10 de jan de 2012

“Palmada educa?” entrevista com a psicóloga Suely Pereira de Faria


“Palmada educa?” entrevista com a psicóloga Suely Pereira de Faria


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Um tapinha, um beliscão. “Que mal podem fazer?”, perguntam-se os pais. A questão é polêmica e provoca discussões fervorosas com fortes opiniões a favor e contra. Mas para a psicanalista Dra. Suely Pereira de Faria há uma única resposta: “Não, palmada não educa.” Ela explica que castigo físico provoca humilhação e faz nascer na criança o sentimento de não ser capaz ou a culpa por estar fazendo algo errado. “A verdade é que a palmada tira a autoridade da palavra”, ressalta.

O princípio básico apontado para educar é única e exclusivamente o diálogo diz a Dra. Suely. “Seja claro, mostre o porquê, converse e explique. A educação é uma repetição. A criança não aprende na primeira vez e o tapa, a palmada, só vai estancar uma ação que provavelmente irá se repetir.”

Assim, estabelecer rotinas familiares também é um passo importante na educação dos filhos. A psicanalista explica que reservar um momento do dia para conversar com a criança, contar histórias e conviver com ela substitui a agressão da palmada.“Por comodismo, os pais acabam colocando os filhos em frente à televisão, agindo de uma forma que prejudica a relação humana entre pais e filhos, levando a criança a viver constantemente num mundo de fantasia”observa.

A maioria dos pais de hoje levou palmadas quando criança e, assim, argumenta que nem por isso se tornaram adultos “revoltados”. Dessa forma, não vêem sentido em não fazer o mesmo com os filhos. Mas, para psicanalista Dra. Suely, isso não deixou de ter conseqüências para o adulto, uma vez que ele recorre às palmadas como uma punição para o filho, esquecendo-se que o mundo evoluiu em todos os sentidos, principalmente na forma de educar, que é a base da sociedade. “As crianças hoje são convidadas a participarem da vida do adulto cada vez mais cedo e parece haver o desejo dos pais de que elas se distanciem de sua condição infantil, espontânea de exploração e descoberta do mundo, utilizando do castigo físico como limitador da ação”, relata a especialista.

Dra. Suely Pereira de Faria (CRP 09/1223)

Psicanalista, especialista em Psicologia Clínica e Técnicas Projetivas de Avaliação de Personalidade e Mestre em Ciências da Religião.

(62) 9979-8808 / psifaria@hotmail.com

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Fonte: Manual da Mamães – Crianças e Adolescentes, publicação da Central de Ideias Comunicação (Goiânia/Goiás)

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