16 de dez de 2013

Violência contra criança volta a chocar o país


Segundo os dados da Sociedade Internacional de Prevenção ao Abuso e Negligência na infância, 12% dos cerca de 55 milhões de crianças brasileiras menores de 14 anos são vítimas de alguma forma de violência todos os anos. 

Em Curitiba, capital do Paraná, um caso de violência contra uma criança volta a chocar o país. Em janeiro deste ano, o menino Luan Mendes, de apenas um ano e sete meses, foi adotado por Adriana Moura, uma mulher casada e com outras duas filhas biológicas.

A avó biológica de Luan, dona Maria de Fátima, que é tia da mãe adotiva, não concordou com a adoção, concedida pelo Conselho Tutelar, e pediu a guarda da criança. A avó cuida de dois outros netos, irmãos de Luan, mas teve seu pedido negado.

No último domingo, essa história acabou em tragédia. Luan morreu em decorrência de maus-tratos. Segundo a polícia, ele teria sido espancado pela mãe adotiva. “A gente sabe só que ela estava dando banho nele, e ele caiu”, afirma a tia da criança, Reilane Gregório.

Mas a criança apresentou vários indícios de violência, inclusive sexual. “A mãe adotiva tinha responsabilidade na guarda dessa criança, e era importante ela saber quem seria o responsável por essa violência, se não foi ela mesma”, afirmou o delegado Fabio Amaro. Ainda segundo Fabio, a mãe adotiva inventou situações diferentes para a morte de Luan.

Mais Você relembra outros casos de violência infantil que chocaram o país

Casos famosos reforçam as estatísticas, como a morte de Isabella Nardoni, assassinada pela madrasta em 2008. Em 2010, a procuradora aposentada foi acusada e presa pelo crime de tortura contra uma menina de dois anos que tinha adotado. Em 2011, Edson Novaes foi filmado enquanto espancava seu filho. Em agosto de 2010, Joana morreu após ser mantida na casa do pai com mãos e pés amarrados.

Como identificar quando uma criança está sofrendo maus-tratos

Ana Maria destacou que todo mundo pode ajudar a defender as crianças desse tipo de violência doméstica. A atenção de profissionais da medicina, professores e até de vizinhos pode ser essencial para preservar a vida de uma criança. “A violência mata 25% dos brasileirinhos com até 5 anos de idade”, lamentou Ana Maria, reforçando que a imprensa e os cidadãos têm o dever de denunciar. “Não precisa falar seu nome, pode ficar anônimo”. 

No caso de Luan, a médica foi a primeira a suspeitar que a criança estava sofrendo maus-tratos. A pediatra Tânia Shimoda Sakano, do Instituto de Pediatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, deu dicas para todo mundo observar esse tipo de agressão. “Se você observa lesões circulares, sugerindo queimaduras por cigarros, ou até um objeto, como um ferro de passar, no corpo da criança, isso sugere agressão física”.

A pediatra também falou que é importante estar atento para as reclamações das crianças sobre dores, histórias incompatíveis com a lesão ou com o desenvolvimento observado na criança. “Dizer que a criança caiu do berço, quando ela ainda não tem idade suficiente para se sustentar em pé no berço, é um indício de mentira que pode ocultar uma agressão”.

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