8 de jun. de 2014

Infância roubada – Eleonora Ramos

Infância roubada – Eleonora Ramos

Adoção Monte SantoCrianças retornaram para casa depois de 1 ano e 6 meses.

Parece, e é, título de filme. Mas, no caso das cinco crianças vitimas de tentativa ilegal de adoção em Monte Santo, é a pura e cotidiana realidade. Há três anos, três longos anos, em junho de 2011, viveram a grande ruptura com a vida normal, como a vida de qualquer criança sertaneja pobre. O que aconteceu naquele fim de tarde, quando foram tirados de casa e entregues a desconhecidos, com os quais viveriam por 18 meses, já se sabe. Do que se seguiu na primeira noite, nos primeiros dias e noites, semanas, meses, certamente, o pior era compreender o incompreensível.Continuavam irmãos, era o que lhes diziam, mas agora tinham novos pais. Por que? Por que? Os mais velhos, então com seis e cinco anos, queriam saber. E souberam. Sua mãe deu vocês porque era pobre, papai do céu mandou, vocês não tinham as coisas e agora vocês vão ter tudo, sua mãe não cuidava de vocês, sua mãe bebe, papai do céu não gosta. Lavagem cerebral cruel, com gosto de chocolate kopenhagen.

A revogação das guardas, em novembro de 2012 e o conseqüente retorno das crianças, em dezembro, deram início a implacável perseguição à família, pelos ex-guardiões e seus advogados. Restava-lhes provar que as crianças estariam sofrendo maus-tratos, já que “pobreza não é motivo”. Era preciso mostrar a incapacidade dos pais para cuidar dos filhos, a partir da desqualificação da mãe como guardiã e mulher. Assim foi feito.

O processo de desestabilização da família foi evidente e violento nos primeiros quatro meses, com a possível participação da polícia civil de Monte Santo e a omissão do Ministério Público. Abordados na rua, fotografados, apontados, as crianças não tiveram paz até que mãe e filhos mudaram-se às pressas para outra cidade, onde vivem hoje longe dos avós, dos primos, em novo exílio, sob estrita vigilância do MP.

Explica-se. Maus-tratos comprovados são a única chance de impedir a mãe biológica, ou qualquer outra mãe, de conviver com os filhos e, em busca de tais maus-tratos salvadores, as quatro famílias paulistas têm recebido muitos, veementes e surpreendentes apoios.

A deputada Lilian Sá do PROS/ RJ, por exemplo, requereu que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal vá à casa das crianças verificar como estão e como vivem. Não, não é uma piada de mau-gosto. É isso mesmo. Para que pobre quer privacidade, respeito? E o que move a deputada? Solidariedade com a “dor” das famílias ex-guardiães?

Mas, afinal, por que tanto interesse no destino dessas crianças e no desfecho processual do caso? Por que essa reação tão forte de grupos e associações à sentença judicial? Por que esses mesmos grupos e pessoas ainda defendem a concessão dessas guardas, após o CNJ tê-las considerado ilegais e afastado o juiz que as concedeu? Essas perguntas podem ser respondidas por outras perguntas.

Por que não aconteceram processos de adoção ou guarda provisória em Monte Santo e região nos últimos dois anos? Por que a escrivã da comarca já não busca crianças para “salvar da miséria”? Por que tantas e atabalhoadas tentativas de alterar leis que regulamentam a adoção? Porque os abrigos da cidade de Gaspar/SC, que, em 2012 reuniam mais de cem crianças, tem atualmente menos de quinze? Não existem mais crianças pobres em risco que precisem ser adotadas com urgência? Por que tanta movimentação em Brasilia – CNJ, OAB, SDH, IBDFAM,AMB e agora a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que, parece, continua contaminada pela desastrosa passagem por lá do tal Marcos Feliciano?

Afinal, quais são os reais objetivos dessa Associação de Apoio aos Grupos de Adoção, além de fraternalmente ajudar aqueles que querem adotar crianças, pelo jeito, crianças que não estão disponíveis, porque não é preciso ajuda para adotar as que superlotam os abrigos em todo o Brasil. Só em São Paulo, são mais de duas mil.
Seja o que for que está por trás de toda essa preocupação com o “instituto da adoção”, conseguiu roubar a infância de cinco crianças, que há três anos atrás cresciam pobres mas felizes no sertão da Bahia.

Eleonora Ramos – Jornalista, Salvador\Bahia

Foto: capturada no jornal A TARDE

Fonte: Blog Educar sem Violência. Não bata, eduque. Cida Alves. Acesso em: 8 jun. 2014. 

