguém me fala nada. Ele está solto aí e eu tenho medo do que posso acontecer. Eu acordo no meio da noite com muito medo”, relatou. “Eu e o pai dela queremos Justiça. Isso pode ter acontecido com outras crianças também”.
A avó também está revoltada com a situação. “Eu dava banho nelas e elas não deixavam eu lavar direito, ficavam travando as perninhas. Elas diziam que doía muito. Algumas vezes eu achava que elas estavam assadas, falava até com a minha filha, mas  podia ser outra coisa”, revelou. Depois que a história veio à tona para os pais, as crianças deixaram o colégio e quando passam em frente dizem que não querem voltar.
No momento em que o G1 estava na residência do casal, o Conselho Regional de Educação ligou e marcou uma reunião para sexta-feira (7), às 15h. “Achei que esse caso fosse ser resolvido mais rápido. Infelizmente tive que apelar para a imprensa para fazer Justiça. Até então eles não tinha me procurado para nada”, contou a mãe, emocionada.

3 de jun. de 2013

Crianças proibidas de ver - artigo de Fernando Reinach*



Bebe olhando pra frente

Muito otimistas, os seres humanos associam a palavra novo à palavra melhor. Gostamos de descrever as mudanças na nossa vida como "o progresso da humanidade".

Mas o novo não é sempre melhor. A redescoberta dessa afirmação óbvia é uma das novidades deste início de século e tem aumentado nosso interesse pelo modo de vida nas sociedades ditas primitivas. Você segue a dieta do caçador ou é vegetariano? Que tal corrermos descalços? Educar em casa ou na escola? E o colchão, não deveria ser mais duro?

Nosso passado é longo. Os ancestrais do Homo sapiens surgiram 1 milhão de anos atrás. Durante os primeiros 800 mil anos viveram coletando o alimento de cada dia, todo dia, o dia todo. Vagavam pelas estepes e florestas africanas, fugindo dos predadores. Nós, os Homo sapiens, surgimos faz aproximadamente 200 mil anos e somos descendentes dos indivíduos que sobreviveram a esta intensa seleção natural que durou 800 mil anos.

Nestes últimos 200 mil anos, ainda passamos 185 mil deles vivendo em pequenos grupos, coletando raízes, caçando, pescando, nos espalhando por diversos continentes. Os nossos antepassados que sobreviveram a esse tipo de vida descobriram a agricultura e domesticaram os animais faz 15 mil anos. Neste período, passamos 10 mil anos em pequenas vilas. Faz talvez 5 mil anos que nos organizamos em cidades maiores e somente há 200 anos ocorreu a Revolução Industrial.

Nesta história de 1 milhão de anos, o passado recente não é a Revolução Francesa ou a locomotiva a vapor, como insistem os currículos escolares. O ontem é o fim da Idade da Pedra, a organização social de tribos nômades e o modo de vida dos primeiros agricultores. O carro e a internet surgiram faz alguns segundos.

O novo livro de Jared Diamond, The World Until Yesterday (O Mundo Até Ontem, em tradução livre), é sobre esse ontem e sobre o que ele pode nos ensinar. São 500 páginas de observações fascinantes. Aqui vai um aperitivo para aguçar seu apetite.
Nas sociedades tradicionais, as crianças, antes de aprenderem a andar, são carregadas pelas mães. Em todas as culturas tradicionais, logo que a criança consegue firmar o pescoço, ela é transportada na posição vertical. Pode ser nas costas ou na frente da mãe, seja com o auxílio dos braços ou utilizando dobras das roupas ou artefatos construídos para esse fim.

Nessa posição, o campo visual da criança é aproximadamente o mesmo da mãe. Ela olha para a frente e pode observar todo o ambiente em sua volta praticamente do mesmo ângulo e da mesma altura da mãe. O horizonte, as árvores, os animais e seus movimentos são observados pela criança da mesma maneira que a mãe observa seu ambiente. Quando um pássaro canta e a mãe vira a cabeça para observar, a criança também tem uma chance de associar o canto do pássaro à sua plumagem. A criança observa o trabalho de coleta de alimento da mãe, como ela prepara a comida, o que a assusta, o que provoca o riso ou a tristeza na mãe. Carregar uma criança na posição vertical faz parte do processo de educação.

Isso era ontem. E como é hoje? Inventamos o carrinho de bebê. As crianças menores são transportadas deitadas de costas, olhando para o céu (ou para a face da mãe). A criança não compartilha a experiência visual da mãe, não consegue associar as expressões faciais da mãe a objetos e sentimentos. Os sons ouvidos pela criança dificilmente podem ser associados a experiências visuais, atividades ou sentimentos. Deitadas, as crianças modernas só observam o teto (dentro de edifícios) ou o céu (ao ar livre).