3 de jun. de 2014

40 insuportáveis segundos! Mas real o bastante para mostrar como é desesperador o sofrimento e o desamparo das crianças que sofrem violências físicas cotidianamente dentro de sua própria casa



(caso a legenda não apareça automaticamente, clique no link legenda que fica no rodapé do vídeo)

“Não posso esperar até eu crescer. Eu tenho direito de ser feliz. De ser cuidado e acolhido. De sentir-me amado. De ser escutado e ouvido. De nunca, mais tremer de medo. Nem jamais ser empurrado, golpeado, chutado ou sacudido... Lutarei pelo direito de crianças como eu que não tem infância. Não posso esperar até eu crescer...”.
Comercial da ISPCC – Always here for Children


Enviado por Helenilza Teixeira em 30 de maio de 2014

Fonte: Blog Educar sem Violência, não bata, eduque. Cida Alves. 2o14. Acesso em: 03 jun. 2014. 

22 de mai. de 2014

Lei da Palmada é aprovada na CCJ da Câmara e segue para o Senado com o nome de Lei "menino Bernardo",


Bernardo
Gauchinho lindo, uma morte como a sua jamais
deveria ter acontencido. Nós da Rede Não Bata Eduque lutaremos até o fim para que ela não seja em vão e que nenhuma criança brasileira passe pelo sofrimento que você passou.

Chamada até então de Lei da Palmada, o projeto seguirá para o Senado com o nome de Lei "menino Bernardo", em homenagem ao garoto Bernardo Boldrini, assassinado no Rio Grande do Sul. Passado o debate acalorado da sessão promovida pela manhã e a presença da apresentadora Xuxa Meneghel, a bancada evangélica - que vinha obstruindo a votação do projeto nos últimos anos - cedeu e houve um acordo para a alteração do texto final.

Após dois anos de tramitação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, foi aprovado na noite desta quarta-feira (21), no colegiado, o projeto de lei que altera o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e proíbe a aplicação de castigos físicos a crianças e adolescentes.

O relator Alessandro Molon (PT-RJ) acrescentou apenas à definição de castigo a expressão "que resulte em sofrimento físico ou lesão" à criança ou ao adolescente."Não queremos que as crianças sejam espancadas e tratadas de forma humilhante, seja com castigo físico ou não", disse o relator.

O entrave era a bancada evangélica, que temia a "interferência" da legislação na educação familiar. O relator enfatizou que a proposta não prevê sanções aos pais por usar métodos punitivos na educação dos filhos, apenas encaminhamento dos pais denunciados ao Conselho Tutelar para orientação e, no máximo, advertência.

Na avaliação do petista, a presença de Xuxa pela manhã foi decisiva para a aprovação do texto. O caso Bernardo Boldrini também ajudou a sensibilizar os parlamentares, por isso o nome da lei foi alterado. Os deputados fizeram questão de retirar da lei o sobrenome do pai do garoto. "Não seria possível, exatamente numa lei que seria para evitar casos como esse, incluir o sobrenome de quem eventualmente tenha participado dessa tragédia", justificou o relator.

Fonte: OUL NOTÍCIAS. In: Blog Educar Sem Violência. Cida Alves. 2014. Acesso em: 22 maio 2014. 

18 de mai. de 2014

18 de maio - Dia Nacional Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescente


Menina exploração sexual
"Se não vejo na criança uma criança, é porque alguém a violentou antes, e o que vejo é o que sobrou de tudo que lhe foi tirado. Essa que vejo na rua sem pai, sem mãe, sem casa, cama e comida, essa que vive a solidão das noites sem gente por perto, é um grito, é um espanto. Diante dela, o mundo deveria parar para começar um novo encontro, porque a criança é o princípio sem fim e o seu fim é o fim de todos nós*" Betinho - Herbert de Souza


“Num país cuja legislação tornou-se modelo exemplar a tantas nações, parece redundante nomear a criança como “sujeito de direitos”. Porém, a realidade demonstra que estamos muito distantes de efetivar tal asserção legal e que a maioria das crianças brasileiras encontram-se submetidas às mais grotescas formas de exploração e negação de sua infância” (Alexandre Freitas Marchiori)

                                                                  Jorge Sousa

* Blog Educar Sem Violência . Cida Alves. 2014.
** Vídeo disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=0aSm50GuikY. Acesso em: 18 maio 2014.

17 de mai. de 2014

DIGA NÃO À VIOLÊNCIA INFANTIL!


Triste ver esse dados tão grandiosos em relação a violência contra a criança. “Num país cuja legislação tornou-se modelo exemplar a tantas nações, parece redundante nomear a criança como “sujeito de direitos”. Porém, a realidade demonstra que estamos muito distantes de efetivar tal asserção legal e que a maioria das crianças brasileiras encontram-se submetidas às mais grotescas formas de exploração e negação de sua infância” (Alexandre Freitas Marchiori).
Jorge Sousa

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=Qf9HSH9Q_-w. Acesso em: 17 maio 2014. 

14 de mai. de 2014

VIOLÊNCIA FÍSICA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

NÃO DÁ PARA FICAR CALADO!