Como o céu é claro e incomoda a vista, muitos desses carrinhos possuem uma coberturas de pano, o que restringe ainda mais o campo de visão e empobrece a experiência visual da criança. Não é de espantar que um bebê, cujos ancestrais foram selecionados para aprender a observar o meio ambiente desde o início de sua vida, fique entediado. Mas para isso temos uma solução moderna: uma chupeta que simula o bico do seio da mãe. Hoje, carregar uma criança é considerado um estorvo, mas nossa nova solução distancia fisicamente a criança da mãe e não permite que elas compartilhem experiências sensoriais. Transportar uma criança deixou de fazer parte do processo educacional.

Hoje sabemos que o desenvolvimento do córtex visual, a parte do cérebro que processa imagens, não termina durante a vida fetal, mas continua após o nascimento e depende do estímulo visual constante para amadurecer. Os carrinhos de bebê de hoje são mais novos, mas será que são melhores?

É incrível, mas hoje, numa época em que educar para o futuro é o lema de toda escola, numa época em que tentamos alfabetizar as crianças cada vez mais cedo, abandonamos o hábito milenar de permitir que as crianças olhem para a frente e compartilhem as experiências vividas por suas mães.

* Fernando Reinach é biólogo.

Colaboração de Eleonora Ramos, jornalista e coordenodora do Projeto Proteger, Salvador/Bahia.

Fonte: - O Estado de S.Paulo, 26 de maio de 2013.


Veja mais sobre o assunto:

2 de jun. de 2013

Mais um episódio do FAROESTE GOIANO: encontrado paredão e cemitério clandestino em Goianira



cisterna Cemitério Clandestino
Policiais trabalham no resgate do corpo encontrado em cisterna (Foto: Gabriel Trindade/G1)

A Polícia Civil encontrou no final da manhã desta quarta-feira (29), em um lote abandonado do Bairro Nova Goianira, em Goianira, na Região Metropolitana de Goiânia, partes do corpo de um homem ainda não identificado dentro de uma cisterna de aproximadamente 30 metros de profundidade. De acordo com delegado do Grupo Especial de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Alexandre Lourenço,uma testemunha indicou o local como um cemitério clandestino usada por um grupo de extermínio denunciado na região.

Paredão

No terreno, os policiais também encontraram um muro que possivelmente serviria para “fuzilar” pessoas. "Foram extraídos 17 projéteis de arma de fogo, algumas cápsulas e alguns outro elementos", informou. Os projéteis foram levados para exame de perícia.

Lourenço não descarta a possibilidade do local ter sido usado pelo grupo para tortura. "Tem alguns sinais no chão e uma roupa que estava impregnada com uma substância que a gente não pode definir qual é, mas que se assemelha a sangue. Esses objetos foram apreendidos e encaminhados para o Instituto de Criminalística para que seja periciado". afirmou.

Veja reportagem completa AQUI

Veja mais sobre a “Operação Resgate”:

Morador relata medo em cidade onde 60% dos PMs foram presos: 'faroeste'

PMs estão entre os 100 presos em ação da Polícia Civil, em Goiás

Fonte: Blog Educar sem Violência. Cida Alves. 2013. Disponível em: http://toleranciaecontentamento.blogspot.com.br/. Acesso em: 02 jun. 2013.

29 de mai. de 2013

Crianças transgêneros desafiam leis e políticas escolares nos EUA

Desde a pré-escola, escolas tentam se adaptar para incluir todos os alunos.
Em 2012, mudar de identidade de gênero deixou de ser 'doença' no país.

Ryan faz acrobacias com suas amigas no recreio do colégio, num subúrbio de Chicago; nascida menino, ela se identifica como menina desde os primeiros anos de vida (Foto: AP Photo/M. Spencer Green)Ryan faz acrobacias com suas amigas no recreio do colégio, num subúrbio de Chicago; nascida menino, ela se identifica como menina desde os primeiros anos de vida (Foto: AP Photo/M. Spencer Green)


Para incluir e tratar igualmente todos os alunos e alunas, inclusive os que se identificam com gêneros diferentes aos seus biológicos, escolas dos Estados Unidos estão aprendendo empiricamente a se adaptar a uma realidade longe do branco e preto que definem que roupas, brinquedos e atitudes são de meninos ou de meninas. O assunto foi tema de longa reportagem da agência de notícias Associated Press. O G1 publica abaixo um resumo com os principais trechos da reportagem da AP:
A presença de crianças e adolescentes que adotam outra identidade de gênero é pequena nas escolas, mas tem crescido. No distrito escolar da cidade de São Francisco, por exemplo, o gerente de programas de saúde escolar Kevin Gogin afirmou à reportagem que, de acordo com uma pesquisa com os estudantes, 1,6% dos alunos de ensino médio e 1% dos alunos dos anos finais do ensino fundamental se identificavam como transgênero ou variante de gênero.
As crianças dos anos iniciais não foram incluídas na pesquisa, mas Gogin disse à AP que o distrito já havia identificado alunos e alunas nesta situação nestes anos.
Com Ryan, que hoje cursa o quarto ano do fundamental em um subúrbio da cidade americana de Chicago, a adoção de outro gênero aconteceu ainda mais cedo. Desde os dois anos de idade, ela mostrava atração pela cor rosa e usava as calças do pijama para improsivar uma peruca de cabelos compridos. Na época, ela foi diagnosticada com desordem de identidade de gênero, e os pais começaram a incentivar atividades e objetos típicos de meninos. Quando a estratégia não deu certo, passaram a proibir qualquer menção ou brincadeira tipicamente feminina. Ao perceberem que o efeito da repressão não seria benéfico, decidiram aceitar as escolhas da filha.
Desde 2012, a "desordem de identidade de gênero" foi removida da lista de doenças de saúde mental, e outros pais de crianças que não se encaixam no padrão polarizado de meninos e meninas recebem o apoio de médicos e especialistas que não enxergam mais esse fenômeno como algo a ser consertado.
Para alguns deles, a evolução da percepção sobre pessoas transgênero (em suas várias formas, desde que quem se identifica com o gênero oposto até quem se considera parte homem e parte mulher) vai evoluir da mesma forma como a visão a respeito da homossexualidade, que há cerca de 40 anos deixou de ser considerada uma doença mental.
Nosso compromisso é que nossos filhos estejam em um ambiente acolhedor e amoroso, e se alguém não concorda com isso, então não vai estar por perto"
Chris, pai de Ryan,
garoto que se identifica como menina
Contra o bullying na escola e na família
Ainda no jardim de infância, ela decidiu, com o apoio dos pais, abandonar a rotina de vestir roupas de menino na escola e trocá-las, assim que chegava em casa, por saias e uma blusa combinando. No primeiro dia da mudança, a mãe dela, Sabrina, foi à sala de aula explicar aos coleguinhas que Ryan gostava de se vestir como menina e fazer coisas de menina.

Algumas crianças contaram suas próprias histórias que quando vestiram roupas indicadas a outros gêneros por motivos variados, e o grupo superou a notícia. As crianças do ensino fundamental, porém, começaram a perseguir Ryan na hora do recreio. Para evitar aborrecimentos, a diretoria da escola garantiu a aplicação da política de intolerância ao bullying.
O processo, porém, não foi totalmente fácil, segundo contou a mãe da criança, Sabrina, à reportagem da AP. Antes da escola, Ryan começou a vestir roupas convencionalmente atribuídas a meninas em parques, no bairro e com a família.
Algumas pessoas não aceitaram a mudança, criticaram o apoio dos pais por acharem Ryan nova demais para saber o que queria, ou simplesmente pararam de reconhecer a criança. "Era como se ela não existisse mais", disse a mãe. A posição dela e do pai foi, além de mudar de bairro e buscar uma escola que parecesse mais aberta, enfrentar o problema de frente e com uma posição clara: eles reuniram os parentes e lhes informaram que estariam do lado da criança.
"Nosso compromisso é que nossos filhos estejam em um ambiente acolhedor e amoroso, e se alguém não concorda com isso, então não vai estar por perto", explicou o pai de Ryan, Chris.
Ryan, Scott Morrisson, Eli Erlick e Coy Mathis; alunos e alunas transgêneros nos EUA (Foto: AP Photo/M. Spencer Green/Don Ryan/Rich Pedroncelli/Brennan Linsley)
Ryan, Scott Morrisson, Eli Erlick e Coy Mathis; aluno
e alunas transgêneros nos EUA (Fotos: AP Photo/
M. Spencer Green/Don Ryan/Rich Pedroncelli/
Brennan Linsley)
A tolerância na prática
"Por uma margem grande, a maioria dos educadores quer fazer a coisa certa e quer saber como tratar todas as suas crianças igualmente", afirmou à reportagem da AP Michael Silverman, diretor-executivo do Fundo de Defesa Legal e Educação Transgênero da cidade de Nova York. Segundo ele, atualmente 16 estados americanos e o Distrito de Columbia (capital dos EUA) já contam com leis que garantem os direitos de pessoas transgêneros. Mas, mesmo nos estados que não contam com essa legislação, os distritos escolares estão geralmente abertos à orientação para a diversidade.