Tenho percebido de que cada vez mais as crianças e adolescentes vêm sendo agredidas e violentadas no Brasil!
Essa percepção é demonstrada através de índices estatísticos do órgão de proteção à criança e ao adolescente, que demonstram um crescimento altíssimo nos últimos anos.
Algumas pessoas não sabem, sequer, identificar uma agressão física ou sexual contra uma criança, principalmente em crianças que mal sabem falar ou expressarem-se.
Esse grupo vulnerável sofre todos os tipos de violências, todos os dias em nosso país e mundo afora.
Uso da força ou atos de omissão praticados pelos pais ou responsáveis, com o objetivo claro ou não de ferir, deixando ou não marcas evidentes.
São comuns murros e tapas, agressões com diversos objetos e queimaduras causadas por objetos ou líquidos quentes.
Dados do sistema de Informação para a Infância e Adolescência (SIPIA) - alimentados por conselheiros tutelares - indicam que mais de 50% dos casos de violência contra a criança são cometidos por familiares.

Alguns Indicadores da Violência Física

O local mais acometido pelos maus-tratos no corpo da criança e do adolescente é a pele. 
Tipos de lesão incluem desde vermelhidão, equimoses ou hematomas até queimaduras de 3º grau. 
É comum haver marcas do instrumento utilizado para espancar crianças ou adolescentes: elas podem apresentar forma de vara, de fios, de cinto ou até mesmo da mão do agressor. 
Nos quadros abaixo temos algumas marcas que sinalizam a violência ocorrida:





Fotos de crianças vítimas da violência praticada pelos familiares
(Arquivo pessoal do Dr. Lauro Monteiro)

Recém nascido esfaqueado pelo próprio pai e abandonado em estação de metrô.

Queimadura por imersão da mão em água fervendo, praticada pela própria mãe.

Criança colocada em bacia com água fervendo, propositadamente, pela família como castigo.

Boca queimada por descarga de fio elétrico pelo próprio pai.

Queimadura por ferro elétrico causada pelo pai.


Veja outras imagens de maus-tratos contra crianças


As ilustrações abaixo foram retiradas da publicação "Child abuse and exploitation. Investigative Technics", do U. S. Departament of Justice. Nós as temos utilizado muito em palestras sobre o tema.


Puxão dos cabelos, com possibilidade de trauma no couro cabeludo.

Síndrome da criança sacudida (Shaken Baby Syndrome), com possibidades de hemorragias intra-crianianas.

Hematoma sub-dural ocorre nas hemorragias sub-durais provocados pela Shaken Baby Syndrome.

Mecanismo pelo qual as sacudidas da cabeça da criança podem levar a hemorragias intra-cranianas.

Criança amarrada e amordaçada.

As agressões por fio elétrico, corda, cinto e fivelas dos cintos deixam marcas características.

Criança com marcas de cordas amarradas no pulso.

As queimaduras por cigarro são geralmente feitas nas palmas das mãos, solas dos pés e nádegas. Queimaduras em vários estágios de evolução indicam abusos freqüêntes.

As queimaduras por utensílios domésticos aquecidos como garfos, facas, colheres são freqüentes. Na ilustração, queimadura típica por ferro elétrico.

A cabeça é das regiões do corpo uma das que mais sofre agressões.

Locais mais frequëntes das lesões nos casos de maus-tratos.



Fonte: Observatório da Infância.

Caso Você se depare ou presencie com alguma dessas agressões em crianças ou adolescente, DENUNCIE: Disque 100 (nacional) ou Disque 181, estadual. Também podem denunciar através dos número 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil) e para os Conselhos Tutelares de sua cidade. A sociedade também pode obter informações sobre a mobilização no combate à violência pelo site www.doesuavoz.pr.gov.br

Fonte: http://ivancarlosnh.blogspot.com.br/2012/05/violencia-fisica-contra-criancas-e.html. Acesso em: 14 maio 2014.

12 de mai. de 2014

Desejo colos de algodão com cheiro de jasmim


“
O nascimento é arbitrário! Não se pode escolher de quem seremos pais ou filhos. Na distribuição aleatória que a concepção determina, alguns são entregues a pessoas que não conseguem ou querem amar. Entregues a colos de espinhos.
E nada, absolutamente nada que os recém-chegados tenham ou sejam, justifica corações gelados e braços vis. Meninos e meninas não se penalizem, “os meninos são todos sãos”*, se alguém não os escolheram é por que não os merecem.
O meu desejo - nesse dia opressor para os filhos e as filhas que precisam sair de suas casas para se protegerem da brutalidade de suas matrizes, é que eles sintam o calor do colo do mundo, colo feito de algodão e com cheiro de jasmim”
Cida Alves

*Versos da canção Drão de Gilberto Gil
Fonte: Blog Educar sem violência. Cida Alves. Acesso em: 12 maio 2014.