O problema, porém, é que as práticas de aceitação e tolerância à diversidade ainda não são muito difundidas. Entre as perguntas mais comuns estão a definição de qual banheiro a criança vai usar, onde ela vai se trocar para a aula de educação física e que pronome os professores e colegas devem usar para chamar a criança transgênero.
Dados recentes mostram que a falta de informação e socialização entre os estudantes transgêneros podem ter resultados alarmantes.
Um pesquisa nacional feita em 2010, feita em conjunto entre o Centro Nacional pela Igualdade Transgênero e pela Força Tarefa Gay e Lésbica Nacional, mostrou que 41% das pessoas transgêneros entrevistadas no país admitiram que já tentaram cometer suicídio. Mais da metade (51%) delas afirmou que sofreu bullying, assédio, agressão ou expulsão da escola por serem transgêneros.
Scott Morrison, que mora no estado de Oregon há três anos, e há dois fez a transição de menina para menino, afirma que o apoio da família, dos amigos e de sua nova escola, inclusive da ajuda de um conselheiro escolas, fez toda a diferença no processo, inclusive evitando que ele considerasse tirar a própria vida.
"A identidade de gênero é provavelmente a parte mais importante de mim, é a descoberta mais importante que fiz sobre mim mesmo", disse o formando do ensino médio à AP.
Para Eli Erlick, uma aluna transgênero que vai terminar o ensino médio neste ano em Willits, uma pequena cidade no norte da Califórnia, a transição de menino para menina começou aos 8 anos. Na época, há cerca de dez anos, a sensação que ela descreveu à agência era de ser "a única pessoa desse jeito". Além de ser ridicularizada em público pelos próprios professores, a aluna não tinha permissão para usar o banheiro das meninas. Para contornar o problema, ela fingia alguma doença para poder ser liberada e usar o banheiro de casa.
Em geral, porém, ela afirma ter notado uma mudança geral nas atitudes em relação às diferenças entre identidades de gênero. Hoje, Eli coordena uma organização que treina e orienta escolas a lidar com pessoas como ela, além de ter ajudado seu próprio distrito escolar, além de outros na Califórnia, a definir políticas sobre o tema.
A inclusão escolar na Justiça
Ainda que haja mais conscientização, nem todas as relações entre alunos transgêneros e suas escolas são pacíficas, e algumas já foram parar na Justiça. Michael Silverman, de Nova York, representa a família de Coy Mathis, uma garota transgênero de seis anos do estado de Colorado.

O motivo do processo foi o fato de a escola ter definido que a criança seria obrigada a usar um banheiro separado das demais meninas.
"Se fosse só um banheiro, então a opção neutra estaria bem. Mas é sobre realmente ser aceita", disse a mãe de Coy, Kathryn Mathis. "O que acontece agora é que eles te chamam de garota, mas você não é realmente uma garota, então não te deixam agir como uma. E isso faz um estrago incrível."
Essas crianças estão começando a ter uma voz, e acho que isso é o que tem feito as coisas interessantes e desafiadoras --e difíceis, às vezes--, dependendo da família, da criança ou da escola"
Roberto Garofalo,
Hospital Infantil Lurie, de Chicago
A reportagem da Associated Press procurou a escola de Coy, mas ela não se pronunciou.
Os precedentes abertos nos últimos anos e a evolução da posição de especialistas sobre a condição de pessoas transgêneros têm feito com que as crianças e adolescentes que se identificam com um gênero diferente do biológico possam viver mais abertamente e com maior apoio.
"Essas crianças estão começando a ter uma voz, e acho que isso é o que tem feito as coisas interessantes e desafiadoras --e difíceis, às vezes--, dependendo da família, da criança ou da escola", afirmou à AP Roberto Garofalo, diretor do Centro de Gênero, Sexualidade e Prevenção de HIV do Hospital Infantil Lurie, de Chicago.
No caso de Ryan, sua integração escolar tem tido, até agora, poucas consequências negativas. Uma de suas colegas do quarto ano do fundamental resumiu tudo com uma frase: "A maioria das pessoas esqueceu que um dia ela já foi um menino", disse a garota.
Fonte: G1, São Paulo (SP) 2013. Disponível em: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/05/criancas-transgeneros-desafiam-leis-e-politicas-escolares-nos-eua.html. Acesso em: 29 maio 2013.